Don Fudencio de las Damas, el señor de los bordeles!


O sujeito era um perfeito basbaque , daqueles que parecia, já na “meia idade”, não ter abandonado os tapetes do “jardim da infãncia”. E, apesar de bom ator na vida pública (dizem as más línguas, foi o mais combativo, loqüaz e preciso dirigente sindical da classe, capaz de enredar nas cordas do ringue os mais matreiros adversários políticos, em menos de 60 segundos), diante de um liso e roliço par de coxas e do afetado e meigo muxoxo da mais desastrada puta, se transformava num bebê de colo, incapaz de emitir o mais pueril “mã-mã”.

Dia de pagamento de salário era a festa na “casa” da Ivonete! O nosso empertigado herói, após encher os cornos no buteco mais próximo, “incorporava”, já inconsciente (que a mente há muito o abandonara, aos primeiros goles de conhaque, ali restava só o corpo), no salão enfumaçado do puteiro pobre, e só saia, exu cambaleante, aos empurrões do porteiro, no fim da madrugada, sapatos nos pés invertidos, paletó com as mangas no avesso, rastros vermelhos da noite na camisa branca, a cueca guardada na pasta, alguns trocados na carteira e o talão de cheques que era só canhoto!

Até o fim do mês era aquela correria pra cobrir o rombo, e o Fudêncio (nome infeliz com que fora registrado – por exigência da mãe, diga-se de passagem – não se sabe se por gratidão ou vingança, que Irene, a genitora, morreu chamando, ausente há vinte anos, o pai pretenso, um tal Lúcio Djalma Amolentado) só sobrevivia, muitas vezes, com o apoio dos amigos. Que cachaceiro irmão na “Lomba” não faltava.

Houve mesmo aquele camarada que passou um cheque (só uns R$ 2.000,00) para dar troco a uma gata do amigo – complacente senhora que fora clamar à porta da entidade , aos gritos, pelo don Juan, pois lhe depositara na magra conta bancária a “féria” amorosa auferida (pra pagar o empréstimo que ele lhe fizera) com cheque de cliente rico, três vezes superior ao valor devido! E, no dia seguinte, o liso papel pardo depositado pela “pura” dama saiu “voando” da conta do Fudêncio qual um “airbuss”da TAM.

Mas o fato é que naquele dia Fudêncio se passara. Sorvidas três champanhas e uns dois litros de uísque, o ilustre orador, então candidato à Câmara Municipal, deu discurso sobre a mesa de sinuca, o pau pra fora, em riste, a servir de microfone (juram as putinhas do lugar que o “desmarcado” não usava taco, e encaçapava as bolas com a “guasca” que lhe deu a natureza), e foi flagrado em pêlo por câmera indiscreta!

Já dia claro (e dia de inverno, que no Sul nasce lá pelas sete horas), o qüera chegou em casa sem as chaves, sobre a cabeça, por boina, uma calcinha mínima. E pôs-se a urrar, no porre envolto: “Abre, putedo! Hoje, Ivonete, eu pago tudo! Ganhei no bicho, hoje eu pago até churrasco!” Não tem “espeto”, este mês, que me aperte. Que o prêmio é o dobro do salário!”

Cara torcida, o nariz soltando chamas, bunda empinada, tetos rígidos brandindo à sua frente, um doce furacão humano de impropérios e safanões joga o Fudêncio ao chão, que, meigo como um angorá capado, mia ternamente: “calma, minha egüinha chucra, não te preocupa – te dou cem reais… e podes tomar tudo que é dose! Garanto: não te arrombo o lombo! Vou só esfregar a cabecinha… Sou só carinhos, ô minha putinha!”

E, antes que um último safanão o mande para os braços de morfeu, passa um amigo de cachaça, de apelido “O Santa Bárbara”, que, numa réstia de consciência, cumprimenta o etílico galã de cabaré: “E aí, xiru velho, casaste ontem e já apanhando da ‘patroa’?!”

P.S.: qualquer coincidência com fatos ou pessoas irreais não é mera casualidade!

Ubirajara Passos

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