LAMENTO DO POETA ACABRUNHADO


No fim do beco,
Na tarde que morre

Flutua, cinza,
Fundindo céu e terra,
Uma tristeza imprecisa,
O chuvisqueiro

Divide o espaço com uma listra evanescente
De luz oblíqua,
O ar parado

Recende à terra úmida, indecisos
Espectros cruzam a esquina,
O pensamento
Suspenso, o livro
No regaço abandonado,

Sou sensação pura e não verbalizada,
Sou grama, sombra, transparências,
Sou cordilheiras muito além do horizonte,

Sou noite que nasce amalgamada
Ao branco véu que desce dentre as nuvens,
Sou um nada imenso, um todo espremido
Nos meandros da ruela irregular;

Sou um objeto mudo e inominado,
Um detalhe
No abandono do cenário,
Sou desejos,

Que ao nascer se esvaem,
Sobretudo,
Sou um inerme irmão da solidão.

Gravataí, 31 de julho de 2007

Ubirajara Passos

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