O QUE É UM PELEGO?


Em janeiro de 2005 corria solto o renhido debate que antecedeu a desfiliação dos Sindjus-RS da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em espaço especialmente criado para isto no site da entidade, a que tinham acesso todos os trabalhadores da justiça que quisessem postar seus comentários.

Pois, em meio ao embate com a pelegada cutista que pretendia manter o Sindjus atrelado à central fascista e caudatária do governo do Inácio (e hoje, infelizmente, dirige o sindicato), escrevi a mensagem abaixo transcrita, que transcende as circunstâncias em que foi elaborada e é um verdadeiro paradigma para análise da prática petista, tanto do grupo de sindicalistas a que se refere imediatamente, quanto de toda a militância e politicalha detentora de cargos públicos do partido que, se pretendendo vermelho, desbotou e não é nem mais cor-de-rosa (mas já está tão “verde” quanto as camisas do uniforme integralista dos seguidores de Plínio Salgado, o führer tupiniquim dos anos 30):

O QUE É UM PELEGO?

Diante da preocupação terrível (que chega às raias da fúria), externada pelo companheiro Valdir Bueira, quanto ao adjetivo utilizado em nossas manifestações relativas à questão da CUT, venho esclarecer, com o auxílio científico, neutro e irrefutável do velho “amansa-burro” (espero que o Dicionário não se sinta injuriado), qual o significado, consagrado na língua, do termo, que além de artefato de pele de carneiro, quer dizer: “Pelego (ê) s.m. Denominação dada a sindicalistas que atuam em conformidade com interesses de patrões, governantes, etc.” (Dicionário da Língua Portuguesa Laurousse Cultural, Editora Nova Cultural, 1992).

Como se pode ver, a odiada palavrinha não possui nada de ofensivo, nem foi utilizada com o intuito de xingamento, difamação ou intimidação, como supõe o ilustre companheiro. Ela apenas corresponde, como se viu do texto do dicionário acima, a uma opção clara e objetiva de atitude do sindicalismo que, no caso da CUT (que se omitiu no episódio da Reforma Previdenciária, apóia o governo entreguista e burguês de Lula nas reformas sindical e trabalhista, e abriu mão da defesa do Salário Mínimo do Dieese, para se contentar com parcos R$ 300,00), evidentemente, cai como uma luva. Como ensina a velha lógica da matemática algébrica, se A=B e B=C, A é igual a C. Conseqüentemente, salvo a absurda hipótese de ignorância ou ingenuidade (nas quais creio que um ex-Presidente do Sindjus certamente não se encaixa), quem defende a CUT, uma central pelega, só pode ser pelego. Nada há aí de espantoso ou que possa causar comoção.

Da mesma forma, ao contrário da prática do grupo que o companheiro Bueira representa (que sempre agiu, no Sindjus, como se fosse proprietário da entidade, não admitindo qualquer oposição forte, sob pena de demonização dos opositores), jamais utilizei o vocábulo “pelego”, contra qualquer adversário, pelo simples fato de discordar do meu pensamento. Se o usei contra o companheiro e seus seguidores, foi na estrita acepção do termo, que, como foi cabalmente demonstrado acima, lhes é merecido, na mais elementar e imparcial das lógicas.

Na verdade, toda a preocupação externada, com a pretensa ofensa, oculta uma atitude que é típica do grupo petista que dirigiu o Sindjus de novembro de 1992 a junho de 2004, dos membros da Esquerda Democrática, da Democracia Socialista (DS) e dos fascistas travestidos de esquerda do país em geral. Diante da impossibilidade de refutar, no terreno da lógica e da verdade, seus adversários, eles partem para o falso moralismo, procurando desqualificar quem fala para que seu discurso não seja ouvido e entendido por quem acompanha o debate. Se a CUT é defendida por militantes deste quilate, isto é suficiente para tê-la bem longe de nosso sindicato.

Porto Alegre, 19 de janeiro de 2005

Ubirajara Passos

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