“NOSSAS POSIÇÕES ESTÃO OCUPADAS”


Outro dia o Alemão Valdir, necessitando urgentemente resolver um problema de acesso com o seu provedor da Internet, telefonou para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (o “SAC”, cuja sigla mais apropriada seria “SACO”) e, depois de meia hora submetido à mais sutil e desmoralizante tortura criada pelo capitalismo “pós-moderno” (a famosa musiquinha repetitiva, em tons eletrônicos, tocada do outro da linha), se viu num dilema típico do mecanicismo burocrático que tomou conta dos mais diversos ramos do trabalho.

Ao invés de informá-lo direta e concretamente que os funcionários que poderiam resolver-lhe a engresilha já estavam atendendo outros desventurados clientes, a telefonista, com voz metálica, doce, e carregada da solicitude padrão da ideologia da qualidade, diante da tela de computador da central telefônica, disparou a frase enigmática: “Nossas posições estão ocupadas, o senhor aguarda?”

O velho revolucionário, com o saco mais cheio que malote de carro-forte em dia de pagamento de salários, por pouco não proferiu um protocolar vai à puta que pariu, embasbacado diante da voz quente e, contraditoriamente, burocrática.

E, por alguns instantes, se viu envolto nos mais loucos devaneios. Que negócio era este de posições ocupadas? por acaso ligara para o bordel (ou para o Congresso Nacional, o que quase dá no mesmo – o cabaré é mais pudico), serviço de tele-sexo ou estacionamento de centro de cidade grande? E a que posições se referia a gatinha? Seria o tradicional papai-e-mamãe, uma foda selvagem de quatro, um sessenta-e-nove grupal de dez casais, uma fêmea gemendo sobre o macho ao som da “Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner? as posições de defesa do salário mínimo do Dieese – R$ 1.500,00 – para a peonada por um senador de esquerda convicto? (não! esta posição não existe mais! a “postura” da moda entre a politicalha de Brasília, agora, é aquela do macaco que foi pego pelo rabo com a mão na cumbuca!)…

Mas antes que perguntasse o preço do programa ou a tarifa da propina, despencou abruptamente do sonho: “Senhor, três de nosso vendedores acabam de ser liberados! Que tipo de caixão o senhor deseja mesmo?”

 

Ubirajara Passos

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