A PUTARIA NÃO É MAIS A MESMA!


Há pouco eu lia a orelha do clássico erótico francês “Anti-Justine”, escrito no final do século XVIII, que adquiri, faz uma semana, em edição de bolso da L&PM (a mais nacional das editoras gaúchas), e dei com o trecho final do comentário ao livro onde consta o seguinte: “Escrito em 1798, Anti-Justine foi publicado pela primeira vez em 1863, em tempos de banalização do sexo e do corpo, é nada mais que atual.” (grifo meu).

Antes que os leitores mais revolucionários e anti-moralistas se engasguem com a cachaça de cabeceira, vou esclarecendo: não tive nenhum ataque de recaída aos meus tempos de piá católico hipócrita (aí pelos quatorze anos), quando batia as mais homéricas punhetas, munido de uma simples revista “Ele-Ela”, e, oficialmente, chegava a professar a virgindade masculina antes do casamento! O fato é que putaria, foda (que sexo é um termo muito “puro”, neutro e tão higiênico quanto uma asséptica luva de dentista), o corpo de uma mulher para mim sempre foi um acontecimento espetacular!

Tanto que o simples ato de meter, sem as lambidas, bolinadas e chupadas (e principalmente sem o clima de festa irreverente, bêbada e hilária entre o casal), não tem simplesmente graça nenhuma! É preciso, antes de adentrar com o falo em brasa o porta-jóias de coral de uma mulher, antes de fazer-lhe os louvores cálidos e suaves de uma língua úmida e lábios sacanas, tremer de tesão ante um rostinho lindo, terno e malicioso, e desmaiar de prazer ante o liso de umas coxas roliças, sedosas e inquietas (que são uma festa para as mãos incertas)!

Mas basta assistir um filme pornô brasileiro padrão (destes que copia, com a mais requintada incompetência, o pior do padrão americano – cujas fantasias, em razão do puritanismo disseminado em sua sociedade, são as do mais bronco piá pré-adolescente barranqueador de égua) ou ouvir as narrativas das aventuras de uma gata pequeno-burguesa (nem precisa ser de um destes deslumbrados “boys” metidos a bom) para se dar com a falta de sal, de prazer genuíno e safado, e o mecanicismo (quando não o sado-masoquismo implícito e medíocre) do imaginário sexual do século!

Quanto à putaria mais estrondosa da internet e o discurso sexual da novela das oito da Rede Globo, nem se fale! Nosso tataravós (os pais dos trisavós) eram bem mais lúbricos e criativos! Qualquer dia um guri novato na sacanagem vai achar que trepar é subir num pinheiro e esfolar a piça no seu tronco!

 

Ubirajara Passos

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