BAR NAVAL


Por mais que tente me animar, hoje é uma daquelas noites em que a chatice emburrecedora nos toma completamente e só nos resta reproduzir as besteiras de sempre.

Assim, procurando entre os poemas que não fazem parte do impublicado livro “Paixões, Asneiras e Tristezas”, o único que encontrei em condições de publicar neste blog foi o “Bar Naval”. Que foi escrito no próprio estabelecimento, em uma tarde de porre enlouquecida com minha companheira de trabalho, pândega e luta sindical , Gilmara, em homenagem ao pequeno bar do Mercado Público de Porto Alegre, onde já tomei vários pifões e muito viajei em elocubrações filosóficas, políticas e etílicas, principalmente com o companheiro Jorge Dantas (que, aliás, foi quem me mostrou o lado boêmio do Mercado Público). Além, é claro, das longas conversas com a companheira Carin, quando voltávamos, nos sábados de manhã, de um curso de inglês que paguei inteiro, mas acabei freqüentando somente umas quatro aulas (a Carin foi a umas duas…)

O texto foi escrito, a moda dos velhos sambistas e poetas populares (Lupicínio Rodrigues, por exemplo, tinha sua mesa e cadeira fixas no Bar Naval), em um guardanapo de papel e afixado no mural que toma toda a parede oposta ao balcão, repleto de poemas do mais antigo garçom, o “Paulo Naval”, bem como dos textos e poemas dos mais diversos freqüentadores que nele se alimentaram ou tomaram sua birita nos últimos anos (há fotos e recortes de jornal de figuras que vão de Leonel Brizola a Olívio Dutra, até hoje um assíduo freguês, e ao companheiro Moah – o jornalista mais genial e pirado que já conheci).

Mas, infelizmente, o meu pequeno panegírico ao centenário bar não esquentou banco e foi retirado da parede. De qualquer forma, resgatado da minha própria gaveta, aí vai publicado o meu louvor ao mais antigo e típico buteco da capital gaúcha. E, antes que me esqueça, fica aqui o registro: a primeira vez que botei o pé (e levei o copo à boca) no Bar Naval foi com o companheiro Carlos Augusto (o Carlão da crônica “O Vinho do Carlão”, publicada neste blog). Se não o menciono, o colega de judiciário e ex-marinheiro é capaz de ter um ataque lá em Garibaldi (comarca onde atualmente trabalha, e reside – casualmente em frente a uma cooperativa vinícola).

Bar Naval
(ou da “Navalha”?)

Quando a noite da vida nos invade,
Quando o escritório, a fábrica enlouquece-nos,
Quando a chatice patronal nos submete
É no “Naval” que a vida se refaz!

Quanto “exu”ou fantasma de outras eras
Se manifesta na hora do buteco!
Aqui se bebe, aqui se goza,
Aqui se vai
Ao paraíso pândego dos livres!

Porto Alegre, 7 de outubro de 2005

Ubirajara Passos

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2 comentários em “BAR NAVAL

  1. Boa noite. Sou estudante de Jornalismo e estou produzindo uma reportagem sobre o Bar Naval para a próxima edição da revista da universidade. O Naval reabriu as suas portas recentemente com um novo visual e uma nova proposta gastronômica. Gostaria de saber a sua opinião a respeito e fazer algumas perguntas.

    – Qual o seu nome completo?
    – Idade?
    – Profissão?
    – Reside em qual cidade e bairro?
    – Já era frequentador do Bar Naval?
    – Se já era frequentador, o que gostava do bar antigo?
    – O que achou da reforma?
    – Você recomendaria o bar para um amigo?
    – O bar mudou para melhor?

    Preciso fechar a matéria até quarta-feira (11/04) por isso agradeço se puderes me responder até essa data

    At
    Marcelo de Jesus
    (51) 9955-8090

    Curtir

    • Puxa vida, Marcelo! Ando meio desligado deste blog devido ao excesso de serviço e às demandas sindicais do início do ano. E só fui ver teu comentário hoje. Lamento muito não ter podido te responder a tempo. De qualquer forma, quando estive no 5º Encontro Latino-Americano Memória, Verdade e Justiça, no último dia 31 de março, durante o intervalo da tarde caí na besteira de ir com alguns companheiros meus ao Bar Naval e, eu que não sabia da reforma porque estava de lá afastado há alguns meses também, dei com a triste e irreconhecível carcaça (modernosa, asséptica e sem graça do que já foi o mais antigo e pitoresco buteco da cidade. Tomei uma atitude drástica e, de imediato, decidi que escreveria crônica sobre o assunto no Bira e as Safadezas…, o que ainda não fiz, mas logo ocorrerá. Um abraço e, se precisar de qualquer, estou à disposição também no e-mail upassos@tj.rs.gov.br.

      Bira

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