“Bira and the Safadezas…”


Eu estava, agora à tarde, verificando as estatísticas do blog, quando dei, entre os links consultados que levaram o leitor até ele, com uma tradução do Google para o inglês dos textos “O Traveco Violentooo” (que é traduzido simplesmente por TRAVECO VIOLENTOOO!), “Encontratam o Dedo do Inácio!” (THEY HAD FOUND THE FINGER OF INÁCIO), “A Gata Menor de Trinta” (The Good-looking Thirty Minor) e “O Diabo do Valdir” (The Devil of the Valdir), e me diverti às pampas com as deficiências do tradutor automático do site.

Expressões como “the figures more lerdas and bocabertas“, one bustiê whose seios blew up”, “caralho of pajé“, “IN THE CU OF THE BRAZILIAN PEOPLE!”, “who ordered to puta that fru-frus of “left” caricata“, “as cervejinhas in boteco of all night”, “was seen personally esculhambado“, “simpatizo with the witchcraft” e “old gagá and brocha eater of criancinhas!”, são simplesmente hilárias. Com excessão de “caralho” que, realmente, não está dicionarizado, mas cuja frase soa tão estranha quanto “it turned a ”porra-insane person” (no lugar de porra-louca) e “it is confirmed, the “German” is gay!” (está confirmado: o Alemão é gay!).

Mas a mais cretina de todas é a tradução de “reinas” por “born in the kingdom” (nascidos no reino, ou, em português castiço, reinol – natural do reino) e “Crônicas reinentas” por “Reinentas chronicles”. Além do meu nome, que figura como “Ubirajara Steps” .

Para governo dos ilustres yankees, britânicos, e quaisquer outros indivíduos de fala inglesa que andaram visitando este humilde blog (além, é claro, dos brasileiros não sulistas desavisados), “reina” não é o equivalente de renóis, nem do espanhol reinas (rainhas, derivado do latim: regina). Mas o substantivo (não dicionarizado) que designa o ato de reinar, que no Rio Grande do Sul (conforme o próprio dicionário Aurélio reconhece) significa “estar no cio” ou “alvoroçado” (inquieto de ânimo, sobressaltado, adoidado, amalucado – conforme o referido dicionário).

Aqui, nos pagos do extremo sul do Brasil se costuma dizer (assim como nos Açores , de onde veio boa parte da população gaúcha), portanto, que o sujeito que anda encolerizado, a moda de “doido furioso”, está reinando (assim como ficam as cadelas, vacas ou éguas no cio, que rechaçam a mordidas, guampeadas e coices furibundos os machos que não são do seu agrado, e que andam correndo campo, na maior agitação, seguidas por seus candidatos a fodedor).

Conseqüentemente o ato de “reinar” é a reina (de que deriva o adjetivo, não constante do glossário oficial do português, “reinento”, o cara que está reinando). Assim, os textos elencados por mim como reinas são desabafos, queixumes e ataques verbais de quem está desconforme consigo mesmo (um neurótico) ou furioso com a vida e cirunstâncias, próprias ou alheias, e o estado do mundo em geral.

Curioso, porém, é que, discutindo o assunto com meu amigo Valdir Bergmann (o “the German is gay” da tradução inglesa – ver a narrativa O Diabo do Valdir), este chegou à conclusão de que há uma ligação etmológica, perdida nos confins da Idade Média, entre a “reina” gaúcha e açoriana e os atos do “rei”. Afinal este, quando exercia toda sua fúria ensandecida sobre o povo (mandando chicotear ou executar em público os que fossem do seu desagrado – ou mesmo, incendiando uma cidade inteira como Roma , no caso do retardado enlouquecido conhecido como Nero), estava fazendo, nada mais, nada menos, o que era próprio da sua condição de rei, ou seja, reinando!

Ubirajara Passos

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