ANTROPOLOGIA “METAFÍSICA”


Parece piada, mas mesmo tomando anti-depressivo desde segunda-feira (o que, obviamente, teve como conseqüência das mais funestas a impossibilidade de beber uma única gota de álcool sequer) continuo curtindo a fossa mais chata possível, sem nenhum ânimo ou inspiração para escrever.

Desculpem-me, pois, os leitores, mas, para não deixá-los na solidão literária completa, trago a companhia do poema besta abaixo. Gracias, y hasta mejores dias!

Antropologia Metafísica

Somos todos manifestações
De um drama cósmico avassalador,
Em nossos corpos torcidos e gastos,
Ou em nossas almas acoadas e bestas,
Na vaidade frouxa do poder,
Na amedrontada servidão,
Na rebeldia,
Na indiferença que mal contém a dor,
Nas ruínas metafísicas ou taquicardias

Há os eternos padrões de pensamento,
Os sistemas e emoções
Filhos da condição humana,
Ao mesmo tempo criações
Das nossas atitudes quotidianas,
Das reflexões
Que a consciência inerente nos permite,
E – personagens tornados autônomos –
Pais abstratos das nossas biografias,
Grandes arquétipos a bater-se,
Através de nós, em nossa mente e carne.

Vila Palmeira, 1° e 2 de março de 2003

Ubirajara Passos

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