UMA ROSA POR TUA VIDA


O Dia Internacional da Mulher surgiu como data-marco da luta das mulheres trabalhadoras socialistas e revolucionárias, tendo como referência mítica o assassinato de mulheres grevistas, queimadas vivas, nos Estados Unidos, no século XIX. E como tal foi cultuado, a partir dos primeiros anos do século XX, pela peonada revolucionária organizada internacionalmente.

Mas o grande polvo do capitalismo pós-segunda guerra mundial – que a tudo abraça, absorve, contamina e regurgita corrompido e apartado de sua essência – transformou a data em mais um comemorativo comercial e numa espécie de “carnaval ideológico”. Assim como na festa de Momo, em tese, se abrem, por alguns dias, todas as barreiras da repressão sexual e da opressão moralista ao comportamento para que no resto do ano, na vida quotidiana, estas possam se exercer como pretensa necessidade da “decência”, da “austeridade inerente aos reclamos da sobrevivência coletiva”, à mulher se concede um dia especial, que, segundo a cínica mídia burguesa, é só dela.

Dia de homenagem e reconhecimento, em que os patrões mais exploradores e perseguidores, os maridos mais insensíveis e autoritários, os políticos mais canastrões (destes que falam de “dupla jornada de trabalho”, mas tremem à menor possibilidade de perder a escrava doméstica, seja ela “exemplar esposa”, ou “empregada doméstica”, escrava do lar alheio e do próprio) se “redimem” de toda sua sacanagem, presenteando as mulheres com uma rosa vermelha e um cartão cheio de meigos agradecimentos estereotipados pelo imaginário da imprensa.

Durante todo ano se esfola, explora, estupra, se escraviza e se oprime de todas formas as que tiveram o azar de nascer com as características físicas capazes de abrigar a continuidade da vida e com os atributos do que há de mais belo e prazeroso no universo, sem dó nem piedade, mas (na mais velada das opressões), no que era originalmente uma data destinada à celebração da luta e da rebeldia dos primeiros seres humanos a serem escravizados pelos outros em prol da preguiça e do prazer de seus “donos” (a escravidão doméstica surgiu antes de qualquer forma de domínio e exploração sócio-econômica), se faz um mea-culpa dissimulado, se manifestam as mais xaroposas e melosas homenagens, para que tudo continue como está.

 

 

Ubirajara Passos

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Um comentário em “UMA ROSA POR TUA VIDA

  1. * Em 11.03.07, às 19:00:29,
    * gerson disse :

    è um prazer ler sua crônica, montra a caretisse imposta pela sociedade, destapa o véu da desigualdade sócio-econômica, assim bem como da falta de consciência com o bem estar do próximo, embora de uma maneira simplista faz a denúncia, não entras no mérito do por-quê estas fêmeas se submetem a seres de segunda classe mesmo no mundio de hoje, isto não acontece somente no universo feminino, mas nos ídosos, dos jovens, que andam como zumbis, cativos e descompromissados com tudo que os rodeiam. As mulheres com suas fantasias vaidosas, ajudam a seduzir no dia a dia nossa consciência social, e hoje muitas delas já agem como predadoras, fazendo-se de frágis. mas isto já é outro papo. A elas todo o meu amor e carinho, não só nesta data, mas no dia a dia.

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