AMARGURA, TÉDIO, TEMPO


Desculpem-me se me demoro a narrar as peripécias da viagem à Misiones e Encarnación e se insisto em publicar os poemas mais depressivos e cretinos que já escrevi, mas não só o ritmo de encontros sexuais, políticos e bebedeira e ressacas dos últimos dias justificam a minha falta de inspiração e a ausência de novos textos neste blog. A verdade é que, ainda que disfarçada e esquecida nos momentos de atuação político-sindical, curto o auge de uma depressão, piorada pela rejeição explícita da gata preferida no último encontro.

Mas, para não abandonar de vez o blog, publico mais um poema tão cinza quanto o meu humor nestes dias.

AMARGURA. TÉDIO, TEMPO

Dia a dia, instante após instante,
Decorre o tempo, monótono, a vagar.
Sem qualquer senso ou interesse, estressante,
Segue a rotina seu lento caminhar.
E uma angústia terrível, cruciante,
Rói-nos a alma a cada palpitar
Ritmado, lento e abafante,
Das vibrações da inércia universal.
Um terrível, profundo, imenso tédio
Tudo imerge e envolve em seus mantos
E abafa a vida até mesmo em seus dramas,
Descolorindo tudo e matando
Qualquer ânimo que se possa agitar.
Assim, prossegue-se na morte em vida existente,
Muito pior do que a destruição total.

Gravataí, 19 de setembro de 1992

Ubirajara Passos

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