DISTÂNCIA


O poema de hoje foi parido na esdrúxula e concreta situação de habitar sob o mesmo teto com a mulher que amava, sem lhe ter o menor acesso, numa das épocas mais trágicas e apaixonadas da minha vida.

DISTÂNCIA

Há uma parede entre nós a separar
Os sonhos e a ternura de cada um.

Há uma parede, simples folha de madeira,
A divergir, em oposição, nossos suspiros.

Os meus arroubos crescem na vertigem
E alçam vôo na busca do teu peito,
Mas vêm detê-los, mais que esta parede
(Divisória, a dividir nossos destinos)
A invisível barreira: o desconcerto

Que faz muito distante as nossas almas,
Ainda que os corpos
Tão próximos estejam, e tão estranhos.

Gravataí, 16 de janeiro de 2001

Ubirajara Passos

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