ENCANTO


Este poema, em perfeita contradição com seu título, não é exatamente a menina dos meus olhos e até me parecia, faz anos, meloso e rebuscado em excesso para o meu estilo atual. Mas, procurando, agora, o que publicar, acabei encontrando-lhe certa graça. Perdoem-me os leitores mais exigentes, mas hoje ele é o prato do dia.

ENCANTO

Eras, então , de um doce despertar
A esperança vã, trêmula, nervosa.
Em cada gesto teu se entrevia
Dissimulados desejos, sensuais
Mensagens que inflamavam-me
O corpo e o espírito.

Louco, inebriado, perplexo eu voava
Em sonhos ternos e picantes,
Construindo de cada ato teu –
Impregnado de malícia –
Um paraíso imaginário de prazeres.

“Linda” não eras,
Nem os manifestos
Erótico-amorosos
Teus eram explícitos.
Nada concreto havia em tuas ações
Ou em teu corpo que correspondesse
A uma beleza extremamente fascinante,
Palpável a olhos comuns.

Porém, tu toda respiravas
Um ar sensual, embriagador, inexplicável,
A arrebatar-me os sentimentos mais recônditos,
Arremessando-me, em transes idolátricos,
Ao mais profundo, inexplorado d’alma.

Como o recanto qualquer de um arvoredo
Transmuta-se, visto, acaso, ao luar
E parece revelar-nos a magia,
A beleza, o êxtase
De alma que jamais
Igual houve na vida –
Irrepetível, fugaz, no instante
Aprisionado,
No relance de um olhar –
Assim tu eras, envolta num hálito
De transcendente e estranho encanto,
Maior que tudo, vívido por si.

Gravataí, 15 de dezembro de 1993

Ubirajara Passos

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