LULA LANÇA A TEMPORADA DE CAÇA AO POVÃO


O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciando ontem por Inácio dos Nove Dedos, além da óbvia demagogia pré-eleitoral (a um ano das eleições municipais) que propõe tímidos e rotineiros investimentos em obras de infra-estrutura, como a duplicação e recuperação de rodovias, só se notabiliza mesmo pelas fontes de custeio que deverão viabilizá-lo.

E que não são as que óbvia e racionalmente deveriam ser utilizadas numa sociedade onde a maior parte da riqueza (ou seja, o produto do trabalho da maioria de seus membros) se concentra na mão de uns poucos empresários nacionais e dos grandes grupos econômicos e financeiros internacionais, para cujas sedes na América, Europa e Japão é drenado o resultado do inglório suor dos brasileiros.

Para não tocar nas grandes fortunas, nas remessas de lucros para o exterior, e no superavit primário que se destina a pagar os juros de uma dívida externa feita em nome do povo brasileiro (mas que passou a anos-luz de distância dele) e nos mensalões necessários aos planos de seu governo, o ilustre capacho Lula pretende, avançar, ainda mais, no já furado bolso de aposentados e trabalhadores. Além do desvio dos depósitos do FGTS (destinados à indenização do tempo de serviço da peonada demitida arbitrariamente pela sanha de lucro patronal, na ciranda da rotatividade de mão-obra) para um fundo que pagará a demagogia do governo federal, os recursos deverão vir do arrocho do salário de servidores públicos e aposentados pelo INSS, assim como do salário mínimo de fome canina, que não deverão ultrapassar, nos próximos anos o equivalente à inflação anual e ao aumento do Produto Interno Bruto (PIB) anual registrado a dois anos do reajuste.

Isto significa, na prática, o congelamento de salários que de há muito não permitem à maioria da população uma vida capaz sequer de manter seus corpos no nível de saúde mínimo projetado geneticamente pela natureza, que dirá de ter alguma vida intelectual e emocional digna de gente. E é um incentivo cada vez maior à prostituição e à criminalidade.

Mas o pior ainda está por vir. Quem estiver assistindo ao “Jornal da Globo” que está indo ao ar enquanto escrevo, acaba de ver uma extensa reportagem que vai da discussão da infra-estrutura econômica material do país à conclusão fantástica de que a culpa de sua precariedade é do enorme volume das aposentadorias e pensões, miseráveis, pagas pelo INSS. E de que a solução está na reforma da previdência, sem o que a economia nacional vai à falência. O sutil receituário capitalista, de cunho neo-liberal e imperialista é jogado boca-abaixo do tele-espectador como se fosse a coisa mais natural, evidente, racional e incontestável do universo.

E é preciso ter muita capacidade de crítica e autonomia mental para não cair na esparrela de que uma minguada aposentadoria de salário mínimo, e o aumento proporcional dos brasileiros acima dos 65 anos na população, decorrente do pretenso aumento da expectativa de vida, é o responsável pelos buracos de uma rodovia nordestina qualquer, à margem da qual a família de um pobre agricultor passa fome, e vai ver que é por não poder escoar sua produção agrícola (qual?) pela dita rodovia.

No mundo moralista, anti-povo e pró-“iniciativa privada” (leia-se burguesia imperalista e seus associados no Brasil) da Rede Globo não há concentração de renda nas mãos de uma elite fútil e improdutiva (cuja glória é aparecer na coluna social e na Revista Caras), não há drenagem dos recursos produzidos pelo nosso trabalho para financiar a gandaia de burgueses americanos, europeus e asiáticos (e os armamentos com que Bush leva à morte centenas de iraquianos miseráveis e infelizes soldados norte-americanos); não há dinheiro público “investido” nos bolsos de parlamentares corruptos para aprovar todos os planos do governo entreguista de Lula. Afinal, a culpa da crise de “crescimento econômico” do Brasil é do próprio povo trabalhador! Quem manda fazer tanto filho e, apesar da precariedade de sua vida, viver tanto! O negócio é apertar os cintos e extinguir na prática a aposentadoria (pra que tanto “vagabundo”, como dizia Dom Fernando Henrique, vivendo às custas da previdência, que já não rende lucro aos patrões daqui e do exterior?), de modo que ela fique à cargo do diabo, que deverá concedê-la ao povão depois de morto, quando chegar no inferno!

O cômico é que, se tal mundo de fantasia fosse real e as futuras propostas de reformas que, certamente, virão por aí fossem coerentes e racionais, a primeira aposentadoria a ser não arrochada, mas cortada, deveria ser a de um certo Luís Inácio, que, não trabalhando há mais de vinte anos, recebe uma gorda pensão dos cofres nacionais (cujos impostos provêm dos nosso bolsos) por conta de alguns dias de prisão na ditadura militar, que lhe renderam a mídia inicial para hoje se encontrar na presidência da república.

Ubirajara Passos

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