AUTO-RETRATO LITERÁRIO


O domingo foi mais tedioso e solitário ainda que o sábado. E, o que é pior, completamente improdutivo e seco. Simplesmente, nenhuma idéia nova ou emoção válida dignou-se a me chegar ao cérebro. Um daqueles dias em que não existir não faria a menor diferença. Publico, assim, um poema que bem se afina com a maldita depressão que vem me devastando-me, de forma mais contundente que o comum, desde dezembro.

Auto-retrato Literário

Que estranha mágoa, que infinito tédio,
Quanta amargura farta de si mesma!
Não há poesia no que aqui vai escrito,
Só, um discurso arcaico e xaroposo.

Quando me invade a depressão total
Mais eu mergulho num ranço parnasiano
(Mais escurece, em sombra, a minha alma) ,

A pena

Corre o papel com ares enfastiados,
Impregnando-o do discursivismo
Empolado, padrão, lugar comum.

Pobre é o poeta que, imerso na tristeza,
Perde, em sua obra, os clarões de sol
E o arejar sadio da fria brisa,

Para arrojar-se ao fundo desespero
De um masturbar mental
Vaidoso, inerte e infrutífero.

Gravataí, 13 de agosto de 2000.

Ubirajara Passos

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