A JARARACA YEDA CRUSIUS


A última vez em que os servidores da justiça do Estado do Rio Grande do Sul receberam a reposição integral da inflação decorrida no perído imediatamente anterior foi em março de 1990. De lá para cá, comparados os reajustes parciais recebidos e a variação do IGPM da Fundação Getúlio Vargas, amargam uma perda salarial de 41,90% (números de dezembro) em relação ao aumento dos preços desde então.

Ao mesmo tempo, enquanto a demanda de serviço (os processos ingressados) nos últimos dez anos quase quadriplicou, o quadro de funcionários aumento somente 12%. O que se traduz numa defasagem enorme de servidores frente à avalanche de processos nos quais a população busca o cumprimento dos direitos que a lei lhe garante, sem qualquer possibilidade de enfrentamento eficaz. Os prejuízos à saúde dos funcionários (se contam às pencas os casos de LER/DORT e depressões diagnosticadas, em cada comarca) e a frustração e pressão crescente dos que recorrem ao Judiciário não tem tamanho!

Entretanto, a nova governadora, no seu cinismo proverbial, veta um reajuste salarial de 6.09% aos servidores, que contempla apenas a metade da inflação ocorrida ainda em 2004 (que deveria estar sendo pago há mais de dois anos) e que foi concedido, ainda por cima, de forma parcelada, com vigência de 3% a contar de 1º de janeiro de 2006 e o restante a partir de 1º de julho de 2006.

E isto sob o argumento da crise financeira do Estado, do pretenso privilégio dos servidores do judiciário em relação aos do Executivo e da necessidade de austeridade. Como o orçamento do Judiciário ocupa no máximo 6% do total do Estado e a folha dos servidores cerca de 30% do orçamento do Judiciário, a repercussão financeira do reajuste no total do orçamento do Rio Grande é pífia: 0,11%!

O que nem Yeda ou a mídia burguesa mencionam é que a verba orçamentária para pagamento da minguada reposição já se encontrava projetada quando da votação da orçamento para 2006, tendo sido repassada no bolo dos recursos destinados ao Judiciário e, em razão da tramitação legislativa obstruída, foi utilizada para custeio de outras despesas que não o reajuste. Não há, portanto, qualquer repercussão extra real do reajuste nas finanças do Estado, uma vez a receita correspondente já integra os recursos repassados ao Tribunal de Justiça.

No entanto Yeda, que jamais propôs cortar os lautos subsídios fiscais a grandes multinacionais como a GM (que está isenta de pagar ICMS por quinze anos desde sua instalação em Gravataí) e a grandes empresas nacionais como a Gerdau, cinicamente argumenta que a magra e insuficiente reposição inflacionária da peonada da justiça vai falir o Estado. Se não fosse trágico seria cômico. E prova que não temos a primeira “mulher” a governar o Estado, mas a primeira “jararaca”.

Ubirajara Passos

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2 comentários em “A JARARACA YEDA CRUSIUS

  1. * Em 11.01.07, às 21:54:35,
    * gerson disse :

    Em tempos difíceis, nada mais natural que apertar o cinto da guaiaca da peonada, em quanto que os caciques já garantiram o seu. Infelismente o judiciário assim bem como tantas outras instituições, já perderam sua pecha de poder isento dos vícios da opulência que sustenta a bamdalheira dessa peseuda burguesia, onde servem se não de capacho mas de trampolim ao poder que os sustenta. como diria meu velho pai Justiça e Direito andam em vias opostas neste continente.

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  2. * Em 11.01.07, às 18:20:10,
    * Luiz Bento disse :

    A Yeda tentou antes de entrar já aumentar os impostos. Agora vetou o aumento dos servidores. Bem feito para a gauchada que votou nesta mulher e inclusive os servidores da justiça. Quiseram votar nesta mulher e no Geraldo, tomaram na pleura, o Geraldo dançou e a Yeda colocou direitinho.Não adianta se queixar tiveram a chance e não quiseram agora aguentam o trampo gauchada.

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