BRIZOLA “ainda” VIVE


“O EPITÁFIO DA ESPERANÇA”

(06.05.2004) – “Escrevo horas antes da votação, pela Câmara dos Deputados, do vergonhoso salário mínimo de R$ 260 proposto por Lula. Será surpresa se ocorrer o improvável e a maioria dos parlamentares não se curvar às pressões do Planalto, que ameaça retaliar e punir aqueles que, ao contrário do Presidente, honrem seus compromissos com os eleitores.

Seja como for, esta decisão sobre o salário mínimo é uma espécie de epitáfio sobre as esperanças que o nosso povo trabalhador depositou em Lula. As desculpas esfarrapadas que o governo e ele próprio apresentam, mais que soar falso, quando produzem superávits recordes para pagar juros, tem um conteúdo de crueldade e cinismo que nada fica a dever à infame época da ditadura, quando afirmavam que era preciso fazer o bolo crescer para, só depois, reparti-lo com o povo. Aliás, é ainda pior. Lula, ao contrário de Delfim Netto, sabe na própria carne o que é receber um salário de fome.

O salário mínimo que Getúlio Vargas criou como garantia de que o trabalhador tivesse ao menos o essencial para sobreviver equivalia a mais de R$ 800 em moeda atual. A ditadura, em 20 anos, reduziu-o à metade. Ainda assim, em valor real, passava de R$ 400. Agora um presidente operário fixa um salário de R$ 260 leva o país ao maior desemprego da história. O povo brasileiro não merecia tamanha frustração. Que os que traíram o voto e as esperanças da Nação não se iludam: logo mais cedo do que pensam, a população vai demonstrar o quanto despreza os que agem assim.

Leonel Brizola”

O trecho acima é reprodução fiel do último “tijolão” publicado por Leonel Brizola, pouco mais de um mês antes de morrer. De lá para cá, o governo do Inácio em nada alterou seus rumos. Antes aprofundou a miséria e a fome da maioria trabalhadora, enquanto permitia aos agiotas com alvará de funcionamento (os banqueiros) se cevarem na maior taxa de juros do planeta, justamente no país da maior injustiça social e pior distribuição de renda (só comparável ao Haiti, onde Lula mantém tropas brasileiras para reprimir, à bala, um povo mais miserável e faminto que o brasileiro, em nome da sua amizade com Bush e a CIA, que o treinou para seu papel atual nos anos 1970).

Mas, não contente com a desgraça diária da grande maioria do nosso povo, o Lulinha (cuja grande obra foi mandar à breca o direito à aposentadoria do esfolado funcionalismo público e criar o “bolsa-migalha” para garantir, a moda dos coronéis e prefeitinhos demagogos de PPs e PMDBs, sua reeleição) já deixou implícita, no seu segundo discurso de posse, a intenção de “remover as travas que impedem o desenvolvimento do Brasil”.

O que signfica, salvo para os seus capachos políticos que se fazem de cegos, a revogação dos últimos direitos que diferenciam o trabalhador brasileiro de um escravo: 13.º salário e férias (que o “Super Simples” já derrogou, na prática, para os empregados de micro e pequenos-empresários)!

Tal é o conteúdo da Reforma Trabalhista que, se não for feita de forma explícita, o será pela via legislativa indireta, como foi a extinção da estabilidade aos 10 anos de trabalho, com a instituição do FGTS, na ditadura militar fascista.

E se (com a garantia de sua “base aliada” de PTBs e demais partidos corruptos da direita tradicional, e a saudação, com champanhe importado, dos pretensamente oposicionistas PSDB e PFL) a proposta for bem sucedida, não tenham dúvida: logo virá a extinção da própria jornada de trabalho limitada a oito horas, do pagamento de horas extras e do “repouso semanal remunerado”.

No entanto, a maioria da Executiva do PDT pretende, no próximo dia 12, ratificar, em reunião do Diretório Nacional, o apoio ao governo mais anti-povo, anti-trabalhador e pró-imperialismo desde a queda da ditadura. E isto sem sequer consultar seus filiados e desconhecendo o sentimento de repúdio da maioria dos militantes do partido (no site do PDT do Distrito Federal, por exemplo, há uma enquete on-line onde mais de 53% dos participantes classifica o governo Lula como “péssimo”).

Caso a infeliz e fisiológica manobra se perpetue, a cúpula de acomodados (que preferem fazer o papel de “eternos revolucionários”, sem jamais se aproximar da concretização da revolução e sempre adiando para o horizonte do futuro imprevisível a implantação do socialismo) estará jogando à lata do lixo fascista do petismo a luta pela libertação do Brasil e seu povo (o nacionalismo e o socialismo enraizado na experiência concreta dos trabalhadores) por que se bateram milhares de companheiros nos últimos sessenta anos. Luta que custou a Getulio uma bala no peito, e a própria vida. A Jango morrer no exílio, sem poder pisar pela última vez o solo natal. E a centenas de militantes e líderes trabalhistas e brizolistas a tortura e/ou a morte nos porões da ditadura militar, que criou o Brasil da fome e dos PCCs que hoje conhecemos.

Neste momento, cabe aos últimos brizolistas autênticos erguer a sua voz, de todos os modos possíveis, em protesto contra o “enterro vivo” do PDT, a fim de impedir o absurdo que se pretende perpetrar dia 12 de janeiro, como se fosse uma mera e rotineira discussão sobre o apoio a um simples governo direitoso, sem maiores conseqüências capazes de piorar, em muito, a vida de 90% da população brasileira (que são os que suam para gerar a gandaia dos 10%).

E, se o apoio se fizer inevitável, só restará aos companheiros que ainda acreditam na causa de Getúlio, Jango, Brizola, Darcy Ribeiro e Francisco Julião (o deputado líder das “ligas camponesas” nos anos 1950 e 1960), ir para as ruas e favelas, fábricas escritórios, mercados e lavouras, onde o povo se encontra (e os burocratas partidários e parlamentares demagogos só sabem pisar em troca de seu voto), ajudar os trabalhadores a resistir contra as reformas sindical, trabalhista e previdenciária, que o governo capacho do imperialismo americano e multinacional pretende arremessar, como uma tempestade, sobre nossos sofridos corpos. Se a cúpula partidária trair definitivamente os compromissos do trabalhismo com o povo brasileiro, restará a nós, militantes coerentes e incoercíveis, pela rebeldia aos conchavos de salões, MANTER VIVA A LUTA DE BRIZOLA!

Ubirajara Passos

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