Soneto à Puta que pariu


Há quase sete anos atrás, em meio à década dos trinta anos, eu andava em crise com a putaria (na qual me inagurei em 1996), vivia um amor frustrado e sofrido, e já me achava um rematado “ogro” frente ao mundo das “badalações” e exigências das gostosinhas que desejava.

Foi então que escrevi este soneto heterodoxo, que de soneto possui somente o total de versos e a estrutura sintética, pois desobedece completamente a qualquer esquema de rima ou métrica e, embora previsto nas regras literárias clássicas, possui uma estrofe extra, além dos quatorze versos, que conclui o assunto.

O detalhe é que, como quase toda minha poesia, ele não foi pensado ou planejado, mas escrito de um jato e só me dei conta que se tratava de um soneto quando ia escrevendo os últimos versos.

Mas, seja lá do jeito que for, se ele era válido aos trinta quatro anos, hoje, aos quarenta e um, é bem mais atual. Vamos ao poema:

SONETO À PUTA QUE PARIU

Puta que pariu, que vida tola
Levo eu, aos trinta, ouvindo as gatinhas,
Quando lhes canto, a me dizer “que é meu tio?”

A vida é boa pra quem tem dinheiro
E, coisa rara, algo na cabeça,
Mas, pra peão de luxo como eu, com mil
Reais de salário é a puta que pariu!

Me fui às putas, das caras e baratas,
Já que não tenho o porte de um atleta,
Nem uso o boné de aba virada.

Depois de tomar todas me vi doido,
Ninguém comi e o bolso foi furado.
Por isso grito, nesta velha métrica,
E na linguagem “moderna” dos pirados:

Que se vá tudo à puta que pariu
Com este soneto que é maior por ter um rabo!

Gravataí, 9 de julho de 2000

Ubirajara Passos

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