Meta, física!


Como anda faltando putaria neste blog, resolvi publicar, do saldo de estoque que ainda me resta de textos antigos (até que a falta de inspiração decida abandonar-me), o filosófico poema que segue, que – embora possa parecer meio cafajeste – não deixa de ser reichiano e anarquista. Às possíveis leitoras sensíveis, fica o alerta: sou feminista e não vejo a mulher (a coisa mais linda que a natureza pariu) como uma égua a ser barranqueada. Como o prazer é, para mim, a suprema justificativa da vida, a comunhão sexual é o seu ápice anímico. Gracias, señoras y señores.

Meta, física!

Olho nos olhos
De quem me está olhando
E eles nada dizem-me.

Não há no fundo de suas retinas
O vibrar de fogo esperado,
Mas apenas a fria e imóvel imagem
De um baço espelho sem qualquer sentido.

Mais que ele, todos os corpos,
Num ínfimo de pele exposta
Me comunicam, no seu movimento,
A vida interior que os habita.

Um umbigo que descreve elipses
Mal-traçadas, mas intensas, a meus olhos
Diz muito mais que essas lentes falsas,
Que não funcionam como o “espelho d’alma”,
Mas, uma barreira a qualquer contato!

Não é no orifício que recebe a imagem
Do circundante ou longínquo universo
Que encontraremos o caminho de quem vê-nos.

Da forma socialmente mais “cretina”
É no buraco cego e bem maior
(Ou, quem sabe, em seu irmão equivalente)
Que nós, machos, podemos em concreto
Penetrar e comungar da alma da fêmea!

Porto Alegre, 7 de julho de 2003

Ubirajara Passos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s