AOS QUE LUTAM


O poema seguinte se ressente de um certo rebuscamento artificioso, em que eu me enredava na época em que o escrevi, mas seu espírito corresponde a uma profissão de fé na revolução e no viver intensamente a vida. Assim, nem que seja para homenagear Sadam Hussein, cujo pescoço tornou-se ontem, simbolicamente, o próprio pescoço da humanidade oprimida (no ato do enforcamento os yankees esperam estar dando um recado a todos os que se opõem ao seu domínimo nefasto: “fiquem quietos, senão verão o que acontecerá com vocês”), publico este meu texto mal concatenado.

AOS QUE LUTAM
(Idealistas ou Desiludidos):

Não temas a morte absoluta,
Esta cruel, atroz fatalidade.
Não será vã de modo algum a luta
Em que teces de ti a eternidade.

Pois, ainda que trague-te a alma, o corpo,
A própria liberdade,
A vaga tétrica, imensa, infinda, inexorável
Da inexistência, o absurdo, grandioso, imenso nada;
Ainda que cada ínfimo pedaço
De tua vida, em busca da utopia,
Converta-se na morte indesejada,
Que cada esforço teu, de cada ser, da imensidade,
Em busca da quimera, do ideal
Da felicidade
Se torne a causa
Da própria extinção irreversível;
Ainda que cada efêmero momento
De gozo, de idílica alegria,
Cada imergir de alma em enternecimento,
Cada explosão de êxtase –
Instante de magia –
Sejam manchados pela irrevogável,
Trágica, destruidora sombra fria
De Tânatos, presente e inseparável
Na caminhada de Eros, mesmo, vigorosa,

Viverás eternamente em cada impulso
Que tua vontade arremessar ao universo,
Em cada ato incompreendido e revolucionário;
Viverás eternamente em cada vibração
Que tua alma, tua voz, teu corpo
Gerar no espaço imenso, a percorrer o infinito;
Viverás em cada conseqüência
Mínima, ínfima dos teus movimentos,
De cada pensamento,
Na unidade do espaço imenso.
Viverás nos gestos de humanidade,
Na memória ao menos,
Dos teus parceiros imediatos de jornada.
E, ainda que não seja grandiloqüente,
Vibrante, heróica, mítica tua vida,
Viverás, em teu íntimo sofrimento,
Ao menos, na memória generalizada,
Da posteridade no reconhecimento
Às legiões frustradas, massacradas
Sob o peso cruel da opressão, que, mal sustendo-se,
Criaram a riqueza, o progresso, a evolução da Humanidade.

Gravataí, 12 de dezembro de 1992

Ubirajara Passos

post enviado direto de Santa Rosa – RS, onde passo o feriadão de ano-novo.

Feliz 2007 a todos inconformados e irreverentes, que ainda não caíram na mesmice e na idiotice nossa de cada dia.

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