MORTE EM VIDA


Poema “auto-explicativo”, em plena sintonia com o meu estado de alma destes dias:

MORTE EM VIDA

Estou morto.
A vida foi-se sem me dar aviso.
Continuo a vagar pelas ruas,
Cheio da empáfia de quem se julga vivo,
E, no entanto, a alma transmigrou-me
Para o inferno há séculos de idade.

Um frio enregelante e torpe há corroído
Cada último resto de emoção e seco vivo,
Como a figueira bíblica, sem rumo.

Respiro, ando, río-me, cretino,
Mas, no profundo, nada me comove.
Sigo a inércia da sobrevivência
(Sem dor, prazer – só com a angústia
De carregar a vontade de viver,
De amar, odiar, triunfar, perder-se)
Em meio à multidão de mortos-vivos
Que perambulam, mergulhados na própria vidinha,
Sem sonhar alto, nem olhar pro lado.

Gravataí, 7 de junho de 1997

Ubirajara Passos

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Um comentário em “MORTE EM VIDA

  1. Nimio disse:

    Muitas vezes me sinto assim….

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