AUTO-RETRATO


Poema “auto-explicativo”:

Auto-retrato

Eu trago em meu rosto
“As marcas do tempo,
Os sulcos profundos que a vida cavou”.

Trago em meus cabelos
O gris da velhice,
Precoce parceira do meu sofrimento.

Trago no meu corpo
O cansaço da luta,
Não tanto com o mundo,
Mas com meus recalques.

Trago em minhas mãos
Os tremores sutis
Que o embate com as forças
Do autoritarismo mais trivial deixou.

Trago no meu ser
“A escrita indecifrável”
De uma alma insegura, impulsiva, raivosa,
Frustrada e cansada, que, apesar de si,
Sem tombar, a guerra
Com a banalidade disciplinadora
Travou e empatou..

E, apesar das cinzas
Que o fogo neurótico
Dentro em mim deixou,

Trago ainda em meus olhos
O brilho espantado
De um guri surpreso ante o universo.

Trago ainda, lá dentro,
No fundo de mim,
A revolta incontida,
O entusiasmo da luta
E a irreverência ante a imensa besteira
Com que nos reduzem a burros de carga
Os dominadores no seu gáudio sádico

Gravataí, 18 de junho de 2000.

Ubirajara Passos

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