AMOR, SOMENTE AMOR


Mil perdões aos leitores, mas ainda não me recuperei da ressaca política e alcoólica do 6º Encontro Nacional dos Trabalhadores da Justiça. Assim, para distração dos “amantes” deste blog, publico a seguir um despretensioso poema de amor, inspirado – entre tantos – pela minha gata preferida, escrito no verão passado:

Amor, somente amor.

Vieste do nada, bela e simples
E, com passos leves de um gato,
Do teu sorriso saturaste a minha vida.

Eras tão natural e era tão fácil
Ter-te acesso, brincar-te todinha,
Era tão óbvio e sem metafísicas
Teu corpo nu, claro como a areia,

Eram tão sutis e tão maleáveis
Teus casuais movimentos de felina!
Teus pensamentos, tuas atitudes
Fluíam como água de riacho:

Deslizavam calmos ou encrespavam-se
Nos degraus da minha alma aparvalhada.
Mas, autêntica e imediata como a vida,
Eras “zen” sem conhecer budismos

E eras sublime sem complicações
De arte culta, de refinamentos
Intelectualóides e transes filosóficos.
Eras só tu, palpável e presente,
Linda, simples e inverbalizável.

E eu era, besta, tão cheio de abismos,
De outros mundos, de ideais esferas,
De abstrações emotivas e, tão seco
Das emoções físicas da vida

Que compliquei-te, compliquei o simples
E mergulhei-nos nas profundidades
Do sofrimento místico-romântico
E estraguei o belo amor-por-si,

Que é amor sem justificativas
Ou êxtases outros que o simples gozo,
O tesão puro e forte, sem discursos
E ornamentos mentais, só ele mesmo,
O prazer absoluto e imediato!

Gravataí, 18 de fevereiro de 2006

Ubirajara Passos

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