POEMAS DA GATA LULU


Entre os meses de abril e julho de 2004, enquanto eu saia do ostracismo político de 3 anos, me candidatando a vereador a convite do partido (PDT) e apoiando a chapa vitoriosa nas eleições do Sindjus-RS (chapa 2 – Sindicato é Pra Lutar), eu curtia uma fulminante paixão platônica por uma gata na faixa dos vinte anos, a moreninha mais linda e gostosinha que já conheci (e olhe que o repertório de mulheres com que fiz amor na noite chega a quase uma centena, de nisseis a caboclas maranhenses, e nenhuma das morenas chegava aos pés dela), que apelidei de Lulu.

Cheguei a ter a mínima oportunidade de começar um caso amoroso-sexual com a gata, mas enfiei os pés pelas mãos e a única coisa de frutífera que resultou foi o poema “Anjo Noturno”, já publicado neste blog, e os dois que seguem, nela inspirados.

Luz de Iara!

Ainda que os fúteis e superficiais
Vejam na minha atitude o entusiasmo
Fácil de um poeta fantasista,
Que julguem-me um exagerado,
O meu amor não provém só da beleza,
Do encanto que, por si, o justifica.

Às almas frias e utilitárias
Nem dois milênios aos pés da grande esfinge
Convencerão de sua altivez!

Da mesma forma os anos que virão
Não mudarão em nada o que sinto. Conviver
Dia após dia contigo não aumentaria
O meu fascínio, pois ele é infinito,
Mas seria a mais doce das rotinas!

Entrar na selva escura dos teus olhos,
Correr mágicos rios que não conheço,
Me arremessar inteiro ao imprevisto
É menos arriscado que esquecer
O pleno enigma que é teu rosto sério,
O teu sorriso raro, gênio alado
Em humana e deliciosa carne transmutado!

Gravataí, 28 de maio; Porto Alegre, 29 de maio de 2004.

Ubirajara Passos

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Amor Mártir

Não é tragédia não sonhares os meus sonhos:
É simplesmente desesperador!
Há tanto encanto em ti
E eu ardo tanto
Que é impossível esquecer-te, mesmo sendo
Preterido pelo amor teu do momento.

Mais que o desejo de posse,
Que o tesão
O que mantém-me escravo da paixão
É um amor enorme e absurdo:
Eu não te amo só com o coração,
Nem com o corpo, em frêmitos queimando.

Todo meu ser, cada fibra de meus nervos,
Cada escaninho obscuro de minh’alma
Te sonha, quer,
Contigo se preocupa e se faz mártir
De uma entrega total;
Cada molécula
Respira a ti e só tu dás
Sentido a mim, ainda que funesto!

Gravataí, 16 de junho de 2004

Ubirajara Passos

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