POEMA IMPUBLICÁVEL


Novembro é uma época do ano em que, desde os meus dezesseis de idade, ocorrem-me os fatos, normalmente inesperados, que acabam por alterar e condicionar, por um bom número de anos seguintes, a minha vida.

Pois há exatos dois anos, quando, candidato a vereador, derrotado, pelo PDT de Gravataí, eu me elegia coordenador do Núcleo Regional de Canoas (Grande Porto Alegre) do Sindjus-RS (e fazia minha primeira viagem à Brasília, em caravana do sindicato), retornando – após 8 anos de afastamento – às atividades de dirigente, pari o poema que segue, que – apesar dos triunfos políticos experimentados desde então – ainda é um breviário do meu drama íntimo.

Poema Impublicável

I

Há uma dor terrível em meu peito!
A dor de não poder amar ao infinito –
Não por frieza minha, mas devido
À rejeição dos seres adorados!

Eu ardo, sofro, entrego-me e, em pedaços,
Me faço – doido, intransigente e incoercível –
Escravo do povo, da arte, das mulheres.

Lhes dou a insônia das noites dolorosas,
O enfado íntimo em lhes fazer felizes
E a mim me resta tão-só a frustração!

Eu não desejo dominar,
Não quero marionetes
Sem vida, ao meu lado:
Desejo companheiros!
Mas só recebo a gratidão contida.

Não quero mimos, nem afagos idolátricos,
Se me adorassem como os amo gozaria,
Mas desejo
É a parceria de vontades e prazeres.

II

Sei que sou um chato,
Sei-me um imbecil pomposo!
Mas todo humilde e espontâneo peão,
Mesmo pobre e sofrido, vítima carnal
Da opressão dos pedantes idiotas,
É mais feliz que eu por ter alguém que o ame!

Gravataí, 14 de novembro de 2004

Ubirajara Passos

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