LULA SE REELEGEU: SÓ NOS RESTA DERRUBÁ-LO


Antes que algum leitor “democrático e de bom-senso” tenha um ataque com o título acima, é preciso mencionar que a “democracia” brasileira pode corresponder à vontade majoritária e inquestionável da maioria de seu povo (o que é muito duvidoso, já que este negócio de urna eletrônica à prova de fraudes é rídiculo – qualquer um que entenda um mínimo de computação sabe que a fraude se torna mais eficaz, pois é mais difícil de fiscalizar do que o voto de papel) sob o ponto de vista da formalidade, mas da não vontade livre e efetivamente “consciente”.

A grande maioria da população trabalhadora vive e vota conforme os condicionamentos que a hipnose diária da mídia lhe impõe. Tivesse a oportunidade de questionar por um único instante o seu quotidiano e as “instituições” que lhe definem o destino e não estaríamos assistindo à comédia trágica deste dia. O povo brasileiro, ao invés do velho mito dos intelectuais elitistas não padece por ser malandro e vagabundo, mas justamente por estar apegado ao máximo ao bom comportamento, ao cumprimento das regras e da moral que lhe impõe a classe dominante; ao respeito por qualquer canalha que detenha um grão de poder e represente a autoridade, tamanho é o medo de liberdade (sinônimo de caos e “fim do mundo”) que lhe é incutido desde a mais tenra infância. E é este apego ao bom-mocismo e horror à rebeldia que o mantém aferrado à vida de cão vira-lata.

Só esta índole (que é filha da moral autoritária e das manipulações psicológicas mais torpes e refinadas praticadas pela toda poderosa mídia eletrônica, a nova religião messiânica dos nossos dias) explica que este povo tão cioso do cumprimento às regras morais, reeleja, identificado com ele na sua frustração diária, o reizinho D. Luís Inácio. Justamente o homem que se deu ao desplante de se apropriar da renda pública gerada pelo suor deste mesmo povo para praticar a mais requintada patifaria da História do Brasil.

Os deputados de partidos da direita (de PMDB e PP à PL e PSDB, passando por PFL e PTB) foram eleitos para servir aos interesses da classe dominante e manter o voto popular afastado dos que realmente possam defender os interesses dos trabalhadores. Sua missão é aprovar os projetos que venham ao encontro da vontade do capital nacional e multinacional, elaborados nos pomposos gabinetes do patife-mor do Executivo, o Inácio. Mas a sem-vergonhice tomou uma sofisticação tal que os representantes da sacanagem burguesa fazem beicinho e chantagem com o chefão da corja e exigem uma mesada (o mensalão) para votar projetos de seu próprio interesse (e de seus financiadores).

Descoberto o esqueminha de sacanagem premiada, o seu próprio idealizador e comandante, o chefe da quadrilha, Inácio dos nove dedos, faz beicinho maior ainda e (em trejeitos de dar inveja a Dom Corleone, o poderoso chefão) balbucia inocentemente; “eu não sabia de nada”! E o rebanho amedrontado das ovelhas trabalhadoras, apavorado com os desígnios severos do “papai do céu”, frustrado, mas incapaz de rebeldia (que isto é coisa de mal-feitores e bandidos) choraminga e vai se encolher no colo do pai protetor (o cafajeste do Inácio), lhe dando mais um mandatinho.

É claro que a vitória do Geraldo significaria a implementação das mesmas “reformas” que os ricos daqui e “d’além-mar” exigem para que o Brasil se converta definitivamente num criadouro e santuário a serviço de suas necessidades de lucro, exercício sádico do poder e, sobretudo, das reservas de minerais, bio-diversidade e água potável que americanos e europeus necessitarão para continuar sua farra, a custa do sacrifício dos nossos lombos.

Mas a vitória do Inácio, longe de ser espelho de uma democracia inexistente (pois não há deliberação consciente e questionadora na maioria do eleitorado, mas condicionamento e manipulação psicológicos), significa exatamente a consecução do plano imperialista através da implantação de um Estado Forte, que acabará por suprimir as últimas possibilidades de divergência e exercício precário da mínima liberdade de manifestação e ação política que possuímos. O caráter histérico do fascismo petista (com o qual se identifica a massa frustrada e acomodado ao poder) encontrará na colaboração da própria burguesia liberal, e dos tantos incautos pobres adeptos do messianismo do Inácio, as condições necessárias para estabelecer um verdadeiro regime de terror, e sepultar de vez qualquer possibilidade “democrática” de alteração dos rumos do Brasil a favor de seu próprio povo.

Quando o povinho humilde que apóia o novo Luiz Napoleão (não o sobrinho do imperador corso, mas seu clone sul-americano, o Lulinha) se der por conta da revogação de seus últimos direitos garantidos em lei e se ver à mercê total dos patrões, sem direito à férias, 13º salário, aposentadoria ou jornada de trabalho limitada, será tarde demais!

Assim só resta aos últimos brasileiros conseqüentes tomar as ruas para derrubar D. Lula. E, neste ato de redenção necessária, todos os métodos são válidos: se a oposição burguesia não encaminhar o “impeachment” que já deveria ter sido votado, cabe o protesto e a exigência de renúncia e até a revolução a pau e pedra! O Brasil não pode continuar, para a eternidade, a ser “um moinho de queimar gente para adoçar a boca de europeu”, como o saudoso Darcy Ribeiro definia o processo colonial.

Ubirajara Passos

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