LULA, O CAPACHO DA BURGUESIA


Por Ubirajara Passos, direto de Santa Rosa-RS, onde curte férias.

 

Em 1954, meses antes de seu suicídio, Getulio Vargas se via obrigado a demitir o ministro do Trabalho João Goulart devido às pressões histéricas de militares fascistas diante da proposta de dobrar o valor do salário mínimo então vigente. Mas, mesmo demitindo Jango, decretaria o novo salário mínimo (cujo valor corresponderia, em termos de poder de compra, hoje, a aproximadamente R$ 1.800,00).

Dez anos depois o ex-ministro, agora Presidente da República, assinava, no comício de 13 de março, decreto que desapropriava as terras ao longo das rodovias federais para iniciar, dentro dos marcos permitidos pela conservadora Constituição de 1946, a Reforma Agrária, e era deposto no seguinte, e nada bobo, 1º de abril.

Pois o Inácio, que sempre sentou o pau, a torto e a direito, em Getulio, Jango e em Brizola, no antigo PTB e no PDT, tem hoje a cara de pau de alardear,no horário eleitoral gratuito, sua grande obra social: a elevação, nos 4 anos de mandato, do salário mínimo em 26% (chegando à cifra cretina de R$ 350,00) e a instituição da “esmola oficial” (o bolsa-família)!

Ou enlouquecemos todos, os brasileiros com um mínimo de sensatez e raciocínio lógico habitando o cérebro, ou Lulinha nos acha uns imbecis completos, prontos para receber as asneiras que caga para o consumo da grande “massa” de trabalhadores desempregados e levados à miséria justamente pela sua linda política!

O PT sempre denunciou o “caráter fascista” da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) promulgada por Getúlio (que, é verdade, mal garantia os direitos mínimos de condições de trabalho e remuneratória para aqueles que conseguiam empregos de “carteira assinada”), mas o governo do Inácio, ao invés de avançar na radicalização destes direitos e na revogação do regime de “escravidão assalariada”, rumo à eliminação da classe patronal e à instituição do socialismo, quer, simplesmente, revogar, na prática (pela “flexibilização”, que significa a não-obrigatoriedade de cumprimento da lei pelos patrões) a velha CLT, já bastante desfigurada pela ditadura (que revogou, com a instituição do FGTS, o direito à estabilidade aos dez anos de firma, por exemplo). Tal é a essência das reformas sindicais e trabalhista.

Os festejados R$ 350,00 sequer permitem sustentar o padrão de vida de um cachorro de madame, mas Lula diz que são um grande feito, bem maior do que a política salarial de Fernando Henrique (seu velho companheiro de militância a serviço dos yankees). A grande maioria do povo brasileiro padece fome, miséria e opressão diante dos patrões (o que se pode comprar com R$ 350,00?), isto quando consegue um emprego, mas o governo petista é tão “ético” socialista e “cidadão”, que todo seu mérito social é o velho clientelismo coronelista da pior espécie. O clientelismo puro e simples que sempre foi praticado pelos maiores canastrões de direita (fossem do PMDB ou do PFL): a doação de esmolas para desempregados e trabalhadores cuja renda sequer chega aos pés do milagroso salário mínimo.

Para que a grande burguesia e os senhores transnacionais do Brasil fiquem tranqüilos, Inácio encontrou a receita perfeita. Se a fome do povo transformar-se em desespero e este começar a reagir, como nos saques populares que ocorriam nos sertões do Brasil dos anos 50 e 60, este pode acabar derrubando os poderosos e instaurando a pau e pedra um governo realmente popular e marchar para a derrogação do capitalismo. Assim, Lula garante a apatia destas multidões oferecendo as migalhas do banquete burguês em troca de votos e conformismo! Nada ficamos a dever, portanto, à velha Roma Imperial da decadência. Já temos o pão, só falta chamar a Dercy Gonçalves para dar o circo (já que o da propaganda eleitoral não tem a menor graça)!

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