ENCONTRARAM O DEDO DO INÁCIO!


O general da Revolução Mexicana (1910–1920) Álvaro Obregon possuía algo em comum com o Luizinho além da origem humilde e de ter se alçado ao mais alto posto da República com o apoio de forças populares (os revolucionários zapatistas).

Seu senso de oportunidade e cinismo o converteram de um simples plantador de grão de bico, no início da Revolução, em Prefeito e em chefe militar que transitaria do apoio aos moderados “Madero” (o liberal que iniciou a revolução) e Carranza (o presidente que promulgou a nova Constituição em 1917) ao flerte com os anarquistas. Seu chefe, Don Venustiano Carranza, ele derrubaria em 1920 com apoio dos camponeses revolucionários esquerdistas zapatistas.

Mas a mais bizarra coincidência é que também perdera um membro superior. Não a mão, ou um simples dedo, mas o braço direito inteiro, amputado a tiro pelo inimigo na batalha de Celaya. Sortudo e prático como era, entretanto, o braço do Obregón não desapareceu e, hoje, repousa em uma urna de cristal num memorial na Avenida Insurgentes, na Cidade do México (existisse então a microcirurgia e Obregón voltaria a ser um demagogo com dois braços).

Ele próprio contava, com a cara mais debochada possível, que na ocasião do acidente estava preocupado “porque não é fácil perder uma coisa tão necessária quanto um braço”. Mas seus soldados, que começaram a procurá-lo pelo campo de batalha, não o achavam. Foi então que um de seus amigos mais íntimos, que o conhecia muito bem, teve uma idéia. “Tirou do bolso um ‘azteca’, uma brilhante moeda de ouro, e a jogou para o ar, onde brilhou ao sol. E então todos viram um milagre: o braço saiu de algum lugar e pegou o dourado azteca no ar, segurando-o carinhosamente. Essa foi a única forma de fazê-lo aparecer”.

Pois o Inácio (segundo nome, pelo qual era conhecido na intimidade o Luizinho), apesar de tantos predicados em comum com o grandioso general (de cuja existência sua imensa cultura jamais suspeitou), não havia até há pouco tido a mesma sorte de seu coleguinha. Quando era um humilde operário, o Inácio descobriu que era mais rendoso reivindicar que simplesmente trabalhar cabisbaixo. E assim, convertido em sindicalista, pôs seu dedo a trabalhar em seu favor. Mas então vigia a ditadura Médici, a que não agradava muito a rebeldia, e o Inácio acabou com o “dedo duro”. E de tão duro que era (qual o caralho do pajé daquele poema safado de Bernardo Guimarães) o dedo ficou pesado e apontava, contra a vontade do consternado Luizinho, para seus colegas de sindicalismo. O estranho dedo, que devia ser parente do nariz do Pinóquio, começou também a crescer e um dia, quando o Inácio esperava o trem na estação do metrô, deu um tropeção e lá se foi o dedo!

Porém, como os tempos são outros, bem diversos daqueles do Obregón, eis que denodados cientistas brasileiros resolveram se dedicar à busca do dedo do Inácio, que rijo e enorme, não poderia ter simplesmente apodrecido e se perdido por aí. Após custosas investigações, que envolveram desde exaustivas pesquisas do genoma até a consultas a chamuscados arquivos do DOI-CODI, da Operação OBAN e do SNI (beméritas ONGs os primeiros e órgão oficial de caridade para rebeldes desencaminhados o último), descobriram onde está o dedo do Inácio: NO CU DO POVO BRASILEIRO!

Ubirajara Passos

Anúncios

Um comentário em “ENCONTRARAM O DEDO DO INÁCIO!

  1. * Em 04.09.06, às 15:52:18,
    * JORGE CORREA DANTAS disse :

    E ISSO AI, CAMADADA U.PASSOS,MAS CONTINUAMOS CAMINHANDO E LUTANDO POIS ESSE DEDO NO NOSSO CÚ, NOS NÃO VAMOS ACEITAR POR MUITO TEMPO.SAUDAÇÕES DO NEGO DANTAS.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s