DO FALATÓRIO HISTÉRICO EM POLÍTICA


Embora dirigente partidário, como já escrevi neste blog, sempre mantive a independência mental e a capacidade crítica suficiente para constatar as asneiras dos políticos, até mesmo dos mais autênticos “socialistas”. Certas práticas a que a necessidade do voto, numa sociedade majoritariamente imbuída da mentalidade burguesa e dos preconceitos próprios da cultura autoritária (como “honra”, “honestidade”, “simpatia”, “status”, etc.), acaba por submeter o mais radical revolucionário vermelho (as demagogias “marketeiras” de todo tipo) são simplesmente inaceitáveis.

Não por contrariarem ideais puristas de “verdade”, “realidade” e “conscientização das massas”, mas por jogar na vala comum do lixo geral as oportunidades de indignação concreta dos trabalhadores e igualar, na prática dos palanques (de praça ou eletrônicos) o velho discurso do clientelismo e dos pretensos defensores do povo. Por mais bem intencionado que seja, o político que se arroga a missão de “salvador”, “mártir” ou “protetor das massas”, está (pela simples atitude) colaborando para a manutenção da sociedade autoritária (ainda que seu autoritarismo se faça de forma disfarçada), hierarquizada e opressora.

Não há como escapar, ao ceder às demagogias comuns à cultura da mídia capitalista, à óbvia conseqüência da manutenção da “escravidão assalariada”. Pois muito mais do que no exercício concreto da “força” é nos hábitos e crenças mentais das multidões que se sustenta sua opressão. Assim, toda prática que não apostar no questionamento e na rebeldia aos modos de pensar pré-determinados e condicionados às pencas na TV nossa-de-cada-dia (só para citar o principal instrumento de “adestramento” das nossas mentes) só pode conduzir, NECESSARIAMENTE, à manutenção da sacanagem vigente.

Toda esta elocubração intelectualóide é para, safadamente contextualizado por este escritor cretino, reproduzir abaixo o primeiro “SERMÃO NA IGREJA DE SATANÁS”, por mim parido nos idos de outubro de 1999:

DO FALATÓRIO HISTÉRICO EM POLÍTICA

Não adianta namorar a revolução com intenções explicitamente utópicas, como não resolve flertar com uma mulher de forma manifestamente luxuriosa. O encanto de ambas as coisas está justamente na intimidade secreta, fruída pelos amantes de maneira natural, vale dizer semiconsciente, sem protocolos, nem compromissos formalmente estabelecidos.

É a fascinação daquela afinidade e prazer recíprocos, simplesmente intuídos (captados no relance de um olhar carregado de cumplicidade e tesão), que dá o sabor do sobressalto e valoriza um amor.

Assim é que – quando um líder precisa clamar veementemente às “massas” suas intenções redentoras e engajadas – sua credibilidade, ainda que formalmente íntegra, se encontra simplesmente rota e sua liderança, esboroada.

Previnamo-nos, caros amigos, dos loquazes e verborrágicos representantes da ira divina, dos despreendidos defensores do povo, tempestuosos instrumentos da justiça! A sua verborragia oca e vertiginosa guarda nada mais do que a própria essência do olho do furacão: de nada se compõe e a nada levará, senão à satisfação inconfessável de seus mais elitistas e abjetos interesses.

Ubirajara Passos

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