UM POEMA “ENGAJADO”


Na onda de pura política que venho publicando ultimamente, aí vai um texto mais ameno (ao menos é um poema, meio plágio involuntário de Vinicius, mas tudo bem). Perdoem-me os leitores de textos mais safados e alegres. Em breve serão recompensados.

A COISA… OU O HOMEM COISIFICADO?

A vida desabou,
Tudo se esculhambou
E ele estava lá…

Seus afetos mais caros,
Os sonhos mais profundos,
Os mais básicos anseios
De usufruir da vida,
Tudo decompôs-se
E ele estava lá!…

Dele se esperava somente o trabalho,
Que não lhe rendia mais do que migalhas,
Enquanto o patrão à sua custa engordava
Os seus fofos bolsos.

O “trato” desumano
Que lhe impunha o chefe,
E, mais que ele, as regras
Nefastas da atroz disciplina,
Devia suportá-lo a sorrir e jamais
Expor, descontente, suas queixas e mágoas.

Não importa que sofresse,
Amasse ou perdesse
Os encantos pequenos do seu dia a dia,
Todos soterrados pela atroz rotina.

Sua função na empresa
Era trabalhar
E ela suplantava
A morte, a desgraça,
O gozo, a alegria.

Dele se esperava e, no fim, havia
De todo se tornado,
Que fosse uma peça, sem alma ou vontade,
Só um parafuso
Na feroz engrenagem,
Mais um item roto na conta “Móveis e Utensílios”
Do gordo Balanço do capitalista.

Gravataí, 1º de abril de 1996

Ubirajara Passos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s