IMORALIDADE, AMOR E AMBIGÜIDADE


Até que eu tenha tempo de escrever o novo texto que anda saltitando na minha mente desde o almoço, ficam mais três poemas para distração dos leitores.

A MINHA AMADA

A minha amada não é a mais bela,
Nem a mais fogosa de todas as mulheres.
Não é a mais terna,Antes é geniosa!
Não é sincera, joga como pode
Com o fascínio sensual que dela emana.

Nunca foi doce.
É nada submissa,
Desprotegida ou frágil; submete
Quem não se imponha a seus loucos caprichos.

Ela não tem a menor dó de quem a ama,
Conosco brinca com ânimo de um gato
Cruel, que se diverte em torturar
Antes da morte a sua infeliz vítima.

 Segura e prepotente, nada cede.
A vida ao seu lado é um rosário de exigências.
Não tem “virtudes”,
Toda ela é um problema.

Mas é a ela, a própria rebeldia,
Que eu amo.
É ela que dispara
O trôpego ritmo do meu coração.
É a sua independência malcriada
Que cega e enlouquece a minha alma.

Gravataí, 30 de setembro de 2000

Ubirajara Passos

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CONVITE IMORAL 

Tu que és toda arrebatamentos,
Que desconheces gozo pouco intenso
(Só o frenesi embriagador, o galopar violento
Te justificam o mergulho d’alma),

Aventureira insaciada de tormentas
Para quem o prazer é uma torrente,
Um turbilhão de ânsias exaustivas,
Mais agonia de morte que doçura,

 Deixa mostrar-te o êxtase sublime
Da preguiçosa ternura,
O gesto mole,
Mas meigo e quente,
O carinho

 Sem compromisso,
A envolver em ondas tênues
De um crescente imperceptíve
Alma e corpo num clímax sereno,

 Filho sutil de leves atenções
(Mais do intuído que do agressivo,
Manifesto agir superficial).

 Deixa levar-te a percorrer jardins
De flores comuns, mas de um perfume
De oculto requinte, ultra-exótico.

 Deixa crescer no olhar dissimulado
A labareda de um fogo permanente,
Cujo ápice não é explosão abrupta,
Mas o auge da volúpia onipresente,
Que arrebata, mas não exaure o ser.

Porto Alegre, 1º de dezembro de 2002

Ubirajara Passos

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TRISTE AMBIGÜIDADE

 Sou um ser esquisito.
Em mim convivem
O irreverente e o apaixonado.
Se um conduz aos sonhos orgiásticos,
O outro, casmurro e ressentido, é só queixumes.

 Se o primeiro me lança às belas gatas
(De preferência às onças agitadas),
O segundo pasma ante a beleza
E me transforma num bebê desprotegido.

 Basta um olhar direto e inquisitivo
E, desmontado, eis-me apalermado
Frente à mais lúbrica e dadivosa fêmea.

O cafajeste se manda em disparada
Se além do belo rostinho há um certo ar
E já não desejo, mas derreto-me em ternura!

Gravataí, 6 de dezembro de 2004

Ubirajara Passos

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