DA MERDA AO AMOR PLATÔNICO


Dei uma pausa no último post para malhar o “operário mais rico do mundo” (Dom Lula I e Único Traidor dos Trabalhadores do Brasil) e alertar o golpe de Estado que pretende disferir sobre a praticamente inexistente democracia brasileira (que, por pior que seja, é melhor que qualquer ditadura, pois nela, ainda que raramente, o povo consegue influir um mínimo a favor da própria bunda, volta e meia). Uma Constituição elaborada por “notáveis especialistas” (como era conjecturado pela mídia burguesa e a pelega OAB no último governo formal do regime militar, o do Figueiredo), sob a desculpa de que os políticos “que legislam em causa própria” não podem fazer a “reforma política” pode ter todos os méritos e ser tudo, mas se não for resultado do voto livre (mesmo que influenciado pela mídia) de cada eleitor é simplesmente ditadura!

Lula, ao propô-la, deixa claro que, pra ele, as próximas eleições não valem nada e insinua claramente que os mesmos corruptos de sempre (aqueles mesmos que ele comprou para estruprar ainda mais a atual Constituição – que, diga-se de passagem, apesar de elaborada com a colaboração dos deputados do PT e do medíocre deputado Luís Inácio, não foi assinada pelo dito partido) serão novamente eleitos pelo povo e que, portanto, cabe ao “imperador do Brasil” botar ordem nas coisas, convocando uma Constituinte com restrições quanto a quem poderá ser candidato a ela. Isto significa querer tutelar e se impor, como um velho pai autoritário, à vontade dos maiores interessados nos rumos desta nação: a grande maioria explorada e totalmente despojada pelo sadismo dos patrões de qualquer condição humana.

O que há por trás de tamanha preocupação “paternal”? Podemos, nós peonada fudida, ignorante e manobrável, não ter a menor consciência no ato do voto, podemos ser vítimas e colaboradores de nossos próprios algozes (os políticos corruptos e defensores dos privilégios burgueses), mas a ninguém, além de nós mesmos, cabe decidir nossa vida coletiva. Se com pleno direito a voto, nas regras atuais, a supremacia da classe exploradora se impõe quase sempre, uma nova ordem jurídico-político elaborada a partir de eleições casuísticas e regradas segundo a vontade do maior representante da burguesia internacional e nacional (esta quase inexistente), o “doutor” Luís Inácio, será a certeza absoluta de que não haverá brecha nenhuma (aqueles raros momentos em que se consegue alterar um mínimo da realidade a favor do povo) para os desgraçados que suam todo dia em prol do fofo conforto de um punhado de sádicos banqueiros e gerentões de multinacionais.

Mas, para que os leitores possam se divertir um pouco, vão abaixo mais três poeminhas sacaninhas de minha autoria:

ODE AO ESCREMENTO

Por que não vai tudo à merda de uma vez,
Que obrigação se me impõe
A cretinice íntima em que vivo
De ser coerente, iluminado, trágico,
De espelhar de meia humanidade
A besteira fatal, nauseante e insossa
Se a simples vida é inferno já suficiente
Pra se espojar bem na maior merda!

Vá tudo à merda, que é bom lugar!
E vá à merda também quem quer ciências
Pra masturbar-se na bosta da miséria
Teórica e remediar a caganeira alheia.
Do povo a merda é mui mais fedorenta
Do que supõem os filhos do PT!

Porto Alegre, 18 de novembro de 2001

Ubirajara Passos

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ODE AO TRASEIRO

Quanto mistério se esconde numa bunda,
Nesse infinito oceano curvilíneo,
Hipnotizante, tântrico, falaz
Globo partido em duas metades lindas
Em cujo centro há um túnel a esperar-nos
Que não é o túnel de luz do espiritismo,
Mas pode à morte da consciência conduzir
No êxtase imenso de o varar.

Quando branca, praia quântica, espelho
Da face coletiva da paixão,
Rosto lunar sem crateras, a causar
Os mais enlouquecidos sobressaltos,
Os maiores
Baques de ritmo ao coração.

Gravataí, 23 de fevereiro de 2002

Ubirajara Passos

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ANJO NOTURNO

Na escuridão profunda dos cabelos
Trazes a dor das noites que não tive,
A densidade de todas as paixões
Que são mais belas, talvez, porque frustradas;
A saudade dos idílios que morreram
Antes que as mão pudessem encontrar-se,
Toda profundidade lancinante
Dos gozos de alma e corpo, só sonhados,
Que nunca tive, do fogo que não hei
De acender nos teus jardins,
Das palpitantes e morenas dunas
Que não haverei de arrepiar com meus carinhos;
Trazes todo o sublime enlevo
Que, mesmo inútil, alimenta minha alma
No contemplar desesperado da beleza!

Vila Palmeira, madrugada de 6 de junho de 2004

Ubirajara Passos

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