TRÊS POEMAS E ALGUMA BOEMIA


Ando com uma preguiça danada de escrever e, assim, vou tocando com textos já prontos. Como – apesar de prometer no seu intróito – anda faltando putaria neste blog, resolvi publicar os três poemas abaixo, que não são propriamente eróticos (mais adiante chegaremos lá), mas têm em comum em seus temas a “putaria” da vida neste mundo-cão capitalista e, além da irreverência, uma pitada (no caso do último) de amor e boemia.

Aos raros leitores fiéis (meu amigo xupaxota é um deles) prometo postar mais freqüentemente, já que agora possuo internet em casa (não queiram saber de onde eu postava os textos anteriores… não, não era de nenhum puteiro, mas nem é bom falar). E aos que tem sede de fofocas da vida alheia, prometo que, uma hora dessas, narrarei aqui a causa da minha “preguiça” de escrever coisas novas. Vamos aos poemas:

“DRAMINHA”

Eterno suicídio
Nunca realizado –
Busca infrutífera
E insossa como o tédio
Que o inspira –

Tragédia fútil,
Intensa, mas ridícula,
Tu és o índice da incapacidade
De vida real que me habita

Pode o universo desfazer-se em chamas,
Brandir histérica a burguesa sociedade,
No vão conflito infindo de seus líderes;

Pode o tormento individual ao meu redor
Estourar tímpanos, provocar taquicardias,
Prostrado ao canto o meu enjôo deste mundo
Não alterará em nada os “rumos da História”.

Continuarei dentro de mim
Na falta de sentido encarcerado
E urrarei com toda a força
Aos inacessíveis ouvidos
A hecatombe homérica do tédio!

Gravataí, 1.º de julho de 2001

Ubirajara Passos

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AOS QUE SE ENVERGONHAM
DE TER SEU ORIFÍCIO ANAL DEVASSADO

Tomar no rabo não é incomum,
Embora não seja muito confortável.
Todos mandamos os chatos de plantão
Executar este ato inominável,
Mas esquecemos que, só de aturá-los,
Já estamos todos tomando no rabo.

Este é um hábito, ou vício, inconfessado.
No entanto, meia humanidade
Deveria atentar às quotidianas hemorróidas,
Pois não são elas resultado do acaso.

Queira-se ou não, quem vive vida besta
De peão ralé ou sofisticado,
Debaixo das botinas do patrão,
Das jararacas domésticas,
Ou dos fiscais do PT empertigados,
No esforço inútil de se mostrar bom gado,
Está infinita e pomposamente
O tempo todo tomando no rabo.

Porto Alegre, 12 de fevereiro de 2002

Ubirajara Passos

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EMBRIAGUEZ

Andei sempre bêbado no mundo.
Provei licores e rascantes aguardentes.
Delirei paraísos na espuma da cevada
E mergulhei, solene e melancólico,
Nas brumas do profundo conhaque.

Gozei na língua os doces prazeres
Dos vinhos e fiz revoluções
Fantásticas ao pé do uísque!

Pedi aos álcoois todos, suplicante,
A minha alma perdida desde sempre
E eles me deram, provisório, o entusiasmo
Que se esvaia nos últimos vapores!

Até que um dia tropecei no teu olhar,
E havia nele tanto bem-querer,
Um fascínio
Convicto de si e convincente,
Um sedutor chamado a todos os prazeres
E à ternura de um eterno enlace,
Que, desde então, tornei-me um abstêmio!

Só me embriago, hoje, em teu perfume!
Degusto vinhos finos nos teus lábios,
Mato a sede insaciável de ardor
Na umidade quente da tua vulva!
Crio utopias do teu corpo no suor,
E, bem no fundo do castanho dos teus olhos,
Bebo a chama da minha alma extraviada!

Porto Alegre, 23 de janeiro de 2004

Ubirajara Passos

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4 comentários em “TRÊS POEMAS E ALGUMA BOEMIA

  1. * Em 31.07.06, às 08:36:51,
    * Fada Safada disse :

    Achei teu blog através do xupaxotas’blog, do qual sou leitora assídua.
    Parabéns, estão lindos os teus poemas.
    Beijos,

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  2. * Em 31.07.06, às 00:51:52,
    * xupaxota disse :

    caralho! os três estão ótimos companheiro, mas o terceiro, “Embriaguez”, está fantástico! fuderoso!

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  3. Comentado em 04.08.06 às 11:34:45 por jorge dantas
    jorge@sindjus.com.br

    Eai BRUXO, tua imaginaçao e fertil tuas palavras veroz teus versos insandecidos me acalatam e me motivam a continuar esta vida louca e cruel, na embriagues tambem sempre encontro minha lucides e prazer. as mulheres, as mulheres somente as iniciadas e as confirmadas iluminam e encendeiam a minha existencia errante, as vezes penso que enlouqueci pela vida. as pessoas me acusam de querer viver. Salve Bruxo UPASSOS, continue andando alimentando nossa imaginaçao. JDANTAS, o descendente de Palmares.

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  4. tili disse:

    vc compoe muitos lindos poemas! espero que nao se emporte de eu ter dado uma olhadinha..nos seus poemas tao belos..

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