AS JARARACAS EMANCIPADAS


Para desenfado dos leitores mais um “Sermão na Igreja de Satanás” (livro meu impublicado):

DAS JARARACAS EMANCIPADAS
(por um movimento em defesa dos direitos dos “machos”)

Se os homens (mesmo aqueles que eram dominados pela minoria de varões poderosos), no correr dos milênios, tiveram o condão de subjugar e relegar as fêmeas da espécie ao papel de instrumentos de satisfação das “necessidades masculinas’’ (de parideira, ama, enfermeira, cozinheira e faxineira à cachorrinha de exposição e puta – de rua, cabaré ou sacrossanta alcova matrimonial), a moderna emancipação de suas antigas “escravas íntimas” acabou por gerar uma nova dominação de sexo (mais sutil, mas nem por isto menos violenta e opressora): a das fêmeas exigentes!

Assim como o movimento anti-racista engendrou o reverso da antiga prepotência branca (os pretos e mulatos pedantes e orgulhosos de seu sangue “100% negro” – vide as camisetas que andam por aí em seus peitos), as mulheres, uma vez afrouxadas as correntes da sociedade patriarcal, parecem ter aprendido muito bem as manhas dos seu antigos “senhores” e voltam-nas sobre os machos humanos.

Nenhuma moderna senhora ou senhorita emancipada admite a supremacia física masculina (fato que, real ou não, é bem pouco interessante num mundo que não é mais o das cavernas e florestas) ou a falaciosa “dependência” (a velha e disfarçada servidão doméstica) econômica do marido, mas basta observar tal fêmea em transe de cólera com seu parceiro para constatar que ela reduz, em suas exigências, os homens aos antigos “papéis” ideológicos justificadores da opressão: “homem existe pra consertar as coisas em casa”, “que homem irresponsável é este que sai a beber com os amigos” – o equivalente das velhas comadres fofoqueiras do “chá das cinco” – “e não se preocupa com as finanças da família”, “manter as necessidades econômicas da casa é função de homem” (os rendimentos dela são para sua diversão e satisfação pessoal).

E, o que é pior, escoladas por séculos de exercício da função de objeto sexual, e vítimas românticas da absoluta liberdade masculina de manipular à vontade e desfazer-se das paixões do sexo oposto, são elas que usam, hoje, com seus namorados, maridos, amantes ou eventuais companheiros de foda o poder das vetustas moedas de troca: a buceta, as deliciosas curvas e seu lindo rostinho!

Uma vez verificado o grande valor que os senhores do lar e “protetores” das donzelas davam à mais requintada das mercadorias (as gostosas de todo tipo), as nossas rigorosas beldades não titubeiam em impor aos homens todas as artimanhas e constrangimentos equivalentes aos a que suas avós eram submetidas em troca do “bom partido”. Ao contrário das esposas tradicionais (que são patrimônio exclusivo do marido) ou das putas (que constituem mercadoria de livre trânsito, compráveis por tempo limitado em troca de moeda sonante), nossas ladyes modernosas são elas mesmas as proprietárias, administradoras e comerciantes, em tempo integral do precioso bem (elas próprias), de que tanto usufruem para seu prazer erótico, quanto para depenar os mais enlouquecidos “pretendentes”, ou simplesmente divertir-se à custa de suas burlescas tentativas de conquistá-las.

Para ter acesso aos seus encantos qual o babaca que – mesmo sinceramente apaixonado e interessado na “pessoa” da gatinha – não é devidamente induzido a esvaziar as algibeiras ou, ao menos, proporcionar-lhe os mais requintados “programas” (salvo, é claro, se, por sua bela e bem “malhada” estampa animal for digno de encarnar o “homem objeto!”)? Os feios e de bolso furado (com exceção dos que exercem alguma profissão “de futuro”) não têm a menor chance ou, no máximo, merecem aquele dengo prometedor em troca de algum possível trocado ou favor nas emergências femininas.

Homem pobre com alguma cotação neste mercado sexual e amoroso só mesmo pedreiros, encanadores ou borracheiros (que, na fantasia sexual das dondocas, personificam o equivalente das empregadas domésticas, garçonetes e balconistas na mentalidade machista e patriarcal). São considerados bons para uma eventual aventura “zoófila” da madame, sem maiores conseqüências, por serem, no imaginário da escravidão assalariada capitalista, gente de segunda categoria (sem direito à vida pessoal, mas reduzida à sua “utilidade” econômica).

Mas mesmo os mais afortunados – os admitidos a privar da intimidade de nossas mancebas dominadoras (sabe-se bem a que preço) – que se cuidem! Porque elas não terão o menor pejo de, à primeira crise de enfado ou súbito tesão por macho alheio, mandá-los à puta que os pariu, com todo cinismo digno do mais inveterado “cafajeste”.

Assim, ou criamos o movimento de emancipação dos homens, ou explodimos com o capitalismo e o mundo da opressão que nos instrumentaliza e reduz-nos a coisas inertes (pouco importa se na categoria de ferramentas, enfeites ou mercadorias). Caso contrário, nem homens ou mulheres (veados, lésbicas ou quaisquer outros gêneros de prática do prazer) serão considerados e viverão como seres dotados de sentimentos, pensamentos, corpos e necessidades próprios, valorizáveis por si mesmos, e não como mero instrumento ou meio de concretização das taras alheias!

Glória ao grelo nas alturas!

Ubirajara Passos

Anúncios

Um comentário em “AS JARARACAS EMANCIPADAS

  1. companheiro bira, fiquei na dúvida se os sermões está impublicado ou se é impublicável… mas, como hoje em dia a censura não é tão radical, ele pode ganhar status de publicável. só que a santa igreja não vai recomendar, sem nem ler, só pelo título. se tu tiveres um bom relacionamento com o dito cujo, intercede por mim porque estou precisando de um contrato para ficar rico. vendo até a alma…

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s