Recebi de um amigo há uns dois dias o fac simile de notícia de jornal abaixo reproduzido, cujo conteúdo seria digno de ter sido protagonizado pelo Peruca e dispensa maiores comentários:

churrasco de veado
Recebi de um amigo há uns dois dias o fac simile de notícia de jornal abaixo reproduzido, cujo conteúdo seria digno de ter sido protagonizado pelo Peruca e dispensa maiores comentários:

churrasco de veado
Se há algo que me deixou enlouquecido nos 60 dias em que estive afastado do trabalho, em razão da “suspensão preventiva” que me foi aplicada, foi a falta da convivência diária com o grande mestre da sabedoria asnífera da juventude gravataiense que atende pelo modesto nome de Peruca. Não sei, mesmo, como não me vi reduzido à burrice anêmica e desamparada!
Mas bastou uma semana de trabalho para que eu tivesse o privilégio de colher as mais exóticas, profundas e requintadas pérolas do florilégio filosófico do bocaberta mais ilustre de Gravataí, que aí vão publicadas:
Na primeira sexta-feira chuvosa do ano ía o Peruca empertigado estacionando seu flamante carro com a mais diligente agilidade possível (o que significa meia-dúzia de automóveis abalroados nas proximidades), quando a “Schuvaca Horripilis” (sua meiga esposa), preocupadíssima em não tomar um banho involuntário, alertou-o:
- Tu não pegou uma sombrinha, né Peruca?
- Ô mulher, deixa de ser implicante! Não tá vendo que não tem vaga debaixo do arvoredo! E além do mais, sombrinha pra quê? Hoje não vai fazer sol mesmo!
Esta é foda e faz necessária uma erudita explicação, sem a qual os leitores que não forem habitantes de Gravataí não entenderão bulhufas. Assim, antes de referir o episódio, consigno que, para desgraça de seus moradores, há na cidade um antigo bairro (que foi a primeira “vila” popular construída pelo governo do Estado, especificamente pela CoHab – a Companhia de Habitação) chamado de “Castelo Branco” (“casualmente” o primeiro ditador gorila do regime entreguista inaugurado no Brasil no dia dos bobos de 1964).
Pois o fato é que o Peruca acompanhava sua excelentíssima esposa em uma visita a uma imobiliária, na intenção de alugar um ninho de amor mais confortável, quando o infeliz corretor lhes informou que tinha um imóvel pefeito para as pretensões do casal. Só restava saber se havia algum problema para eles em morar lá na “Castelo”.
E o Peruca, suando frio só de imaginar o preço absurdo de tão nobre prédio, saltou gritando como pivete em fuga:
- Não, moço, o senhor me desculpe! Isso aí é muito grande, eu até vou me perder e nunca mais achar o caminho! O que eu queria mesmo era uma casa!
A coisa aconteceu comigo e juro que é real, apesar do tom farsesco!
Por incrível que pareça, o Peruca resolveu se preocupar comigo, afinal, depois de dois meses sem trabalho, era visível, segundo ele, que eu me encontrava tão abatido, cabisbaixo e desacostumado de levar sobre os ombros a carga diária enorme de cálculos judiciais, que apresentava um terrível problema de postura. Recomendou-me, mesmo, que fosse fazer uma musculação terapêutica (não é mentira, não, a criatura usou exatamente esta expressão) a fim de fortalecer os músculos das costas e corrigir a verdadeira sifose que eu havia adquirido.
Mas, como mandei-o à merda dizendo que não havia problema de postura algum, o meu zeloso amigo arremeteu:
-Pô Bira, deixa de ser besta! Vai dar um jeito nisto, que a coisa tá feia! Tu até tá parecendo aquele personagem de filme que se apaixonou pela cigana Esmeralda, o “Corcunda de Nostradamus”!
É evidente que tentei explicar o engano. Mas o Nandinho Andarola (mais novo estagiário do setor, tão esperto quanto o Peruca, cujas façanhas serão, neste blog, em breve narradas), não deixou por menos e tratou de corrigir a nossa ignorância:
- Vão ser burros assim lá em Paris! Então vocês não sabem que este cara não era personagem de filme nem livro nenhum! O sujeito existiu sim, embora não seja muito mencionado pra não manchar a reputação sexual do profeta! Nostradamus era veado, gostava de sexo bizarro e tinha um corcunda que pegava ele! Quem é que vocês acham que anotava as previsões que o sábio recitava em transe?
Ubirajara Passos
Por incrível que pareça, em pleno século XXI, o velho ranço beato e anti-prazer anda grassando justamente na sede do judiciário do Estado pretensamente mais politizado (e supostamente, liberal) do Brasil. O que só prova, no microcosmo das relações quotidianas (quase familiares) de trabalho, o que se encontra toldado na vitrine da política nacional: estamos em pleno regime fascista, do pior fascismo – aquele que se ampara na vigilância, nos mexericos e no dedo-durismo mesquinho do fiscal de esquina.
E, nesta modernosa reprodução da inquisição medieval, nem mesmo os princípios do liberalismo burguês (que admitem a maior liberdade de expressão e exercício da vida pessoal para a classe privilegiada) encontram qualquer eco! Em nome do velho sadismo da classe dominante – do tesão, filtrado por camadas ontológicas de repressão e “punição”, que se transforma em raiva hidrófoba e furibunda (coisa a que o mestre Reich dava o nome de “peste emocional”) – é preciso que toda a mínima manifestação de vida, de prazer e bom-humor seja devidamente pisoteada e extinta debaixo da chibata e da chinelada. O que, eventualmente, se estende aos próprios rebeldes da classe abastada que nos cavalga!
Antes que algum leitor tenha um “ataque de cu”, e rebente as hemorróidas com os próprios dedos, vou esclarecendo. Não se trata da famigerada ordem de serviço que, em flagrante desrespeito ao formalismo consitucional, decretou, ao arrepio de lei complementar vigente no Estado, a limitação do número de servidores que poderia comparecer à Assembléia Geral do Sindjus-RS no último dia primeiro, sob o argumento escravocrata e militarista de que esta estava se realizando “no horário do expediente” (quem sabe pertence, agora, ao patrão, o Tribunal, no caso, a prerrogativa de fixar quando seus escravos poderão reunir-se para tratar da ração e do número máximo de chicoteadas no tronco?).
A coisa é bem mais sútil, hilária, para não dizer ridícula, e beira ao puritanismo de “grupo de pais e mestres” de escola ginasial protestante yankee! Conforme ordem de serviço emanada da seriíssima e “impoluta” Secretaria das Comissões” do Tribunal de Justiça, através do “Of.-Circ. n° 12/2008-AdmTJ”, de 31 de julho passado, os estagiários (leia-se escravos sofisticados, ou simples mão-de-obra barata e sem direitos) contratados do palácio-sede devem ser advertidos, sob pena de DEMISSÃO, para não praticarem mais os crimes de lesa-pátria que reproduzo abaixo, conforme o original da exaustiva deliberação tomada em “reunião da Administração do Prédio” em razão de “alguns fatos relativos ao mau comportamento de estagiários, tais como:
Para a devida advertência e coibição de “faltas” tão hediondas e prejudicais à administração pública e aos interesses da população que paga os salários de nossos justos e denodados magistrados, assim como de seus servos de luxo, digo, estagiários, o ofício refere que “Dessa forma, a Administração do Prédio do TJ solicita colaboração das chefias para que cobre de seus estagiários que devem observar as normas de comportamento social condizentes ao Poder Judiciário, informando que a Equipe de Segurança vai intensificar o monitoramento, para identificação dos estagiários, com a conseqüente e imediata rescisão contratual”.
Mas, afora as reprimendas à indisciplina “infantil” (devem ser muito interessantes as “brincadeiras” praticadas pela piazada na faixa dos dezoito aos vinte e tantos anos nos elevadores da “copa” – fico a imaginar se a coisa envolve os tradicionais folguedos de “pegar”, “esconder”, “cabra-cega” ou a velha história de “brincar de médico”), o que mais salta aos olhos é esta história sobre o “Comportamento excessivo de namorados no terraço (fumódromo) já foi, inclusive, flagrado pela segurança”.
Ao que tudo indica, conforme a própria reprodução da determinação (não estou inventando nada), a pobre gurizada se fode com o salário miserável de aprendiz (que não chega a 2 dos salários “mínimos” de fome canina que nos propicia o nosso amo Luís Inácio) e com uma perseguição feroz da segurança local, especializada não em prevenir possíveis atentados de “subversivos comunistas”, gangues do crime organizado, os PCCs, ou outros congêneres, mas em escanear as mais ingênuas piadas e esquemas de “otimização” orçamentária do bolso da turma. Mas o mais imperdoável é que, talvez inspirada na sacanagem das altas rodas da nobreza provinciana de Porto Alegre (que inclui inúmeras castas, inclusive algumas tradicionais famílias “operadoras do direito”), ao fuder em plena sede do poder mais conservador e sisudo da República, comete o supremo pecado mortal, totalmente contrária ao “decoro” de suas excelências, de sentir prazer em pleno templo do castigo.
O troço é extremamente grave, afinal a piazada está fazendo a coisa de graça, bem longe dos olhos da principal cafetina da capital, a tia Carmen, honrosa senhora que tantos nobres e abnegados serviços tem prestado à alta cúpula do “patriciado político dos três poderes”. E, dizem as más línguas, não foi a transgressão simplória e ingênua de uma simples transa, mas um pecado bem mais grosso e cabeludo. Uma linda e gostosa estagiária (infelizmente bem longe dos gabinetes das chefias) se dedicava, quase nua, ágil e diligentemente, a boquetear um reles estagiário, quando foi pega em delito de felatio in varus por um balofo e invejoso guarda.
Pobres estagiários! Não podem dar um simples peido no corredor que tem um policial na cola, lhes bafejando a nuca, indignadíssimo com a falta de compostura (e, sobretudo, por não ter sido convidado para a orgia do 12º andar). E ainda tem de ouvir as aventuras sexuais de muita assessora de cargo em comissão, sem direito à menor punheta nos banheiros, ou à simples foda improvisada nos recantos do prédio!
Sinceramente, se, ao que se depreende das proporções da preocupação de nossos altos magistrados com a transa estagiária, o maior problema da Justiça gaúcha, nestes dias, além da meia-dúzia de servidores rebeldes (que não aceitam viver, ano após ano, sem qualquer reajustamento nos seus salários de peão mal remediado, e tem a petulância de exigir a recuperação da alta dos preços, que lhes confiscou as possibilidades da carteira em mais de 63% nos últimos anos), é a “foda no palácio”, bem que podiam garantir à juvenil equipe de escravos o “vale-motel”, para que, ao menos, possam fazer alguma coisa de útil com seus parcos salários
Ubirajara Passos
A frase é um dos lugares comuns mais batidos, ainda que sempre hilário e chamativo: “moço, ele tá com o diabo no corpo” (ou no couro, dependendo da região ou contexto sócio-cultural em que é pronunciada). E nos dá conta de uma realidade, aparentemente, irrefutável, autônoma e sem maiores matizes: o sujeito foi “possuído” (no sentido mais ingênuo e simplório possível) pelo demônio e pronto! Não há mais o que explicar, questionar ou conjecturar. Salta aos olhos a visão do cara furibundo, a baba a escorrer de uma boca furiosa que profere os mais cultos e ferinos impropérios, ou debochados e “pornográficos” xingamentos; os olhos normalmente esbugalhados, o corpo tenso como um tronco de árvore, os membros a se movimentar de forma rápida e ríspida.
Mas o que eu não conhecia ainda, até umas três semanas atrás, é a versão sofisticada e insinuante do adágio. Uma estagiária, que segundo alguns é a versão “feminina” (com todas as qualidades clássicas prováveis que o adjetivo encerra) do Peruca, me entrou, outro dia, em pleno cartório, com aquele ar de quem havia visto o capeta e, tão circunspecta quanto um humorista inglês, nos contou que uma parte em disputa com outra numa audiência do Juizado Especial Criminal (aquele setor que, entre coisas, atende majoritariamente às reclamações do povão a crimes do tipo: “doutor, minha vizinha me chamou de corno”) lhe havia avisado, aos gritos: “moça, é bom chamar os brigadianos (os policiais militares do Rio Grande do Sul) que ela tá com o diabo lá dentro!”.
Juro que se não fosse o tom de humor contido da minha cara estagiária, eu não teria dado maior bola à frasesinha, tomando-a por sua irmã similar e mais comum, e teria continuado a maldita e insossa rotina dos cálculos judiciais – coisa, que no início é até interessante, mas depois de vinte anos se torna mais banal e sem graça que aquela matrona com que o leitor se casou aos quinze anos, gatinha linda, gostosa e doidona, e agora, aos sessenta, se tornou rabugenta e horripilante, o verdadeiro dragão do inferno.
O inusitado da situação, entretanto, despertou-me a atenção para a versão fora do comum da coisa. “Com o diabo lá dentro!?”. Antes de mais nada, dentro de quê? Se estar com o diabo no corpo é algo inespecífico, que não anima muitas dúvidas, o “lá” deixa a entender um órgão bem delimitado, de onde se extrai as mais diversas e estapafúrdias hipóteses!
“Lá” dentro onde? Na buceta, o que pode ser uma resposta tremendamente entusiasmante para os mais inveterados tarados, boêmios ou simples amantes, como eu, da coisa mais gostosa e linda que a natureza criou ? Ou simplesmente no fígado, no pulmão nos rins, caso em que a possível conseqüência, além das obviamente supostas (como no útero, quando poderá, segundo os badalados filmes yankees nascer o anti-Cristo de uma “Rosimeri” qualquer, ou até mesmo o clone do Inácio dos Noves Dedos), pode tanto ir de um devastador câncer a um incremento dos portadores da peste emocional fascista. A idéia de se localizar no cérebro, ou no coração não é muito criativa, já pressuposta na expressão “diabo no couro”, mas, para os cornos mansos, “ter o diabo nos cornos” pode até servir de alguma coisa…
Porém, a coisa não fica por aí. Se está lá dentro por onde (e como) entrou? Sabendo que as possíveis respostas da anatomia (excetuada a capacidade de atravessar matéria sólida) envolvem não mais que uns sete buracos, dos quais pelo menos uns três se prestam à mais safada orgia, devemos crer que não se trata, provavelmente, de um diabo qualquer (se bem que “entrar o diabo pelo cu” é algo meio “vulgar), brigão e impertinente como chefe de repartição pública e maldoso e intrigueiro como puxa-saco de patrão, mas “O Diabo”, com todas as qualidades que justificam sua fama de rebelde e imoral perante o moralismo judaico-cristão, assim como a seus congêneres greco-romanos (Dionísio e Baco), africanos (Exu e seus comandados) ou islâmicos (os djins, gênios não necessariamente identificados com o mal, mas que fogem ao controle da razão burocrática ocidental). Ou seja, um diabo folgazão, putanheiro e sem-vergonha, e, dependendo do possuído, até adepto da Marcha do Orgulho Gay!
Seja como for, o pior de tudo é saber como tirá-lo de “lá”. Afinal, contra um capeta tão sofisticado e especializado (que bem poderia se enfiar no núcleo básico de formação da matéria e energia e criar meios de destruição, ou de transformação inusitada, do mundo “concreto” que conhecemos bem mais complexas que as bombas nucleares ou os pretensos poderes para-normais ou a alquimia) não é qualquer exorcismo de padre gagá, broxa e/ou pedófilo que resolve! E muito menos a atitude bronca e direitosa de qualquer comandante de polícia militar estadual enfrentando revolucionários de palhaçada por aí a fora… Presumo que para expulsar este tipo de entidade infernal somente uma overdose do prazer maior que justifica sua localização na parte precisa do corpo pode surtir efeito! Isto se não for um diabo viciado. Porque aí não tem jeito mesmo.
Seja como for, fica lançado o desafio aos leitores que se animarem a comentar esta crônica: onde é mesmo que o diabo se encontra, por onde entrou e como é que vai sair?
Ubirajara Passos
Alguém pode achar que, com o título deste post, estou exagerando de vez e, na falta completa de criatividade, pretendo aumentar na marra as estatísticas do blog.
Confesso que a minha vaidade ergueu-se e cresceu até quase tocar o céu quando as visitas ao Bira e as Safadezas… chegaram próximo de setecentas ao dia, justamente com a publicação da Buceta Transgênica, e experimentei inéditos e impossíveis orgasmos múltiplos… emocionais. O que, para qualquer escrevinhador metido a intelectual é fantástico, muito embora não traga nenhuma vantagem financeira (que é a motivação de 90% da humanidade para fazer qualquer coisa, qualquer dia nego vai estar cobrando até pra espirrar) nem sexual (mais do meu agrado, mas, como boa parte das mulheres são umas puritanas em termos de linguagem, por mais devassas que possam ser na hora da trepada, tudo que consegui foi apavorar as dondocas pequeno-burguesas que eventualmente se aventuraram neste site),
É bem verdade, também, que a combinação de DDA (em fase de exaustão mental) e depressão não favorecem nem um pouco a originalidade e, não tendo ânimo para enfrentar questões mais complexas, acabo por pegar o primeiro mote engraçado que por acaso descubro navegando na internet ou lendo.
Mas o fato é que aparece, já há muitos dias, nas estatísticas dos termos de busca que as criaturas digitam nos googles da vida, acabando por acessar este blog, a expressão “lâmpada buceta”. O que, evidentemente, me atiçou a curiosidade a ponto dela por-se a uivar babando para a lua (a esta altua o leitor deve estar imaginando se apelidei meu pau de “vaidade” e possuo alguma cadela chamada “curiosidade, mas não se preocupe: são apenas metáforas ridículas para botar algum molho nesta insonsa crônica).
Vejam bem: qual será a relação entre lâmpada e buceta? De cara imaginei uma checheca carregada de eletricidade, soltando faíscas de tanto tesão, numa amperagem capaz de derreter o caralho do coitado que vier a penetrá-la, a ponto de ser capaz de acender uma lâmpada, devidamente acoplada. O que não seria tão original depois que já se viu muita “buceta fumando” (que é, aliás, outra frase freqüente nas estatísticas de visitação ao blog).
Mas a coisa pode ser mais filosófica e profunda, além de menos avançada tecnologicamente. Pode ser que o “gajo” que digitou o termo estivesse apenas em busca da buceta esotérica, capaz de levá-lo à verdadeira luz transcendental da vida e o do universo, pela simples contemplação ou pelo transe tântrico heterodoxo (que terminaria num gozo cósmico após umas quarenta e oito horas de foda).
É claro que também há as hipóteses mais banais e pouco criativas. Como um ginecologista a busca de alguma lanterninha com câmera para espionar o interior da perereca ou um pobre e modorrento devasso punheteiro querendo assitir um vídeo-clipe em que a gostosa leva um choque de prazer ao esfregar a xana numa enorme lâmpada fluorescente.
Seja como for (para encerrar este texto, que já está me cansando), resta a conclusão mais óbvia e piegas, mas, talvez menos lembrada. Não é exatamente o hippie essênio pré-anarquista de nome Jesus Cristo (ainda que ele o tenha afirmado) a “luz da vida”, mas a humilde e cálida buceta! Através dela penetramos ainda como uma de nossas partes formadoras (o corredor cocainado que atende por espermatozóide e só desiste da maratona após encontrar, e se fundir, com o óvulo) e (salvo hipótese de cesariana) é através dela que saímos do paraíso uterino para a vida, e é nesta ocasião que quase todo mundo vê a luz no fim do túnel.
Ubirajara Passos
O amigo do Peruca, o Caiu-sim-mermão (aquele mesmo que me propôs a franquia pirata do perfume alemão “Vulva Original”), é a própria encarnação da ironia e do sarcasmo. E, com seus dezenove anos de safadeza verbal militante (que já nasceu tirando sarro do obstetra e da parteira), já fez tantas que nem sei como chegou a tão longeva idade.
Outro dia, tendo faltado à aula devido à morte da octagenária avó (que realmente havia morrido, a coitada), após receber os pesarosos cumprimentos hipócritas dos baba-ovos e falsos moralistas de sempre, questionado sobre a causa mortis da saudosa senhora (um câncer em órgão que agora não me lembro), respondeu, com o mais debochado sorriso, que havia sido de acidente automobilístico. E, quando os “preocupadíssimos” companheiros de faculdade lhe perguntaram se a anciã havia sido atropelada, rematou: que nada, a velha inventou de fazer um racha com o Zé Doidinho e se espatifou contra um muro, cantando o funk da Injeção!
Mas seu último e, até agora, maior feito foi esculhambar de vez o Orkut. Entre outras canalhices, publicou a seguinte lista de filmes preferidos (que é real, e não fabulação deste humilde cronista):
EMBOSCADA ANAL NA POLINÉSIA
Garganta Profunda, o Retorno
MALU – A RAINHA DO ANAL PISCANTE
O Playground do prazer
Orgias do Carnaval 2004
GOZANDO EM ALTO MAR
LILI MANIVELA
2 Filhas de Chico
A MÃO QUE BALANÇA O BRÁULIO
XEREQUITAS
ÂNUS DOURADOS
AULA PRÁTICA DE MERGULHO ANAL
DESBRAVAMENTO DE BUNDA
INTERCÂMBIO SEXUAL
JORRADA NAS ESTRELAS
KID BUNDA
O DIÁRIO PROIBIDO DE SILVIA SAINT
PASSANDO A VARA #4
PASSEIO ANAL DE BICICLETA
PEGANDO NO CIPÓ
PORNOCASSETADAS
TROMBADINHAS TESUDAS
SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO PENETRADA!
RODÍZIO DE POPOZUDAS! (EL MATADOR ABRE O APETITE!)
OLÉ! LIBEREI NO MÉXICO – 2
INDIANA XÃNA
“GANHEI NA LOTERIA E FUI GOZAR EM BORA-BORA 2″
CONFISSÕES ENTRE COXAS
“QUEM VAI FICAR COM AS POPOZUDAS DO CARIBE?”
EXPERIMENTO URANUS 3
OPERAÇÃO BLITZ ANAL
Como se vê é um saudável e romântico repertório erótico, digno de admiradores do longa-metragem de Marlon Brando, Don Juan de Marco. Muchísimas gracias, y hasta la vista.
Ubirajara Passos
O imperialismo capitalista, insatisfeito em alugar nossos corpos e mentes para a execução do trabalho penoso e geração da sua requintada vadiagem, acaba de se apropriar da própria biologia humana, para júbilo da vigarice institucionalizada das patentes e royalties!
Não se trata de nenhuma clonagem “industrial”, nem da fabricação genética do “homo hibridus braçalis ” (o ser humano condicionado geneticamente para trabalhar obrigatoriamente como operário, nascido, de berço, sem vontade ou tesão e com QI e capacidade emocional pré-programados para não ir além de suas tarefas laborais, não especular ou questionar sobre nada, nem revoltar-se, mas pronto para obedecer, sem pestanejar, as ordens de seu dono).
Mas, a moda do milho híbrido (que se impôs no mercado ao po
nto de extinguir-se o milho nativo, criando a dependência da sua compra para obtenção de sementes do grão – que, por transmutadas, não reproduzem novo pé quando plantadas), da soja transgênica e da essência de ervas medicinais sintetizadas em laboratórios multinacionais (cuja utilização do princípio ativo só é possível mediante pagamento de “direitos” ao vigarista proprietário do laboratório farmacêutico), uma indústria alemã acaba de lançar nada além do que o “Perfume de Buceta”.
O produto, denominado sugestivamente de Vulva Original, foi desenvolvido, após um ano e meio de exaustivo trabalho, a partir de “substâncias orgânicas” (conforme entrevista do diretor de marketing da firma, Guido Lenssen, concedida à Playboy deste mês) e pode ser adquirido no site da empresa (www.vivaeros.com), mediante a módica quantia de € 19,90 (o equivalente, na cotação de hoje, a R$ 50,60, ou seja, um programa de uma hora na zona do baixo meretrício).
Assim os punheteiros de gosto requintado, fino trato e bolso fornido, poderão lotar de calos as suas macias mãos, sob a inspiração glamurosa e aromática de bucetas européias de boa procedência, sem ter de despender dinheiro e tempo em caros vôos internacionais. E as madames de alto coturno, fútil e delicada finesse (e robusta fortuna), tão desprovidas, porventura, de “encanto feminino” (e tão semelhantes a orangotangos), que nem a sofisticação fascinante de seu saldo bancário é capaz de seduzir o mais duro papeleiro ou o mais chapado bêbado, poderão se tornar lobas devoradoras de homens, irresistíveis fêmeas fatais, pela simples aplicação da miraculosa colônia em sua pele!
Mas a coisa vai muito além do que se imagina: com a sanha de lucro e dominação de que são dotados nossos ilustres burgueses internacionais (a alta rafuagem), qualquer dia uma pobre puta da rua Garibaldi, em Porto Alegre – ou uma laboriosa e sofrida colona do interior de Porto Lucena (destas que trabalha na lavoura de sol-a-sol, e bota no chinelo muito agricultor machão) – terá de tomar vinte banhos por dia ou ensopar a checheca de “Chanel n.º 5″ (o mais clássico e famoso perfume chique do mundo) para não ser condenada a pagar royalties para a “Vivaeros” pela exalação pública do cheiro de sua buceta.

E não tardarão a surgir movimentos nacionalistas e politicamente corretos destinados a defender a bio-diversidade vaginal brasileira. Os demagogos criadores de ONGs passarão a ter um campo fértil para se candidatar a uma vaguinha no parlamento federal, e, quem sabe, um deputado do Partido Verde, ou até um esperto parlamentar petista a serviço da “indústria nacional”, se não o próprio Inácio, não tratem de elaborar projeto-de-lei destinado à proteção legal da bio-diversidade das xoxotas nacionais, para as quais se emitirá o selo de certificação, e a reserva de mercado às empresas brasileiras, dos diversos tipos de odor de buceta – da índia, mulata, loira à nissei e polaca.
O “poder público” terá mesmo de regrar a competição neste novo e promissor mercado (cuja variedade de buquês é infinita: poderá se produzir essências como colônia de buceta mijada, odor virginal de perereca e perfume de “perseguida esporrada em êxtase”) e impedir, por lei, o monopólio do perfume de crica. Cuja cotação, aliás, tenderá a subir bem além do cachê das famosas da Playboy e beneficiará economicamente, pela diversidade, até mesmo as bucetas mais populares, usadas e carentes de embalagem sedutora. Quem sabe não será uma alternativa à prostituição formal (o cabaré e a zona) e informal (o casamento burguês)? Afinal renderá muito mais ceder os feromônios, e os líquidos da própria perereca, do que alugá-la como puta ou vendê-la como esposa.
Ubirajara Passos
Há coisa de uns dois meses, uma amiga (que me inspira o mais forte desejo de corpo e alma, embora não tenha achado coragem, até o momento, para abordá-la) me enviou, via e-mail, o mais novo sucesso da parada musical, que saltou de número em espetáculo teatral ao mais badalado vídeo e arquivo sonoro da internet, e rendeu à sua intérprete, merecidamente, até entrevista no Programa do Jô Soares.
O estouro foi tão grande que qualquer dia seu letrista será guindado a imortal da “Academia” (no que terá, certamente, mérito bem mais legítimo que o incendiário de marinbondos, o “amapaense” de São Luís do Maranhão, Sarney “Tem que dar Certo”). E, se bobear, nestes tempos em que o capitalismo yankee e europeu transforma tudo em propriedade e patenteia até capim da Patagônia, os brasileiros das mais diversas classes vão ter de pagar direitos autorais por berrar ou sussurrar, de becos a palácios, as frases centenárias do poema.
Não entendi, mesmo, como a melodia ainda não foi transformada em tons de campainha telefônica (ou estarei desinformado?), e alguma fábrica de refrigerantes não utilizou-a como jingle para incrementar as vendas!
O sucesso vem crescendo tanto que já suplantou, de vez, o “Rei” Roberto Carlos. E qualquer dia será cantado em seminário da FIERGS, curso de qualidade total, formatura, enterro, batizado, casamento, recital da Ospa no Teatro São Pedro (por pouco não abriu os Jogos Pan-Americanos), ou encerramento de culto da Igreja Universal.
E, dada a nossa desgraça generalizada, que o Inácio e seus capachos planejam piorar exponencialmente, a vibrante musiquinha (que o alemão Valdir, me disse, já adotou como mantra de relaxamento, ou “fashion” brado de protesto, além de recomendar como técnica reichiana para cura das reinas emocionais da humanidade) bem que poderia ser escolhida pelo povo brasileiro, em homenagem ao “paternal” e majestático “Inácio dos Nove Dedos”, como o novo hino nacional: “Vai tomar no cu,/ Vai tomar no cu, /Vai tomar no cu,/ Bem no meio do seu cu!/ Vai tomar no cu,/ Vai tomar no cu, /Vai tomar no cu,/ Bem no meio do seu cu!/ Vai tomar no cu/ Vai, vai, vai, vai,/ Vai tomar no cu/ Vai, vai, vai, vai,/ Vai tomar no cu,/ Bem no meio do olho do seu cu!”
(http://br.youtube.com/watch?v=dHpSCHxb780)
Ubirajara Passos
Outro dia o Alemão Valdir, necessitando urgentemente resolver um problema de acesso com o seu provedor da Internet, telefonou para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (o “SAC”, cuja sigla mais apropriada seria “SACO”) e, depois de meia hora submetido à mais sutil e desmoralizante tortura criada pelo capitalismo “pós-moderno” (a famosa musiquinha repetitiva, em tons eletrônicos, tocada do outro da linha), se viu num dilema típico do mecanicismo burocrático que tomou conta dos mais diversos ramos do trabalho.
Ao invés de informá-lo direta e concretamente que os funcionários que poderiam resolver-lhe a engresilha já estavam atendendo outros desventurados clientes, a telefonista, com voz metálica, doce, e carregada da solicitude padrão da ideologia da qualidade, diante da tela de computador da central telefônica, disparou a frase enigmática: “Nossas posições estão ocupadas, o senhor aguarda?”
O velho revolucionário, com o saco mais cheio que malote de carro-forte em dia de pagamento de salários, por pouco não proferiu um protocolar vai à puta que pariu, embasbacado diante da voz quente e, contraditoriamente, burocrática.
E, por alguns instantes, se viu envolto nos mais loucos devaneios. Que negócio era este de posições ocupadas? por acaso ligara para o bordel (ou para o Congresso Nacional, o que quase dá no mesmo – o cabaré é mais pudico), serviço de tele-sexo ou estacionamento de centro de cidade grande? E a que posições se referia a gatinha? Seria o tradicional papai-e-mamãe, uma foda selvagem de quatro, um sessenta-e-nove grupal de dez casais, uma fêmea gemendo sobre o macho ao som da “Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner? as posições de defesa do salário mínimo do Dieese – R$ 1.500,00 – para a peonada por um senador de esquerda convicto? (não! esta posição não existe mais! a “postura” da moda entre a politicalha de Brasília, agora, é aquela do macaco que foi pego pelo rabo com a mão na cumbuca!)…
Mas antes que perguntasse o preço do programa ou a tarifa da propina, despencou abruptamente do sonho: “Senhor, três de nosso vendedores acabam de ser liberados! Que tipo de caixão o senhor deseja mesmo?”
Ubirajara Passos
Há pouco eu lia a orelha do clássico erótico francês “Anti-Justine”, escrito no final do século XVIII, que adquiri, faz uma semana, em edição de bolso da L&PM (a mais nacional das editoras gaúchas), e dei com o trecho final do comentário ao livro onde consta o seguinte: “Escrito em 1798, Anti-Justine foi publicado pela primeira vez em 1863, em tempos de banalização do sexo e do corpo, é nada mais que atual.” (grifo meu).
Antes que os leitores mais revolucionários e anti-moralistas se engasguem com a cachaça de cabeceira, vou esclarecendo: não tive nenhum ataque de recaída aos meus tempos de piá católico hipócrita (aí pelos quatorze anos), quando batia as mais homéricas punhetas, munido de uma simples revista “Ele-Ela”, e, oficialmente, chegava a professar a virgindade masculina antes do casamento! O fato é que putaria, foda (que sexo é um termo muito “puro”, neutro e tão higiênico quanto uma asséptica luva de dentista), o corpo de uma mulher para mim sempre foi um acontecimento espetacular!
Tanto que o simples ato de meter, sem as lambidas, bolinadas e chupadas (e principalmente sem o clima de festa irreverente, bêbada e hilária entre o casal), não tem simplesmente graça nenhuma! É preciso, antes de adentrar com o falo em brasa o porta-jóias de coral de uma mulher, antes de fazer-lhe os louvores cálidos e suaves de uma língua úmida e lábios sacanas, tremer de tesão ante um rostinho lindo, terno e malicioso, e desmaiar de prazer ante o liso de umas coxas roliças, sedosas e inquietas (que são uma festa para as mãos incertas)!
Mas basta assistir um filme pornô brasileiro padrão (destes que copia, com a mais requintada incompetência, o pior do padrão americano – cujas fantasias, em razão do puritanismo disseminado em sua sociedade, são as do mais bronco piá pré-adolescente barranqueador de égua) ou ouvir as narrativas das aventuras de uma gata pequeno-burguesa (nem precisa ser de um destes deslumbrados “boys” metidos a bom) para se dar com a falta de sal, de prazer genuíno e safado, e o mecanicismo (quando não o sado-masoquismo implícito e medíocre) do imaginário sexual do século!
Quanto à putaria mais estrondosa da internet e o discurso sexual da novela das oito da Rede Globo, nem se fale! Nosso tataravós (os pais dos trisavós) eram bem mais lúbricos e criativos! Qualquer dia um guri novato na sacanagem vai achar que trepar é subir num pinheiro e esfolar a piça no seu tronco!
Ubirajara Passos