O Assassinato de Cristo – VIII

Penúltima parte do último capítulo d’ “O Assassinato de Cristo”:

O novo líder terá mais inimigos entre seus amigos mais próximos e menos inimigos, porém mais perigosos, entre as multidões. Cada místico esquizofrênico, cada fanático religioso, cada político ébrio de poder é seu inimigo potencial ou eventual assassino. Não aderirá à crença no martírio. Desejará viver, e não morrer por sua causa. E ele se preparará cuidadosamente contra o desastre. Terá uma arma carregada em sua casa e, se puder, terá cuidado com quem permite entrar em sua casa. Viverá uma vida solitária e evitará tanto quanto possível a sociabilidade vazia, tagarela, falsa.

Manter-se-á à distância das pessoas, sem, no entanto, desprezá-las ou sentir inimizade por elas. Isso ele terá ganho em árduas batalhas contra si mesmo. Quando inicialmente encontrou a falsa admiração das pessoas e a fúria de seu obter algo em troca de nada, sentiu-se inclinado a se juntar ao líder conservador da sociedade que sabe que as pessoas são assim e que nunca sonhou em mudar isso. Compreenderá inteiramente o espírito do pioneiro americano da indústria dos anos 1880. Mas também superará o “imobilismo” do industrial conservador de 1960.

Compreender os motivos do comportamento das pessoas e mesmo assim não ser vítima da sua piedade por elas e da salvação delas, tal como acontece com o mascate da liberdade, será uma tarefa maior a ser fielmente cumprida. Como podem alguém conhecer a situação de uma mulher do campo com dez filhos e ainda esperar que ela não faça intrigas e que diga francamente o que pensa, exatamente como o sente em suas entranhas?

O mascate da liberdade prolongaria a miséria dela pela tímida “compreensão” de suas intrigas malignas sobre o vizinho, o que significaria confirmá-las. O novo líder poria de quarentena uma mulher maligna, intrigante, através do ostracismo social. A intriga é assassinato e o oposto exato da opinião livre de um homem ou mulher livres.

Os mascates da liberdade são sustentados pelas máquinas de inteligência cerebral cuja única função é manter seus genitais mortos. Essas inteligências cerebrais, walkie-talkie, são os fiadores cerebrais da peste. Elas podem despejar montanhas e rios bem na tua frente. Elas podem conversar fiado sobre o cheiro de cada flor, desde que são microfones secos de uma verdade há muito passada sem emoção ou alma. Elas povoam os gabinetes de muitos governos modernos, progressistasf. ~São os talmudistas do evangelho marxista. São horríveis. Cada sentimento vivo é morto por sua simples presença. Não sabem chorar e não sabem soluçar soluçar. Amam com seus cerébros e odeiam com seus genitais. É impossível ser humano em sua presença. O homem ou mulher de trabalho para eles é um instrumento da “necessidade da histórica”, e nada mais. Portanto, não hesitarão, enquanto eles mesmos estão sentados a salvo no santuário da Manchúria, em mandar milhões de pobres rapazes chineses uniformizados, chamados “voluntários”, para a frente das bocas dos canhões americanos na Coréia, simplesmente para provar a “eterna vigilância e a coragem da vanguarda bolchevista”. São o despontar de uma era mecânica degenerada, formando uma religião a partir de suas elocubrações intelectuais. Tudo isso o novo líder terá de saber.

Ele também saberá que estes mecanicistas crebrais, enquanto fodem a torto e a direito, odeiam o amor autêntico do corpo como a um veneno e portanto obstruirão a ferro e fogo qualquer tentativa de reconstrução da estrutura de caráter humana. Subordinarão os problemas humanos a um único aspecto: o estômago do cão segrega saliva quando ele ouve uma campainha que de outra vez soara ao mesmo tempo que ele via carne. Isso é tudo. Isto não é o materialismo perfeito? É. De perfeito acordo com esta concepção dos problemas humanos, o cerébro deles segrega inteligência quando eles sentem o cheiro de poder. Isto é tudo que restou de um grande ensinamento da emancipação humana.

O novo líder defrontar-se-á com muitos perigos e ciladas. Entre estas, o medo que as pessoas têm da peste intrigante que estrangula seu saber simples em suas gargantas apertadas e amedrontadas. Ele terá de reconhecer os primeiros sinais da presença de uma peste oculta. Terá aprendido que uma única pessoa pestilenta pode transtornar toda uma comunidade pacífica, da mesma forma que uma simples tonalidade errada numa orquestra pode transtornar a mais bela sinfonia.

Saberá que a peste é contagiosa. De algum modo, ela consegue puxar para fora a peste latente nas pessoas mais decentes, ninguém sabe até hoje como. podes perceber que isto está acontecendo pela confusão que, de repente, como se não viesse de parte alguma, irrompe num grupo de pessoas harmoniosamente cooperadoras, se só um caráter pestilento estiver presente; uma vez que tenhas aprendido a farejá-plo, é imediatamente reconhecível por um cheiro emocional definido.

Nosso novo líder defrontará com um outro fato dos mais peculiares: as pessoas que pareciam ser as mais devotadas e confiáveis em sua cooperação com a Vida viva começarão a se reunir em torno do centro que espalha a peste. Parece que isso acontece porque a peste oferece a emoção do heroísmo sem o esforço da resistência heróica. isso parece proteger a alma humana de sua própria profundidade emocional. O processo de reconstrução das estruturas de caráter humanas precisa necessariamente de séculos de esforço vigilante contínuo, persistente, por parte de muitos educadores e médicos da alma. O educador pestilento terá pessoas agrupadas ao seu redor pela simples razão de que prometerá um sistema perfeito de educação sem esforço, dentro do prazo de um mês. É só lhe mandar crianças que ele fará isto. Ou, por que se aborrecer examinando cuidosa e habilidosamente a dinâmica da peste que está envolvida no sistema emocional de alguém? Não é mais simples entregar-se à dianética, que não só cura todos os doentes na brisa de uma simples sopro, mas, além disso, capacita a alma, tão rapidamente purificada, a exercer a mesma ação rápida sobre muitas outras almas doentes?

Porque a peste é o resultado da evasão da profundidade das coisas e porque as pessoas em geral têm medo do profundo, elas rapidamente escolherão a peste e abandonarão a tarefa penosa, a longo prazo, do trabalho decente. Só se isso for plenamente compreendido, é que a peste poderá ser superada nos domínios da educação, medicina, administração social e higiene pública.

Portanto, a nova liderança manterá as múltiplas manifestações da peste sob cuidadosa vigilância. Aprenderá como conhecer em tempo e como atacar diretamente o pestilento obstrutor de todo esforço humano frutífero. A pessoa portadora de peste é vazia e, por isso, covarde. Ela sai furtivamente à noite, mas desaprece à luz limpa e clara do dia.

Os liberais dirão que a peste também tem direito ao livre discurso. Sim, mas apenas ao ar livre, aberto, não no canto escuro do meu quintal, no meio da noite, empunhando uma faca, pronta a golpear-me pelas costas.

O auxílio prestado à peste pelo espírito liberal é enorme. O novo líder terá de vencer a defesa da peste por parte do espírito liberal. Ele reprovará a desculpa de que “sempre foi assim” e que, portanto, pode continuar sendo assim por toda a eternidade.

O novo líder explicará ao liberal que vigiar sorrateiramente um semelhante no escuro da noite, ou mandar-lhe, de presente de aniversário, um buquê de flores que explode em seu rosto, não tem nada a ver com a livre expressão da opinião racional, mas é um covarde Assassinato de Cristo. Passará horas difíceis convencendo o espírito liberal de que mentirosos e assassinos e intrigantes e conspurcadores da honra são criminosos conbtra a segurança da liberdade e felicidade dos homens, mulheres e crianças. Terá de conseguir convencer o mundo ao seu redor de que, finalmente, alguém deve começar a aprender a decifrar honestidade e desonestidade nas faces dos representantes asiáticos ou europeus ou americanos, para distinguir o vil espião do representante de uma administração social.

O menosprezo pela psicologia prática e a demora no estudo da expressão do caráter custaram ao mundo ocidental os segredos sobre sua arma atômica, que tão ardentemente tentaram proteger. É claro que bombas nunca mudarão o mundo. Pôr em ação as qualidades vivas mais profundas das pessoas o mudará. Mas a proteção contra a peste é possível quando se identifica a expressão de um vilão no rosto de um enviado diplomático; isto faz parte da tarefa de pôr em ação as qualidades da Vida viva nas pessoas.

Neste ponto, os espíritos liberais, submissos, tornam-se realmente perigosos. Fracos em suas entranhas, sem nenhuma perspectiva diante de si mesmos, apoiados apenas na grande doutrina do humanismo, válida outrora, entregaram a sociedade alemã aos nazis, e poderão conseguir entregar a sociedade americana aos espiões costumeiros do império reacionário russo. Embora talvez  talvez não o sintam ou não o saibam, esses liberais impressionararm-se profundamente com a habilidade e demonstração de força por parte dos generais da peste organizada; sucumbem à tentação como virgens enfraquecidas pela abstinência que se submetem ao cavaleiro da armadura brilhante. Cuidado com os espíritos que sempre aparecem submissos e de fala macia e que nunca elevam suas vozes com raiva ou revolta contra o mal. Existem muitas víboras entre eles, prontas a trair Cristo em nossas crianças por trinta dinheiros. Estão apenas interessados em suas próprias emoções falsamente honestas. Ao proteger um assassino de Cristo, esquecem que milhares poderiam ser salvos do mal. Indiretamente incumbem a peste de cumprir o que eles mesmos são incapazes de realizar. Suas entranhas são cheias de ódeio verde e de anseio por assassinar. São os mais perigosos na medida em que usam os sonhos mais pacíficos e inocentes das pessoas para seus feitos malignos.

Aprende a apoiar o homem ou mulher que é direito e correto na expressão da opinião e que sabem bem quando amar e quando odiar; o que preteger e o que abandonar à sua própria sorte; que sabe e vive o amor do corpo e a tristeza da alma, e que sabe o que são lágrimas em noites silenciosas. Esses são os odiados pelas máquinas de inteligência walkie-talkie e pelos falsários que babam palavras de mel, com veneno oculto nelas para matar a vítima crédula.

O novo líder tomará cuidado com o oportunista, o saco vazio que salta em teu carro cheio de frutos ricos de teu trabalho árduo para encher a si mesmo até a boca, apenas para te esfaquear mais tarde, ou tornar-se maior que tu e extrair o poder sobre as pessoas de teus esforços intensos, sem mover um dedo.

Cuidado com ele, que não ousar olhar firme e direto em teus olhos, que sempre desvia o rosto de ti para que não o vejas e conheças. Ele será o próximo presidente da tua organização e tomará tudo de ti e te expulsará, não importa o quanto tenhas feito para erigi-lo. E ele não se importará com aquilo que foi tua preocupação por muitos anos. Apenas quer encher seu ego vazio, infinitamente, sem esforço. O pior de tudo é que: ele não sabe absolutamente que te está traindo. Assim se desenvolve sua argumentação: ele não teve tudo vindo até ele, sem esforço? Não será assim porque sua mãe o frustrou quando era um bebê, e, aogra, não terá ele todo o direito de te sugar até te secar e te esvaziar e então te esfaquear pelas costas? É claro que ele tem,  e ele não compreende, de forma alguma, que questiones esse direito. Ele é um daqueles que deturparam o amor combativo de Cristo pelo homem, transformando-o na idéia maligna de que o homem tem de desistir de tudo o que possui para que Modju possta ter tudo em troca de nada.

Da mesma forma, muitos libertadores malingos de povos provêm de uma infância frustrada; mas não importa sua infância. Importam as crianças ainda por nascer.

O líder honesto de homens enfrentará desconfiança para com seus feitos porque esses sanguessugas encheram o mundo com seu sugar ardiloso, assassino, sugando poder e conhecimento e amor e auto-estima e posição e honra daqueles que possuíam esses dons naturais em abundância. Eles nunca poderiam reproduzir e alimentar esses dons, e portanto tinham de continuar a sugar outras vítimas até secá-las, por todas as suas vidas. Desconfiar-se-á da honestidade porque a sociedade humana acostumou-se à conduta desonesta. Se deres honestamente sem esperar nada em troca, serás suspeito de fraude. Se deres tua alma a teus discípulos para fazer deles conhecedores e doadores, o mundo perguntará “onde está a armadilha?”. E isto é assim por causa dos sanguessugas que sugaram o mundo até secá-lo.

O ASSASSINATO DE CRISTO – VII

 

Terceira parte do último capítulo de “O Assassinato de Cristo”, do mestre Reich:

É sempre a estrutura de caráter média daqs massas que determina a natureza e atividade da liderança. Essa tem sido uma das observações mais certas da orgonomia social. Ela é válida tanto para o rei como para o ditador. Reis e duques e ditadores e padres e mascates da liberdade são produtos do povo. Isso vale também para nosso novo líder. O líder do futuro, que terá aprendido bem a lição do Assassinato de Cristo, será também um resultado da estrutura de caráter do povo em geral.

A necessidade de conhecer a importância básica da conduta social do homem mediano foi imposta ao mundo pelas ditaduras que se desenvolveram a partir do brado do povo “Heil, mein Führer. Deve-se esperar que, exatamente da mesma forma, a grande compulsão do povo para Assassinar seus Cristos impeça a emergência de um novo tipo de líder dos homens.

Observe os estas características tal como elas necessariamente devem emergir daqueles traços de comportamento do povo que culminam, periodicamengte, no Assassinato de algum Cristo:

O novo líder terá de escolher entre a aclamação peals pessoas e a fidelidadeà sua percepção do que as pessoas fazem a si mesmas por seu eterno imovilismo. Conseqüentemente, ele fará pouco do que compõem as ações do político de hoje. Não se servirá da aprovação do público. Perceberá que a tal aclamação, por mais reconfortante e agradável que seja, por mais que pareça dser “reconhecimento”, é o primeiro passo certo para a extinção daquilo que ele afirma. Portanto, não se importará ou mesmo tentará evitar tanto quanto possível o que é chamado reconhecimento público. A reivindicação de “reconhecimento” é, da parte do pioneiro, medo de ter de ficar sozinho, e da parte do povo em geral, é covardia de pensar por si mesmo. A reivindicação de reconhecimento é basicamente medo da não-conformidade e do conseqüente ostracismo social.

Isto não significa que o novo lídr desempenhará o papel de uma moça desprezada que não tem com quem dançar. Ao contrário, sentirá maior independência na realização dessas tarefas. Isso exigirá muito maior determinação e força genuína do que se exige do político que escala alguma árvore social. Isso dará muito maior solidez às bases da atividade do novo líder.

Isto não significa que este novo líder irá desprezar as pessoas, ou que não estará desejoso de aclamação pública. Se ele tem de fazer sua tarefa, permanecerá humano até o final. Mas sabendo por que o povo confere honras às vítimas de sua adoração, escapará silenciosamente dessa armadilha, como um bom educador que evita certas ações quando sabe que elas não servirão ao seu propósito último de ajudar adolescentes sob determinadas condições.

Conseqüentemente, o novo líder não “irá ao povo”; não “escreverá para o povo” e não tentará “convencer o povo” da verdade ou da importância social do seu conhecimento. Escreverá sobre que coisas que ele acredita serem  verdadeiras e não para o povo. É extraordinário descobrir como os ensinamentos humanos mais elaborados e mais realistas acabam sendo vítimas do velhos hábitos de fazer coisas “para o povo” ou de “entrar no meio do povo” para lhe ensinar o que parece ser bom para ele.

Se o povo precisa do bem e do amparo e do esclarecimento, deixem-no procurar isso; deixem-no encontrá-lo por si mesmo. Deixem-no desenvolver a habilidade de distinguir as palavras de um vilão ou de um político tagarela ou de um mascate da liberdade, dos ensinamentos de algum homem sério. O problema não é o fato de Hitler ter desejado o poder, mas o fato de consegui-lo. É um grande problema: como puderam milhões de homens e mulheres adultos, laboriosos, eficientes, sérios, deixá-lo ter poder sobre suas vidas.

Nessas mudanças de concepções básicas sobre o povo, o novo líder crescerá em sua tarefa. Uma nova regra, que à primeira vista soa estranha, está tomando corpo:

Se ouvires a salvação ser proclamada de uma maneira que pertence ao passado, deves suspeitar de que a verdade está exatamente na extremidade oposta da linha.

Isto é absolutamente natural em face da característica básica do homem de evitar o essencial e apegar-se ao supérfluo. Se uma geração inteira de psiquiatras, após ter estudado com empenho o núcleo energético das ideáis confusas do homem sobre sua existência, encontrar o sexo frustrado como o denominador comum de tudo, podemos estar certos de que o povo em geral tentará escapar disto e estimulará e tornará famosas as escolas psiquiátricas que eliminarem esta parte crucial do conhecimento, substituindo-a por alguma besteira-padrão, banal, de uns cem anos atrás, vestida como uma boneca nova para se brincar com ela inocentemente. Ela encontrará seu apóstolo que assim se elevará ao topo das ondas da aclamação política. Deixem-nos! Eles não farão muito mal enquanto houver centros que mantenham limpas e claras as questões. Certamente, haverá períodos de desgaste quando a doutrina evasiva cair como uma folha podre e quando aquilo que esteve crescendo em silêncio, por muitas décadas, pronto a emergir na corrente geral dos temçpos, for buscado ansiosamente.

O novo líder sentir-se-á impaciente, mas aprenderá a esperar eternamente. Ele saberá, ou aprenderá pela experiência, que não é possível  às boas coisas da vida subirem ao céu como foguetes, que elas precisam crescer lentamente, que em desenvolvimentos cruciais nenhum passo pode ser saltado sem pôr em perigo o todo, e que as coisas duradouras devem testar suas asas em pequenos perigos muito antes de transformarem o mundo em grande escala, crescendo através dos perigos. Só é possível esperar pacientemente se não tens ambição de conduzir ou salvar as pessoas. Deixa as pessoas salvarem a si mesmas. Fará muito bem a elas aprender como é se afogar devido à própria estupidez. Essas lições nunca são esquecidas e produzem inúmeras novas possibilidades.

O antigo líder teve de aprender como fazer amigos e como evitar fazer inimigos. Para fazer amigos, foi preciso destruir a essência das idéias mais frutíferas. Formulações cortantes tiveram de ser suavizadas a fim de não ofender ninguém, arestas tiveram de ser aparadas, e a expressão indireta teve de substituir a direta e aberta: o modo furtivo, absolutamente de acordo com o medo que as pessoas têm do contato imediato, prevaleceu. Entretanto, o povo sempre prefere o homem decidido ao político. Elas o temem mais, é verdade; elas o evitam e parecem apreciar apenas o deturpado. Mas, no final, sua admiração, mesmo que apenas de uma grande distância, é pela retidão.

Aqui a cisão básica em sua própria estrutura se revela: elas vivem, na verdade, de acordo com as regras da evasão do essencial, mas desejam, ao mesmo tempo, o contato direto, pleno, simples com as coisas. As pessoas acabam se saindo bem, realmente. Conhecer esse medo inicial ao direto e correto nas pessoas é um dos maiores requisitos do novo líder.

O novo líder não tera medo dce fazer inimigos, se for necessário. Não deixará de pensar corretamente pelo fato de alguém poder odiá-lo por isso. Mais cedo ou mais tarde aprenderá que alguns de seus inimigos são amigos muito mais chegados e muito mais conhecedores de sua essência do que muitos dos amigos mais chegados. Ele não tentará provar sua opinião ofendendo as pessoas, mas distinguirá a ofensa pela própria ofensa da ofensa por se dizer alguém que é certo. O que certamente mata a peste política política que assola este século XX é o modo pelo qual os fascistas atacaram seus inimigos com uma verdade profunda, a força do anseio ardente pela Vida; contudo esta força foi usada apenas no sentido negativo, não da forma positiva. Eles realmente não tinham nada a oferecer e foram vítimas do fraco que o povo tem por espetáculos de demonstração de força e resistência. O novo líder será naturalmente firme, mas não terá nenhuma característica intrínseca de showman, na medida em que se trate de ter força. Se necdessário, baterá com força, mas sempre honestamente.

Depois de muitas e perigosas experiências com o apego do homem  ao forte, o novo líder lentamente desenvolverá uma sensibilidade aguda para perceber as pessoas inclinadas a se apegar como um piolho ao cabelo ou como uma sanguessuga à pele. Perceberá o amigo que irá caminhar um pouco para então permanecer no lugar como uma mula, não se movendo nem uma polegada, obrigando assim o agente a refrear o passo ou parar de se mover junto com ele. O novo líder também conhecerá bem o ódio que em geral se desenvolve em pessoas que são deixadas para trás, instaladas no imobilismo. Cuidadosamente, ele se porá em guarda contra essas possibilidades, fazendo menção, constantemente, a esta característica proeminente dos homens que são sanguessugas. Ele lhes dará como que injeções mentais profiláticas, dizendo a eles de antemão o que eles provavelmente estarão inclinados a fazer contra ele caso os deixe para trás, imóveis, sem fazer nada. Para sofrer menos com a perda do líder, eles o farão parecer ruim, menos importante, retratá-lo-ão até mesmo como um mau-caráter.

O novo líder enfrentará a dolorosa tarefa de amar as pessoas e, ao mesmo tempo, não se tornar ligado a elas da maneira como acontece usualmente; conhecer a fraqueza delas, sem desprezá-las ou temê-las. Antes de tudo, ele enfrentará a solidão, a vida em amplos espaços sozinho com apenas alguns amigos. E mesmo esses amigos poderão vir a ser intrusos provocadores ou incômodos, uma vez que todos querem a salvação. Cada um, de algum modo, deseja algo dele. Pouco a pouco ele ficará sabendo, com espanto, o quanto são infinitos os desejos que as pessoas têm de obter coisas. Não o que elas querem. São o desejo e a obtenção que importam. E ele estará bem consciente do preço que lhe é pago pela obtenção: admiração vazia. Conseqüentemente, não cairá na tentação, tão comum ao político, de embeber-se com esta admiração como uma esponja.

O novo líder terá de atuar sem muitas das coisas que usualmente compensam as várias dificuldades da liderança. Não gozará da facilidade com que os movimentos geralmente se difundem por meio da exaltação do líder. Sempre terá consciência de que aquilo que conta é o que um líder descobriu ou disse ou propõe, e não o que ele próprio gostaria de desfrutar. Terá aprendido da história passada que o sacrifício da essência do trabalho duro de alguém é o preço pago pelo sucesso formal. Em suma, sempre terá consciência da tendência bem oculta nas pessoas a ver as coisas apenas no espelho, a assumir grandes coisas apenas para torná-las impotentes, a se preocupar muito mais com a admiração por alguém do que com aquilo que esse alguém ter a oferecer, a se reunir em torno do que não é importante e levar o que é crucial à impotência.

Com isto, o novo líder fará com que muitos se voltem contra ele. Ele terá roubado a esses muitos um objeto ao qual possam agarrar; um pé de feijão sentiria o seu conforto roubado se tirássemos a estaca que o apóia.

O novo líder terá de se arriscar a permanecer ignominioso por toda a vida. Mas também estará certo de que é muito melhor para sua causa e para o bem público ele permanecer sozinho do que ver sua boa causa tomar conta do mundo de forma ruim, de forma contrária ao que se pretendia, a tal ponto distorcida pelas pessoas que poderá desencadear o desastre. Isto se aplicará especialmente quando estiverem envolvidas questões de vida sexual. O animal blindado inevitavelmente criará uma religião da foda a pargtir do fato extraordinário da potência orgástica, assim como criou o sistema mais elaborado, mais infernal de espionagem e de espoliação contra a liberdade a partir da antiga boa conspiração dos combatentes revolucionártios pela liberdade.

O novo líder sentir-se-á de certa forma reconfortado pela convicção de que a verdade e aquilo que é útil ao povo irão acontecer invevitalmente mesmo que isso leve um milhão de anos. Ele ainda não fará nada PELAS pessoas, mas simplesmente fará coisas, fazendo-as bem. Novamente, deixará as pessoas salvarem a si mesmas. Saberá que ninguém mais pode fazê-lo por elas. Simplesmente viverá à frente das pessoas e deixará que elas se juntem ou não a ele. Será antes um guia do que um líder. O guia apenas conta como chegar a salvo ao topo da montanha. Não determina qual montanha o turista deseja escalar. O novo líder pode muito bem estar conduzindo um mundo inteiro sem que ele mesmo saiba que está conduzindo, ou sem o que o mundo esteja ciente de que está sendo dirigido por este único líder. Cristo foi um líder assim. O modo de ser do novo líder, suas idéias, sua conduta e objetivos podem ter penetrado imperceptivelmente  a mente pública, sem que ninguém tenha notado. Pode ser que ele ainda tenha de assumir a culpa por distorções que não são de sua autoria ou por males que nunca propôs, e pode, no final, ser crucificado exatamente como Cristo  o foi, mortalmente. O novo líder saberá que isto poderia muito bem acontecer a ele. Sente-se responsável não pelo povo mas pelo que está acontecendo no mundo, exatamente como cidadão do mundo se sente responsável pelos eventos mundiais. Esta é também uma nova característica da nova liderança: o sentimento de responsabilidade em cada cidadão do mundo por tudo o que está acontecendo, mesmo em cantos longínquos do globo. O saco vazio, tagarela, tapa-nas-costas, mexeriqueiro, piada-suja, fodedor, de um cidadão irresponsável de um páis livre é uma coisa do passado. Isso é certo.

O ASSASSINATO DE CRISTO – VI

 

Segunda parte do último capítulo de “O Assassinato de Cristo” de Wilhelm Reich:

A partir de sua própria experiência dolorosa e perigosa, nosso líder saberia que tornar-se um líder das pessoas com a estrutura que elas têm significaria que uma das seguintes coisas aconteceria.

Ele se entregaria plenamente aos caminhos do povo e, com ele, permaneceria imóvel no lugar. As grandes promessas e expectativas e programas logo seriam meros recitais de feriados e litanias rotineiras sem nenhum significado ou qualquer sentido. As pessoas estariam silenciosamente desapontadas, mas não falariam muito para efetuar uma mudança, pois tudo isso estaria absolutamente de acordo com o seu letárgico imobilismo. Esse imobilismo continuaria até que aparecesse o tipo mais ativo e aventureiro de líder.

Esse outro tipo de líder seria igualmente uma vítima da necessidade que as pessoas têm de salvação e promessas de céu na terra. O futuro ditador é desse tipo. Ditadores desse tipo se entusiasmam pelos anseios genuínos das massas. São seduzidos a prometer ao povo tudo o que o povo deseja ouvir.

Absolutamente ingênuos e honestos (a menos que demos conta desta honestidade dos ditadores, seu poder sobre o povo não pode ser realmente compreendido), eles juntarão as esperanças do povo, impossíveis de realizar, às suas próprias esperanças, impossíveis de realizar, até que tenham erigido diante do povo um edifício magnificente de um grande império, de um céu final, de poder e glória ou de uma terra onde só mel e leite correm nos rios.

Ao fazer isso, esses líderes acreditam honestamente que conduzem e dirigem as pessoas, que são os salvadores da sociedade. Não têm nenhuma consciência de que apenas caíram presas do mais típico e mais pernicioso dos sonhos dos povos por toda parte. Foram arrebatados por um rio gigantesco, e ainda acreditam que eles são os únicos que fazem o rio fluir. É claro que são apenas marionetes agindo como grandes imperadores do rio que realmente os carrega e os arrebata. Eles não têm a menor idéia a respeito da natureza do rio no qual são carregados desamparadamente; nem saberiam nada sobre como dirigir o rio para um tipo diferente de leito ou como construir uma barragem contra seu poder de inundação. São como os palhaços de circo que fazem certos gestos para fazer o público acreditar que eles são os únicos que fazem o show começar ou para, que movem montanhas no palco pelo simples gesto. São como mágicos que mantêm as pessoas pasamas até que os truques sejam  plenamente revelados e outros mágicos com diferentes tipos de truques apareçam em cena.

Nosso líder, que não é deste tipo, sentiria e se comportaria, pelo menos por um momento ainda, como um ditador, levado por sua inclinação natural a saborear cada pequena porção dos negócios humanos, para conhecer tudo por sua própria experiência pessoal. Nosso líder, portanto, também se deixaria conduzir no topo das ondas de adoração do herói humano. Seu gozo com a louvação teria de ser genuíno a fim de realmente saber como é ser louvado e adorado e encarado como o salvador do povo. Ele seria diferente do verdadeiro futuro ditador na medida em que, mais ou mais tarde, desenvolveria um gosto ruim em sua boca quanto a toda louvação e os gestos do povo à espera de salvação. Certamente ele se sentiria, de alguma forma, esvaziado da seiva de sua vivacidade e produtividade natural. Sentiria que esteve gastando espíritos e idéias. e certamente começaria a sentir a insensibilidade e o vazio das formas estereotipadas, sempre reincidentes pelas quais o povo torna seus líderes orgulhosos de si mesmos. Apenas nos primeiros tempos ele sentiria que o ardor dos discursos é levado a sério; que a determinação manifesta de trazer o bem para este mundo é auto-sustentadora; que, uma vez no poder, era só ir até a miséria e varrê-la com uma grande vassoura.

Embriagado de tal forma por espíritos embusteiros e por uma disposição crescente de salvação, nosso líder começaria a se sentir rançoso. E faria uma das descobertas mais perturbadoras:

ELES REALMENTE NÃO PRETENDEM ISSO. É tudo um espetáculo de bondade. Não é mais do que uma promessa vazia. Isto ele perceberia em pequenas questões; questões que usualmente não chamam muita atenção.

Naturalmente, nosso líder se deve cumprir sua função, tem de saber como trabalhar, como realizar uma determinada tarefa, como fazer a vida com as coisas práticas, como construir uma mesa, como tratar de um ferimento, ou como deter a ansiedade asfixiante em uma criança, ou reparar uma situação confusa de uma família, ou pilotar um helicóptero, ou polir vidro para fazer lentes, ou derrubar uma árvore, ou pintar um quadro, ou decifrar o enigma de uma doença, ou dispor um experimento a fim de resolver um problema da natureza, ou como emprender o tratamento de um adolescente na agonia da frustração genital e muitas outras coisas altamente desinteressantes para a alma de um ditador.

Nosso líder, em suma, saberia como trabalhar e o que realmente significa trabalhar; quanto esforço, esforço detalhado, minucioso, está envolvido mesmo numa pequena realização. Ele sentiria isso. E este sentimento, mais cedo ou mais tarde, fá-lo-ia tomar consciência de que o que as pessoas dizem a ele é apenas conversa fiada. No momento em que tentasse colocá-las a caminho para fazer coisas práticas, elas começariam a desprezá-lo, ou apenas falariam, falariam, falariam sobre o elevado ideal da carpintaria, da medicina ou educação ou indústria ou pilotagem. Mas, na verdade, elas não moveriam um dedo, apenas falariam e sentariam em rebanhos ao redor de mesas agradavelmente arrumadas com comida ou bebidas em cima delas, ou apenas se sentariam imóveis.

A princípio, ele se recusaria a aceitar sua noção nítida de que eles estão apenas falando, transformando cada pequena tarefa prática em meras idéias de fazer isto e aquilo. Instalar-se-iam no imobilismo, como os milhões de camponeses russos se instalaram por séculos, quando não moviam susas costas doentes e rígidas por um pedaço de pão. Instalar-se-iam no imobilismo como o coolie chinês se instalou por séculos, quando não puxava seu riquixá pela rua de alguma cidade grande, suando para ganhar seu pão diário. Este imobilismo os faladores chamam de a natureza filosófica do homem oriental, não sabendo nada sobre a doença de massa do Oriente, que é a rigidez do corpo através da couraça. E, sonhadoramente, falariam sobre o que eles fariam quando arrebatassem o poder sobre uma nação oriental ou ocidental, como eles iluminariam as pessoas e lhes trariam liberdade, e os conduziriam ao Socialismo que inevitavelmente estava chegando, tendo acabado de atingir o fim da primeira fase tal como é descrita no evangelho socialista, e estando a prestes a entrar na segunda fase do desenvolvimento, o Comunismo plenamente amadurecido.

Sentado em meio a essa multidão palradora, nosso novo líder permanecerá calado. Perguntar-se-ia: mas e quanto à mente mística, a crença em fantasmas, e quanto aos rastros de sabujos ferozes às bruxas, e quanto à miséria nas alcovas conjugais, e ao espancamento das crianças por desrespeito, e quanto aos pesadelos daqueles que ingressam na puberdade? E quanto ao trabalho espontâneo, aos cuidados com utensílios, à direção segura, à pilotagem de trens e avi~eos em segurança e a tempo, e todo o resto? O que vocês farão com relação a tudo isso?, ele pode ousar questionar. Oh, isso é mera coisa de burguês. Uma economia planificada dará conta disso. E quem planificará? A Comissão de Planejamento, é claro. E o nosso líder verá com seus olhos interiores as aldeias queimadas dos camponeses ucranianos feridos mortalmente ou mandados para a Sibéria por “sabotagem”. Esses camponeses apenas se instalaram e foram incapazes de mover-se além das tarefas diárias mais essenciais, necessáfrias para manter a vida caminhando; e eles simplesmente não tinham a menor idéia do que estava acontecendo, porque tiveram de ser conduzidos à “liberdade” por rapazinhos ignorantes, espertalhões, que sentiram o cheiro do poder e se embriagaram com ele, e começaram a alvejar camponeses que carregavam o resultado da velha peste de mil anos em suas costas enrijecidas, transmitindo-o a seus filhos por meio de espancamentos.

A partir desta imobilidade do corpo, desta restrição da vida nos membros e nas entranhas, emerge toda a irresponsabilidade, porque as pessoas simplesmente se tornaram incapazes de assumir a responsabilidade; todos estão desamparados, porque foram atirados ao desamparo ou, então, tornaram-se impotentes por um modo de vida cruel, ignorante, de muitos milhares de anos de estagnação.

Rapidamente nossos mascates da liberdade se tornam ladrões de liberdade. Não há mais nada que eles possam fazer, uma vez aque não há nada que eles saibam desta doença de massas. E mesmo que soubessem o que não ousam saber, uma vez que isso os faria fluir, eles não saberiam o que fazer a respeito. O mascate da liberdade não deve ser acusado por esbravejar contra a miséria diante de milhares de ouvintes. Ele DEVE ser desmascarado por NÃO PRETENDER O QUE DIZ, ou, se ele o pretende, por não saber absolutamente como lidar com as coisas depois de atrair as pessoas ao jugo de seu poder com as suas promessas.

Nosso líder sderia arrastado ao mesmíssimo rio de agonia se não fosse um homem do TRABALHO que sabe o que significa lidar com as coisas, FAZER, CONSTRUIR, PENSAR. Uma vez no poder, seria carregado ao topo pela necessidade de salvação por parte das multidões de pessoas imobilizadas; simplesmente para não ser despedaçado por seus próprios admiradores, teria de manter as crianças indo à escola; teria de prover a ñação de pão e milho e batatas e às vezes até de carne. E por ter apenas falado e não ter preparado nada para cumprir as promessas que tão prodigamente fez às multidões, ele agora deve tornar-se o ditador cruel, de forma muito pior do que o industrial do século XIX ou o imperador a quem ele feriu mortalmente.

O ASSASSINATO DE CRISTO – V

Publico abaixo a primeira parte do último capítulo do apêndice de O Assassinato de Cristo, do mestre Wilhelm Reich, que resume, de forma candente, os antecedentes.

O NOVO LÍDER

A História ensina quais os maiores erros que podem ser evitados durante o avanço para o desconhecido. Ela não pode ensinar ao líder emergente como será ó futuro, se sonha com um futuro diferente da vida social presente e passada. É certo que a sociedade humana se move para diante, resoluta, resistindo a qualquer interrupção do movimento. Mesmo as grandes sociedades asiáticas que tinham permanecido inalteradas por longos períodos de tempo, começaram a se mover para frente, e entraram mesmo num fluxo rápido quando se puseram em contato com o pensamento ocidental.

A Revolução Russa de 1917 forneceu a experiência qjue mostra que não há nenhum objetivo determinado a ser derivado do passado. A visão marxista da “necessidade histórica” apenas se manteve enquanto se tratava da necessidade de mudança. Falhou completamente na medida em que contéudos e formas de desenvolvimento futuro foram previstos; o resultado real da libertação da escravidão feudal na Rússia no século XIX foi o aumento da escravidão em vez do crescimento da autodeterminação humana.

Com o ingresso de grandes massas humanas na cena social por toda parte – pessoas que carregam todas as misérias e distorções ao mesmo tempo que as esperanças do passado num futuro obscuro –,  a determinação mecânica de metas fixadas e objetivos distintamente delineados de desenvolvimento social torna-se naturalmente impossível. Uma das maiores razões para o caos generalizado deste sélculo XX, de transição e transformação da sociedade humana, é que massas de povos em movimento encontram-se com pilhas de idéias humanas, a maioria das quais ou são remanescentes do passado, carentes de conhecimento da natureza humana, ou, para começar, inteiramente irracionais.

Moldar o destino humano de acordo com planos, da mesma forma como se constroem impérios industriais, tornou-se obseto. De fato, isso nunca foi possível, desde que os grandes empreendimentos imperais de um Napoleão ou de um líder de massas ditatorial dos tempos recentes não são mais do que episódios breves, insignificantes no tremendo movimento que apanhou a sociedade humana sobre todo o planeta.

Uma outra razão maior para o caos de nossos tempos é que as questões cruciais que estão na base toda a comoção são inteiramente sobrepujadas por questões de uma natureza injuriosa que governam a cena da política e dos políticos. Como um médico ou trabalhador social numa pequena comunidade em algum lugar, compara o que vês com teus olhos no domínio da miséria humana com o que lês nos jornais sobre a existência do homem, e compreenderás imediatamente o profundo abismo entre a vida oficial e a vida privada, verdadeira.

Além do mais, uma outra característica dos tempos é que um tipo inteiramente novo de movimento social está nascendo, e que pessoas que não têm a mais vaga noção do que está acontecendo, são os estadistas dirigentes; esses líderes dos homens moldaram suas idéias de acordo com padrões de pensamento passados e estão se fixando rigidamente no erro.

À primeira vista, é espantoso, mas absolutamente lógico, que nenhuma das questões básicas dos movimentos e sublevações radicais do povo seja mencionada em lugar nenhum da disputa gritante, berrante, gesticulante que tomou conta de nossas vidas.

É de conhecimento geral, e não há necessidade de nenhuma outra prova, que a comoção atual na sociedade humana não tem nenhum líder autêntico; em outras palavras, não se vislumbra ninguém no horizonte que se pudesse desenvolver a ponto de se tornar aquilo que um Cristo veio a significafr para a era Cristã ou um Confúcio para a cultura asiática. Os lídres atuais não são mais do que agentes da sebgurança deste ou daquele aspecto do status quo, ou simplesmente bandidos em mares sem lei. são como saqueadores numa pilhagem generalizada durante uma enchente ou um terremoto. Infelizmente esses ladrões são tomados por novos líderes pelos inúmeros Babbits muito deslumbrados, sentados entre ilhas daqueilo que ficou de um passado mais feliz.

Vamos agora cacterizar um líder que emergiria do caso atual e seria capaz de observar e manipular as principais correntes na comoção social. Que tarefa, que decisão fatal esse líder teria de enfrentar?

Freqüentemente se diz que um líder em nosso tempo teria de ser muito semelhante a um super-homem, um homem nietzscheano distanciado de seu companheiro humano. Conseqüentemente, é difícil imaginar um líder assim.

Uma tal imagem de liderança para os nossos tempos deriva claramente da necessida antiga, gasta, que o homem tem de mistificar a liderança, mesmo antes de o líder ter ingressado na cena pública. No caos de nosso dias ela promoveu e afastou o líder para uma região onde ninguém  possa alcançá-lo, assim ninguém pode nem mesmo chegar perto de ser como ele.

Se compreendêssemos bem a lição do Assassinato de Cristo, um tal líder certamente não conseguiria dirigir os movimentos das massas do povo-em-comoção a partir do passado para uma existência futura racional.  Teria de falhar, pois estaria fazendo pouco mais do que fornecer um outro símbolo místico às multidões sexualmente frustradas, carentes de amor, destituídas das garantias básicas da vida.

Se aprendemos bem a lição do Assassinato de Cristo como temos razões para acreditar, um líder de povos em nosso tempo seria quase o oposto exato do que as pessaos estão tão ansiosas por ver ou aclamar como seu líder. Em sua vida cotidiana, ele se distinguiria pouco dos modos de vida usuais do povo. Seria um homem que submergiria no rio da vida e nos movimentos do povo muitas vezes, aprendendo suas lições sangrentas de fracasso reiterado; cometeria muitos erros estúpidos e teria de aprendcer a corrigir erros imbecis sem se afogar.

Teria de passar por cada tortura do inferno humano em seu empenho por conhecer a natureza humana praticamente e eficientemente de dentro para fora e de fora para dentro. Teria de ter vivido com publicanos e pecadores e prostitutas e criminosos para conhecer o solo do qual se desenvolve tanto a esperança humana como a miséria. (Se ele fosse um líder como as pessoas gostam, apenas acrescentaria mais um palhaço à massa de pequenos e grandes fazedores de barulho que não significam nada no longo curso da história humana.)

Um tal líder teria de possuir ou desenvolver uma qualidade extraordinária, jamais vista, inimaginável do ponto de vista corrente de como deveria ser a liderança dos homens.

TERIA DE SUPERAR QUALQUER TENTAÇÃO DE SE TORNAR UM LÍDER E TERIA DE EVITAR QUALQUER ISCA POR PARTE DO POVO PARA SEDUZI-LO NA LIDERNÇA. SUA PRIMEIRA GRANDE TAREFA SERIA recusar ser um líder.

Um tal líder sentiria imediatamente o perigo que ameaça engolgar todo líder do povo, a saber, tornar-se um mero objeto de admiração e fornecedor de salvação e esperança para o povo. Um tal líder daria o primeiro passo no sentido de guiar o povo, ao levar o povo a sério e ao dexiar que ele se salvasse a si mesmo, com o respaldo das garantias sociais, econômicas e psicológicas necessárias.

Um tal líder certamento ou teria lido a história do Assassinato de Cristo ou, por experiência própria, logo teria aprendido que as pessoas criam seus Cristos vivos a fim de se submeterem a eles ou, se os Cristos se recusarem a se tornar Barrabases, mata-os instantaneamente apenas para que sejam promovidos ao céu em proveito da salvação, sem que elas mesmas movam um dedo.

PEQUENO DICIONÁRIO ETIMOLÓGIO SOCIAL – 6

Chulo: proveniente do castelhano seiscentista chulo, o sujeito simultaneamente desafiador e gracioso, “insolente”. O adjetivo que tomou em português a conotação de “obsceno” ou “sexualmente imoral” era o termo pelo qual a aristocracia espanhola do século XVI designava, portanto, os membros da ralé (servos e homens livres do povo, trabalhadores) que tinham a coragem de portar-se como gente, exercendo sua própria individualidade, sem submeter-se aos desmandos e caprichos dos donos da sociedade, os nobres, que (como toda classe dominante que existiu desde a Pré-História Humana) se julgavam os únicos dignos de viver segundo seus desejos e necessidades, de prazer e liberdade.

O chulo era o rebelde popular e “coincidentemente” passou para a nossa língua com o significado de grosseiro, agressivo, contrário ao “pudor”, “palavrão”. O detalhe é que sua rebeldia não se exercia de qualquer jeito (que provavelmente incluía a manifestação “inculta” de alguns xingamentos típicos, como corno, puta, etc.), mas pela suprema transgressão de vestir-se com elegância ou afetação própria da nobreza, audácia imperdoável para um reles membro do povão, considerado simples coisa ou gente de categoria subalterna a que não se dava outra prerrogativa que servir de tapete para os dominadores. O chulo, não se deixando pisar, e comportando-se “como senhor” ele próprio, era um perigosíssimo gaiato, capaz de falar de igual para igual com um aristocrata e se dar ao prazer público sem subterfúgios.

Sua transformação, ao ser adotado em Português, como sinônimo para a linguagem sexual ou agressiva franca, aberta e contundente, sem rodeios e firulas, faz, portanto, todo sentido, na medida em que os opressores de todas épocas, donos de escravos, senhores feudais ou burgueses necessitam da hipocrisia, da meia-palavra, do disfarce lingüístico para manter sua dominação  – baseada no encobrimento da crueza da utilização de seus “subordinados” como mera coisa, sob o eufemismo do direito de oprimir ou da “solidariedade e colaboração interpessoal” dos “membros” em diferentes funções no “corpo” social.

E, especialmente no caso da atividade sexual, atividade de puro prazer, contraditório com o sofrimento a que necessariamente ficam submetidos os indivíduos da classe dominada, é essencial à manutenção da ordem mecanizadora da maioria a repressão aos termos populares, não só universalmente intelegíveis, mas grávidos de alegria e volúpia – ao contrário do tom seco e instrumentalista da dita linguagem “científica” que designa coisas como buceta, caralho, foda com cores meramente utilitaristas, ligadas às puras “funções”, descarnadas de emoção e imaginação, de simples “re-produção” do rebanho de servos, como vagina, pênis ou coito.

Ubirajara Passos

AS DUAS GRANDES TRADIÇÕES IDEOLÓGICAS DO BRASIL MODERNO ANTE-LULIANO

Antes que o leitor desavisado me tome por analfabeto ou maluco, vou logo explicando: a expressão “ante-luliano” quer dizer exatamente anterior à Era Lula (não troquei, portanto, anti – de contra – por ante) e também pretende estabelecer uma certa ironia relacionada a ante-diluviano, já que, nos tempos do Inácio, passou uma verdadeira inundação sobre as antigas correntes ideológicas (ainda que formais) deste país, reduzindo praticamente todo mundo político à aceitação devota e embevecida do capitalismo fascista dito neo-liberal, tingido de demagógico assistencialismo, dirigido pelo Homem dos Nove Dedos e seus parlamentares mensaleiros.

Feita esta advertência, é necessário que se diga que este texto nasceu para preencher a necessidade de responder à provocação (no bom sentido político e intelectual) de um ilustrado leitor deste blog, postado na crônica  O Verdadeiro Hino Gaúcho, cuja natureza demanda bem mais que uma simples réplica no espaço destinado aos comentários.

O ilustre cidadão, após sanar uma meia-impropriedade que cometi, taxando o ex-governador Ildo Meneghetti, do PSD, de interventor da ditadura de 1964 (cuja retificação eu fiz acompanhar de algumas observações a respeito da atuação do político referido no golpe de estado do ano mencionado, e de seus maiores contendores de então, os herdeiros do trabalhismo de Getúlio Vargas, Jango e Brizola) me questiona sobre minha opinião a respeito da ditadura do Estado Novo (chefiada por Getúlio), procurando sutilmente colocar em contradição minhas convicções anarquistas (e o meu repúdio à ditadura militar de 1964-1985) com a admiração por um “ditador fascista” (o fundador do trabalhismo, Getúlio Vargas). E, não contente com isto apenas, cita farta bibliografia para provar que Getúlio, João Goulart e Leonel Brizola eram corruptos horríveis e sanguinários.

Carlos Lacerda, o Corvo: o pai e inspirador de todos os críticos histéricos e difamadores do trabalhismo

Carlos Lacerda, o Corvo: o pai e inspirador de todos os críticos histéricos e difamadores do trabalhismo

Eu poderia simplesmente responder que as acusações são típicas do corolário direitoso escabelado (aceito e seguido, inclusive, nos anos seguintes à “abertura” do ditador João Figueiredo  – 1979 – pelos liberais de meia-tigela do PMDB e pretensos radicais esquerdistas, de então, do Partido “dos Trabalhadores”), que procura combater e apagar da memória do povo brasileiro a única corrente concreta que defendeu, de alguma forma, os direitos do povão trabalhador do Brasil no período republicano, o trabalhismo, lançando sobre seus líderes maiores a difamação moralista e “infantil”, a fim de misturá-los na lama da corrupção secular fomentada e admitida pela direita colonialista, e transformar a própria História pretérita em um cenário tão indistinto e torpe quanto o da paz luliana pós 2003. Ou poderia caracterizar tais manifestações como típicas daquilo que o mestre Wilhelm Reich chama de “peste emocional”  (o ranço anti-prazer do autoritarismo sexual, familiar e quotidiano introjetado na maioria dos seres humanos nos últimos seis mil anos que eclodiu, como manifestação política concreta, na forma do fascismo do século passado).

Mas, ainda que legítima, esta contestação seria excessivamente reducionista e simplificadora. É preciso que se diga, portanto, em primeiro lugar, que infelizmente não li a maioria da bibliografia citada pelo meu ilustrado crítico, com exceção de “Minha Razão de Viver”, de Samuel Weiner, e da resposta de Rivadávia de Souza, “Botando os Pingos nos Is”. Em segundo lugar, embora seja praticamente um piá para conhecer de experiência própria todo o período abordado, afinal recém estou às vésperas de completar os meus 43 anos, vivi o suficiente já para não me pautar somente na literatura (até porque nunca fui um acadêmico, o que estaria em contradição com o meu anarquismo), mas na convivência, e no depoimento dos que os acompanharam, com os fatos in loco. Em terceiro lugar que, embora anarquista, como fica perfeitamente contextualizado neste blog, sou “heterodoxo”, tendo me envolvido, apesar de minhas convicções, no mundo da política do Estado, e tendo vindo da formação socialista de matiz brizolista e trabalhista, o que não me faz um defensor fanático e acrítico de tal corrente ou de Brizola.

Lula e Sarney abraçados: a receita perfeita da ditadura lacaia do imperialismo para continuar o regime sob a fantasia da Constituição democrática

Lula e Sarney abraçados: a receita perfeita da ditadura lacaia do imperialismo para continuar o regime sob a fantasia da Constituição democrática

Feita esta série de advertências chatas e rançosas, vamos ao tema do texto propriamente dito.  Não sem antes mencionar que a corrupção é um fenômeno nascido praticamente no descobrimento do Brasil, que perpassou “todos” os governos do Brasil desde então, em maior ou menor grau, com ou sem conhecimento de seus chefes maiores. Muito embora Getúlio tenha morrido pobre, proprietário apenas de uma fazendinha na Região das Missões, no Rio Grande do Sul; Jango jamais tenha emitido decretos secretos para empregar apaniguados, como o aliado-mor de Lula, e ex-presidente da República, José Sarney; e, de Brizola, com todas as investigações exaustivas persecutórias da ditadura militar, não se tenha constatado o menor deslize. É interessante citar, inclusive, entrevista profética de Getúlio Vargas, antes de se eleger presidente da República, em 1950, reproduzida pelo intelectual, honesto e de mente absolutamente livre, Darcy Ribeiro em “Aos Trancos e Barrancos – como o Brasil deu no que deu”, na qual o velho Gegê dizia que seus opositores (defensores dos interesses do imperialismo americano) tratariam de apeá-lo do poder alegando justamente uma profunda rede de corrupção que eles próprios haviam se encarregado de estabelecer e aprofundar desde a República pré-revolução de 1930.

E o fato é que, da revolução de 1930 (liderada por Getúlio Vargas) e dos movimentos que antecederam (como as revoltas tenentistas, do 18 de julho paulista à coluna Prestes), nos anos 1920, derivaram as duas principais correntes políticas que tem dirigido este país, com orientações diametralmente opostas, embora ambas tenham resultado em ditaduras.

A corrente trabalhista surgiu justamente com as atitudes concretas tomadas por Getúlio como ditador durante o Estado Novo (1937-1945), quando se estabeleceu, de fato e de direito, pela primeira vez no Brasil o mínimo de direitos à massa de trabahadores, que a permita viver como gente. Das regulamentações anteriores e do decreto-lei que promulgou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) surgiram direitos como o salário mínimo (hoje infelizmente reduzido a nada), as horas-extras, as férias, os adicionais por insalubridade e periculosidade, e outros tantos que a incipiente burguesia e os velhos latifundiários deste país sequer cogitavam ceder aos seus peões. É verdade que o Estado Novo foi um regime fascista e, resultado da óbvia repressão aos opositores, inclusive aos comunistas de Prestes, ocorreram atos bárbaros como a entrega de Olga Benário grávida nas mãos da polícia nazista de Hitler, mas colaboradores como Filinto Muller (o responsável pelo ato), assim como o tenente de 30 Juarez Távora, foram justamente os que vieram a formar a segunda corrente, que resultou na outra ditadura, a inaugurada pelo golpe de 1º de abril de 1964, e que é a corrente colonialista.

Propaganda oficial da política social de Getúlio durante o Estado Novo

Propaganda oficial da política social de Getúlio durante o Estado Novo

Não é casualidade nenhuma que oficiais como Castelo Branco e Cordeiro de Farias (que atuaram na Frente Expedicionária Brasileira, nos campos da Itália na segunda mundial, sob o comando e em estrita colaboração com o imperialismo americano) tenham sido justamente os protagonistas do golpe de 64 e da ditadura dele resultante, que reduziu o Brasil definitivamente à situação de colônia informal de americanos, europeus, japoneses e grupos econômicos transnacionais em geral.

Se na ditadura de Getúlio se estabeleceu a proteção legal do Estado à classe trabalhadora, na ditadura de Castelo Branco e seus sucessores tais direitos começaram a ser suprimidos (exemplo clássico é a estabilidade no emprego aos dez anos de firma, revogada na prática com a criação do FGTS). E se na ditadura de Getúlio deram-se os primeiros passos rumo à independência econômica e tecnológica do Brasil, com a instalação da indústria metalúrgica em Volta Redonda, na ditadura dos generais gorilas submissos ao imperialismo “ocidental” se consolidou a entrega da economia nacional aos grandes grupos econômicos internacionais.

Findo o Estado Novo (com a deposição de Getúlio pelos candidatos a presidente da república de direita, Eurico Dutra – PSD-  e Eduardo Gomes – UDN, ambos altos oficiais militares) surgem como representantes clássicos de tais correntes o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro, do qual eram membros Jango e Brizola) e a UDN (União “Democrática” Nacional, que de democrática e nacionalista não tinha nada), que, juntamente com o PSD (Partido “Social Democrata”), representava os interesses das elites latifundiárias e dos apaniguados do imperialismo yankee. Getúlio, no princípio, liderava tanto PSD (formado pelos inicialmente pelos quadros burocráticas de sustentação da ditadura de 1937-1945, próximos ao coronelismo latifundiário das diferentes regiões) quanto o PTB. Mas, após ser eleito, pelo voto popular, Presidente da República em 1950, assumirá, de vez, o PTB como seu partido, tomando medidas que afrontavam diametralmente os interesses de oligarcas nacionais e grupos internacionais, como a duplicação do salário mínimo (sugerida pelo ministro do Trabalho João Goulart) e a criação da Petrobrás. Tais atitudes determinaram a campanha difamatória movida pelo principal político histérico da UDN (o ex-comunista Carlos Lacerda), que resultou na crise do pretenso atentado a Lacerda (que teria sido, segundo os lacerdistas, coordenado pelo chefe da guarda pessoal de Getúlio, o qüera Gregório Fortunato) e no suicídio de Getúlio Vargas. Por trás da gritaria udenista estavam, na verdade, os interesses de empresários e governo dos Estados Unidos.

João Goulart no comício da Central do Brasil (13 de março de 1964)

João Goulart no comício da Central do Brasil (13 de março de 1964)

Eleito Vice-Presidente, sucessivamente, nos governos de Juscelino Kubitcheck de Oliveira (mineiro do PSD, com o qual o PTB estabeleceria aliança estratégica até o início dos anos 60) e Jânio Quadros (que fazia oposição a Juscelino, Jango só se elege porque o vice-presidente na época não concorria em chapa casada com o presidente, se votava para ambos os cargos em separado), João Goulart assume a Presidência da República em setembro de 1961, após a renúncia de Jânio no mês anterior, graças à resistência de Leonel Brizola ao golpe dos militares ligados à corrente colonialista/udenista (Odílio Denis e Orlando Geisel, entre outros), que pretendiam impedir sua posse sob o pretexto de que era “comunista”, a fim de garantir os interesses da burguesia nacional e seus associados pró-yankee contra o possível governo dos trabalhistas/nacionalistas. Uma manobra dos partidos clássicos da direita (PSD e UDN principalmente) impõe o regime parlamentarista (contra o qual Brizola se revolta, e por isto não vai à posse), a fim de limitar o poder efetivo de Jango na Presidência.

Em 1963, entretanto, em plebiscito que resulta da ampla mobilização das forças nacionalistas e de esquerda (de que um dos grandes líderes era Leonel Brizola), Jango tem devolvidos plenamente seus poderes de chefe do Executivo do país. Daí até o golpe militar que o derrubou, a guerra ideológica explícita entre os defensores da reforma agrária, da limitação da remessa de lucros de empresas multinacionais ao estrangeiro, da reforma universitária (entre outros instrumentos de construção de um Brasil independente e com condições mínimas de vida digna para a peonada) e os seus opositores, defensores do latifúndio, do imperialismo econômico internacional e do ranço autoritário tipicamente fascista se radicaliza. Assim é que fazendeirões tradicionais do PSD e “modernos” representantes da pequena burguesia urbanizada da UDN se abraçarão aos prantos pelo temor das reformas defendidas por João Goulart, pelo PTB e pelos movimentos sociais de esquerda, articulando o golpe que assassinaria de vez os interesses nacionais e operários.

Costa e Silva, Geisel e Castelo (em trejaes civis de presidente

Costa e Silva, Geisel e Castelo (em trajes civis de "presidente"

Finda a ditadura militar, que torturaria e assassinaria centenas de opositores (esquerdistas ou meros liberais democratas) nos porões da repressão, impondo o monopólio do capital e a cultura americana (de que derivaria a miséria, a violência e narcotráfico que campeiam no Brasil de hoje), Sarney (um velho coronel feitor da ditadura na sua “fazenda”, o Maranhão), Collor (filhote das elites agrárias alagoanas sustentadoras do regime militar) e Fernando Henrique Cardoso (opositor formal da ditadura, cooptado e integrado aos planos de sucessão que resultaram no seu governo e de Lula, tramados pela inteligência gorila em meados dos anos 1970) tratarão de dar continuidade ao regime formalmente revogado, perpetuando no “Estado de Direito Constitucional” o que antes se impunha pela força do arbítrio.

Nos anos pós-1985, com exceção de pequenos partidos da esquerda real, como o PSTU e o PC do B, Leonel Brizola e o PDT serão os únicos representantes da corrente popular-nacionalista derrotada em 1964, até se dissolver (após a morte de Brizola) na geléia geral do governo do Inácio, que criou o Brasil do partido único informal, o próprio Lula e seus aliados felinos de todas as pelagens, sob cuja fantasia socialisteira se pratica a maior corrupção, a mais escancarada inexistência de direitos sociais, a plena submissão aos interesses estrangeiros, e, ultimamente, a mais soturna e informal repressão ditatorial, jogando no lixo a liberdade de expressão, sob o pretexto da defesa da honra pessoal e da imagem, justamente, dos maiores lacaios corruptos pró-colonialismo.

O Brasil do partido único fascista disfarçado de esquerda corrompeu até os herdeiros do Brizolismo

O Brasil do partido único fascista disfarçado de esquerda corrompeu até os herdeiros do Brizolismo

Ubirajara Passos

Publicado em: on 07/08/2009 at 12:52 am Deixe um comentário

O VERDADEIRO HINO GAÚCHO

30 de abril de 1838: nos campos do Rio Grande do Sul corre o incêndio da maior guerra civil da História da América Portuguesa, que sacudiria durante dez anos (1835-1845) as duas províncias do extremo sul do então Império do Brasil (São Pedro do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) no embate entre os revolucionários liberais exaltados (ou farroupilhas) e as demais forças políticas (liberais moderados e conservadores), resultando na sua separação do Império e na proclamação das Repúblicas Rio Grandense (1836-1845) e Catarinense (1839).

Naquela data o exército farrapo, liderado pelo proclamador da República Rio Grandense, o General Antônio Netto, toma dos legalistas a estratégica Vila (município) do Rio Pardo, no centro do território gaúcho, fazendo prisioneira a banda de música do exército imperial, cujo maestro, o mulato José Joaquim de Mendanha, comporia, a pedido de Netto e dos demais comandantes republicanos presentes (entre eles, Davi Canabarro, Domingos Crescêncio e Juca Leão), a música do Hino da República, adaptando, não se sabe se por ironia ou mera pressa – cagado que devia estar pela pressão dos chefes farrapos – para tanto uma valsa de Strauss.

farrapos em combate

farrapos em combate

A letra, composta pelo capitão revolucionário Serafim Joaquim de Alencastre, nos parâmetros ideológicos do liberalismo luso-americano, faz menção direta àquela batalha, e, embora tenha sido cantada pelo exército farroupilha, acompanhando a música, naquela ocasião, não se tornou, entretanto, efetivamente a letra oficial do hino nacional rio grandense. Seus versos eram os seguintes:

No horizonte rio grandense
Se divisa a divindade,
Extasiada em prazer,
Dando vivas à liberdade.

estribilho:
Da gostosa liberdade
Brilha entre nós o clarão;
Da constância e da coragem
Eis aí o glardão.

Avante, oh povo brioso!
Nunca mais retrogradar,
Porque atrás fica o abismo
Que ameaça nos tragar.

estribilho

Salve o Vinte de Setembro,
Dia grato e soberano,
Dos heróis continentistas
Ao povo republicano.

estribilho

Salve, oh dia venturoso!
Risonho trinta de abril,
Que aos corações patriotas
Encheste de glórias mil.

estribilho

Movimento contestatório de elite, a Revolução Farroupilha foi deflagrada sob a liderança de estancieiros (proprietários rurais especializados no ramo predominante da economia provincial do Rio Grande, a pecuária), chefes militares do exército  “regular” e da Guarda Nacional (corpo semi-feudal auxiliar chefiado pelos “coronéis”, fazendeiros civis sem patente militar de carreira necessária) e comerciantes de porte da “Província de São Pedro”, adeptos do liberalismo inglês, filiado às idéias do seiscentista John Locke (predecessor monarquista do iluminismo francês) e da maçonaria.

Não casualmente seu grande líder foi o coronel comandante da Guarda Nacional no Rio Grande do Sul, ex-capitão de guerrilhas do exército luso-brasileiro que tomou o que seria o futuro Uruguai dos castelhanos  para compor a Província Cisplatina do Reino Unido e, depois, Império do Brasil (1811-1828), estancieiro e comerciante (contrabandista, inclusive), com propriedades no Brasil e no país referido, e grão-mestre do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, Bento Gonçalves da Silva.

Bento Gonçalves, presidente da República Rio-Grandense

Bento Gonçalves, presidente da República Rio-Grandense

Compunham seus quadros dirigentes, entretanto, desde estancieiros liberais exaltados (farroupilhas) republicanos e abolicionistas, como Antônio Netto (que acabaram por constituir a força minoritária que deu o tom do enfrentamento) até exilados políticos revolucionários italianos de matiz democrático-popular (que admitiam e defendiam os direitos e a participação de trabalhadores comuns no Estado constitucional republicano) como o redator do primeiro jornal oficial da República Rio-Grandense (“O Povo”), o mazziniano Luigi Rosseti. As massas por eles lideradas na dureza da década de batalhas nos campos meridionais (que íam dos escravos negros aos “homens livres” dedicados a trabalhos artesanais e ao pequeno comércio e aos índios e gaudérios mestiços nômades que prestavam serviços temporários nas fazendas) não possuíam, assim como as chefiadas pelos conservadores, qualquer definição ideológica, seguindo, por fidelidade hierárquica sócio-econômica ou afinidades de “compadrio” seus senhores semi-feudais e chefes políticos.

A radicalização decorrente da proclamação da república independente (que, embora não dominasse todo o território provincial, pelo menos durante seu auge, no período de 1837 a 1840 possuía autoridade e presença militar efetiva em 9 dos 14 municípios em que se dividia, abarcando todo o seu interior, ou seja, Rio Parado, Cachoeira, São Borja, Cruz Alta, Triunfo, Jaguarão, Piratini, Caçapava e Alegrete, estas três últimas “vilas”, as sucessivas capitais) levaria mesmo as facções mais moderadas da revolução (liberais monarquistas rebelados como Bento Gonçalves e liberais monarquistas federativistas) à defesa intransigente do novo Estado Soberano (que possuía serviço público, moeda, comércio efetivo e diplomacia, com tratados internacionais celebrados com os países vizinhos da região Platina – Uruguai, Paraguai e províncias argentinas tornadas independentes de Corrientes, que incluía a futura Misiones, e Entre-Rios).

Antônio Neto, proclamador da República Rio-Grandense

Antônio Neto, proclamador da República Rio-Grandense

Embora liberal-aristocrática (pois, como os próprios Estados Unidos da América, a Inglaterra parlamentarista e o Reino constitucional e a República Francesa de então, só admitisse o direito de voto aos cidadãos não escravos que possuíssem renda anual de certo nivel para cima, além de manter a escravatura), a República Rio-Grandense representava a rebeldia de um certo segmento marginal (ainda que elite econômica marginal) e excluído de maiores direitos na comunidade do que compunha então o Brasil, onde predominavam os interesses das elites da corte do Rio de Janeiro, infelizmente apoiados por parte das forças políticas gaúchas (que predominavam nos territórios litorâneos e próximos da costa, os município de Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha, Pelotas, Rio Grande, e São José do Norte, com exceção da futura cidade de Viamão, então “Vila Setembrina”, parte integrante do estado farroupilha).

Mapa do Rio Grande do Sul em 1835

Mapa do Rio Grande do Sul em 1835

Assim, ao ser publicado no jornal oficial da República, “O Povo”, em 4 de maio de 1839, como Hino da Nação, que o periódico menciona ter sido cantado “postos de pé em torno do pavilhão todos cidadãos e senhoras convidadas” presentes na segunda capital republicana, Caçapava, sua letra, de autor não mencionado, celebra a rebeldia revolucionária do novo país:

Nobre povo Rio-Grandense,
Povo de Heróis, povo bravo,
Conquistate a independência,
Nunca mais serás escravo.

estribilho:
Da gostosa liberdade
Brilha entre nós o clarão;
Da constância e da coragem
Eis aí o glardão.

Avante, ó povo brioso,
Nunca mais retrogradar,
Porque atrás mora o inferno
Que vos há de sepultar.

estribilho

O majestoso progresso
É preceito divinal:
Não tem melhor garantia
Nossa ordem Social.

estribilho

O Mundo que nos contempla,
Que pesa nossas ações
Bendirá nossos esforços,
Cantará nossos brasões.

estribilho

Partitura do Hino Rio Grandense

Partitura do Hino Rio Grandense

Proclamada a República no Brasil, por uma quartelada (golpe militar liderado por oficiais engajados ideologicamente), casualmente liderada por um monarquista liberal, envolvido na trama pelos republicanos, que havia sido Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, o marechal Deodoro da Fonseca, o novo governo republicano e positivista do Estado do Rio Grande do Sul, chefiado por Júlio de Castilhos (em cujo partido político, o Partido Republicano Rio-Grandense se formará e fará carreira um deputado que mais tarde viria a derrocar o feudalismo coronelista dos fazendeiros cafeicultores e paulistas e mineiros, e seus apoiadores país a fora, na Revolução de 24 de outubro de 1930, nada mais que Getúlio Vargas), adotará como bandeira da nova unidade federativa a bandeira da República Rio-Grandense e como hino o poema de Francisco Pinto da Fontoura, o “Chiquinho da Vovó”, composto após o final da Revolução Farroupilha, cujos versos, apesar de sérios equívocos ideológicos em relação ao separatismo concreto e de vontade do Rio Grande do Sul republicano do segundo império brasileiro, exaltam o mito da democracia da Grécia antiga, rechaçando os governos absolutistas e arbitrários:

Como a aurora precursora
Do farol da divindade,
Foi o Vinte de Setembro
O precursor da liberdade

estribilho

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra;
Sirvam nossas façanhas
De modelo à toda terra.

Entre nós, reviva Atenas,
Para assombro dos tiranos.
Sejamos Gregos na glória,
E na virtude, Romanos.

estribilho

Mas não basta prá ser livre
Ser forte aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo.

estribilho

Esta foi a letra do Hino do Rio Grande do Sul século XX adentro, durante todo o período republicano (com exceção dos anos de 1937 a 1945, em que o gaúcho e republicano positivista comtiano Getúlio Vargas, então ditador, aboliu os símbolos estaduais).

Até que em 1966, por iniciativa do interventor capacho da ditadura militar fascista gorila instalada em Brasília, Ildo Meneghetti, foi oficializada nova letra, até hoje vigente, mesmo como o final formal da ditadura em 1988, que simplesmente excluiu do hino a estrofe acima assinalada em vermelho, que, por falar em “tiranos” era libertária e subversiva demais para o autoritarismo pró-imperialismo americano da época.

Proposta a retificação por projeto de lei do deputado estadual gaúcho petista Daniel Bordignon, ex-prefeito da minha cidade, Gravataí, em setembro de 2007, reintegrando a estrofe libertária à letra do hino, acabou tramitando até este mês pelos escaninhos da burocracia da Assembléia Legislativa, e sendo arquivada, sem  sequer ir à votação do plenário, e sem maior oposição de seu autor, tamanho é o ranço ainda vigente das “autoridades” políticas do Rio Grande do Sul que, disfarçadamente, continua a reproduzir no nível simbólico a ordem ditatorial anti-povo inaugurada no primeiro de abril de 1964 e hoje perpetuada, de forma domesticada e demagógica pelo governo petista neo-liberal e fascista do Inácio dos Nove Dedos.

Bandeira do Estado do Rio Grande do Sul

Bandeira do Estado do Rio Grande do Sul

Assim, um estado brasileira que se orgulha da originalidade de sua formação histórica e cultural profundamente diferenciado dos demais da América Portuguesa, que se pretende bastião da democracia, da liberdade e até mesmo da revolução socialista (vide os brizolistas e petistas anteriores à Era Presidencial do Inácio), e em que uma boa parte da população ainda sonha com o ideal separatista de uma república gaúcha independente, continua mantendo, pela vontade de seus governantes, a letra original de seu hino (ela mesma deturpada em relação a da república dos farrapos, mas mesmo assim progressista perto da oficial) decaptada no seu trecho mais democrático e revolucionário por complacência com o oficialismo de uma ditadura infeliz e colonialista formalmente já extinta há mais de 20 anos.

A questão me foi trazida pelo alemão Valdir, em decorrência de lembrança de um  colega seu do foro de Giruá, o intelectual devorador de livros Fábio Kraulich de Oliveira, e aqui fica lançado o desafio para intelectuais e parlamentares desta nossa provinciazinha “pampeana”: quando tomaremos um mínimo de vergonha na cara e um pouco da coragem dos velhos revolucionários farroupilhas (que, mesmo não sendo socialistas ou populares, mas no máximo liberais-republicanos e nacionalistas, tinham mais brios que muito pretenso esquerdista de nosso dias) e restauraremos a letra histórica do Hino Rio Grandense?

Ubirajara Passos

Publicado em: on 19/07/2009 at 2:45 am Comentários (8)

O ASSASSINATO DE CRISTO – IV

Penúltimo capítulo do apêndice de O Assassinato de Cristo, de Wilhelm Reich:

O SIGNIFICADO DA CONTRAVERDADE

Para se compreender o líder, deve-se primeiro compreender os liderados. para derrotar o adversário, deve-se conhecer bem sua força e raízes racionais. Para compreender o poder que o Fascista Negro ou Vermelho exerce sobre multidões de pessoas comuns, é necessário conhecer o povo. A partir daí desenvolve-se a investigação orgonômica do fascismo como “psicologia de massa” em 1930.

A fim de usar eficientemente o instrumento da verdade, deve-se conhecer habilidosamente a CONTRAVERDADE. O problema não é saber porque há verdade sobre coisas, mas porque a verdade não pode prevalecer. Se, apesar de toda a verdade e pregação de paz, os mentirosos e fraudulentos e mexeriqueiros prevalecem tão abundantemente, deve haver algo muito poderoso que obstrui a verdade. Não pode ser a própria mentira, uma vez aue ela não perdura. Deve haver alguma verdade crucial de tipo diferente que obstrui completamente a verdade. Chamamos isso de CONTRAVERDADE.

Uma mulher que arranjou um amante, paralelamente ao seu marido legal, vive uma verdade importante. O casamento se desgastou, ou o marido a maltrata, ou ele é impotente, ou ele apenas não a satisfaz, embora possa ser i?mportante em outros aspectos. A vida é rica, rica demais para ser aprisionada em camisas-de-força medievais. Entretanto essa mulher não vive a verdade sem uma mentira. A mentira, neste caso, esconde uma séria contraverdade: se o marido soubesse, ele a mataria, ou mataria seu amante, ou os dois. Ninguém seria favorecido. A contraverdade em relação a contar a verdade, neste caso, é mais poderosa do que a verdade.

No tempo das conferências dos líderes políticos em Teerã e Yalta, houve graves razões para NÃO dizer a verdade sobre o logro imimente dos americanos pelos Fascistas Vermelhos. A contraverdade, neste caso, foi a compulsão de uma aliança com os Fascistas Vermelhos com vistas à defesa contra os Fascistas Negros.

Representantes reais do povo são estritamente obrigados a NÃO dizer nenhuma verdade, a permanecer afastados da verdade, a evitar questões embaraçosas, verdadeiras, a aderir a formalidades vazias, a apenas “representar” e a não se desviar de – QUÊ??? Do costume? O que é o costume e por que há esse costume? Bom comportamento? É bom comportamento a evasão estrita da verdade? Do respeito aos olhos do público? Por que os olhos do público evitam a verdade? Porque um homem que diz uma simples verdade é proclamado herói? É porque a multidão é composta de covardes? Por que a multidão é composta de covardes no que se refere a dizer a verdade?

Existem CONTRAVERDADES cruciais a serem guardadas contra a invasão da verdade. Antes de buscar pelo racional na contraverdade, observemos seu domínio:

O povo judeu não tinha permissão para entrar no mais sagrado do sagrado do templo. Por quê? Não seria de esperar que, a fim de elevar um povo, fosse permitido que ele tocasse o sagrado todos os dias? Este não é o caso. Deve haver uma razão crucialmente importante para manter o povo distante da clausura da sagrada verdade.

A energia cósmica, que penetra tudo e funciona nos próprios sentidos e emoções dos pesquisadores e pensadores, nunca foi tocada de um modo concreto. Isto é o mais espantoso, visto que suas funções, tais como a cintiliação no céu, o cintilar das estrelas em noites claras e a ausência desse cintilar quando está para chover, o campo de energia dos corpos vivos, o desaparecimento do campo no processo da morte, o azulado e a efervescência na “escuridão completa”, os invólucros dos corpos celestiais, e muitas outras funções tais como as vesículas em todos os tecidos que se desintegram, são funções simples, facilmente observadas; entretanto, até agora elas não foram tocadas, durante um período de cerca de dois mil e quinhentos anos em que o homem se ocupa da natureza. E quando, finalmente, a energia orgone cósmica foi descoberta praticamente e tocada poderosamente, houve um rebuliço, uma grande confusão energética, um blá-blá-blá altissonante; mas ninguém, durante anos, tocou num acumulador ou olhou para um microcoscópio. Por que esta evasão do óbvio? Por que são necessários gênios para detectar o óbvio?

A arma da verdade exige que se façam perguntas, independentemente de serem agradáveis ou não, não importando os resultados. Se teu inimigo mais temível afirma falsidades, tu precisas apontar as falsidades. Se ele afirma a verdade, deves admitir que ele fala a verdade, não importa quão dolorosa seja a verdade de teu inimigo.

A verdade de teu inimigo é a contraverdade da tua própria verdade. Se o inimigo da tua verdade fala a verdade, então há algo errado ou prematuro ou incompleto em tua própria verdade. Antes que os assassinos dee Hitler pudessem ser plenamente compreendidos, a verdade que ele disse sobre marxistas e judeus liberais e a República de Weimar teve de ser admitida. Admitir a verdade dele, i.e., tua contraverdade, era crucial a fim de dar o próximo passo; perguntar Como é possível que um Hitler possa ocupar o primeiro plano? Como podem setenta milhões de pessoas alemãs, pessoas informadas e combativas, ser seduzidas num tal pesadelo por um psicopata evidente? Sem uma pergunta como essa, nenhuma resposta poderia ser obtida. Hitler apresentou claramente uma contraverdade.

A explicação para Hitler foi encontrada na estrutura de caráter do povo em geral, que tornou possível seus assassinatos.  Foi o povo que fez Hitler e não Hitler que subjugou o povo. Sem o Hitlerismo ou o stalinismo no povo não teria havido nem Hitlers nem Stalins. Esta foi a contraverdade em 1932. Ela se tornou a base sobre a qual se desenvolveu toda uma nova área de conhecimento, a ciência da psicologia das massas orgonômica, o conhecimento do papel da família autoritária, do medo que as pessoas têm da liberdade, da incapacidade estrutural para a liberdade e o autogoverno, da estrutura pornográfica e basicamente sádica da “camada média no caráter do povo”; e daí seguiu-se…

A DISTINÇÃO ENTRE O NÚCLEO BIOENERGÉTICO E AS NECESSIDADES PRIMÁRIAS. Assim foi a verdade, dita por um biopata disfarçado de herói nacional, que levou propostas básicas, novas, a novas verdades.

A contraverdade, no princípio de um novo desenvolvimento, é freqüentemente mais importante do que a verdade. A verdade será tanto mais firme e mais evidente, quanto melhor for compreendida a contraverdade. E, para descobrir a contraverdade, é preciso que se seja capaz de “advogar o diabo”, identificar-se como o inimigo, sentir-se como o palhaço.

Se a sexo-economia tivesse conseguido logo, no final da década de 20, desenvolver plenamente um movimento de massas com base “sexo-POLÍTICA”, um dos mais graves desastres na história da humanidade teria sido desencadeado; não porque o que era dito em público naquela épodca não fosse a verdade, mas porque não era TODA a verdade, que sempre inclui a contraverdade. E, neste caso, a contraverdade era: a supressão genital em crianças e adolescentes era necessária; sua omissão teria sido fatal, uma vez que estas crianças e adolescentes tinham de se ajustar a uma estrutura social que EXIGIA a blindagem contra a liberdade emocional. Crianças não-blindadas não poderiam ter existido na sociedade de 1930 em nenhum lugar deste planeta. Portanto, a verdade sobre os maus efeitos da blindagem de crianças e adolescentes não poderia vencer naquela época. Esta verdade, como então se apresentava, sem o conhecimento da contraverdade que bloqueava seu caminho, não poderia talvez ter operado de acordo com seu próprio desígnio e objetivo.

Isso é realmente advocacia do diabo. A contraverdade é, às vezes, mais cruel do que qualquer verdade jamais poderia ser; contudo, ela é, também, mais frutífera para o cumprimento final da verdade:

Em abstrato, a auto-regulação sexo-econômica é “perfeita”, muito melhor, mais limpa, firme, clara, e mais decente do que a regulação moral. Praticamente, em muitos casos isto se confirma na Vida viva. A pessoa genitalmente gratificada não é perturbada por pensamentos e sonhos pornográficos sujos. Ela não tem impulsos de estuprar ou mesmo de seduzir ninguém à força. Ela está bem longe de atos de estrupo e perversão de qualquer espécie. É o caráter plenamente genital que realmente cumpre a lei moral da Cristandade e de qualquer outra ética religiosa autêntica.

José LOURIVAL Bergmann: uma vida a serviço do povo

Para satisfação dos leitores que tiveram sua curiosidade despertada pela crônica publicada no último domingo, segue aí uma rápida resenha da atuação do Lourival como padre e militante social e político, conforme as informações constantes de texto elaborado pelo padre Julio Cesar Werlang, da Congregação dos Missionários da Sagrada Família, publicado em 23 de março de 2009 na página do IFIBE na internet. O texto referido, assim como as fotos desta e da outra crônica, me foi enviado, hoje à noite, pelo irmão de Lourival, o meu amigo Valdir Antônio Bergmann (o Alemão Valdir das histórias deste blog).

O coloninho alemão José Lourival Lourival Bergmann nasceu em 15 de dezembro de 1953, no então município de Cerro Largo, interior do Rio Grande do Sul, filho de José Leopoldo Bergmann e de Elizabeth Bergmann.

Em 23 de fevereiro de 1967 ingressou na Escola Apostólica da Sagrada Família, concluindo o ensino médio em Rio Pardo – RS, em 1973. Entre 1976 e 1977 cursou Filosofia na Universidade de Passo Fundo, fazendo seu noviciado, em 1977, em Catuípe-RS, emitindo seus primeiros votos como sacerdote nesta cidade do Noroeste do Rio Grande do Sul em 12 de fevereiro de 1978,  e cursando, nos anos seguintes, Teologia na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre, a PUC. É desde esta época, em 1979, que se destaca na militância política como defensor da causa popular, como um ferrenho defensor, então, da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita (informação de seu irmão Valdir).

Fez seus votos perpétuos como religioso na cidade de Maravilha, no Estado vizinho de Santa Catarina, sendo ordenado Diácono por Dom José Gomes em 1.º de março de 1981, na Cidade de São Carlos, no mesmo Estado do sul do Brasil. Em 20 de dezembro do mesmo ano foi ordenado Presbítero pelo bispo Dom Estanislau Kreutz (autor de alguns livros sobre as Missões dos Sete Povos e o Martírio de Roque Gonzalez), na minha dileta cidade de Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande, onde moram atualmente vários de seus irmãos, inclusive o Alemão Valdir.

Lourival no Jardim

Lourival, além da tradicional formação em Filosofia e Teologia, cursou também Especialização em Psicopedagia, em Viamão, na região metropolitana da Grande Porto Alegre, e em Sociologia, na PUC mineira.

Como noviço e padre católico exerceu as seguintes funções:

- auxiliar na formação em Santo Ângelo – RS, de 1979 a 1981;
- auxiliar de Mestre de Noviciado e Vigário Paroquial em Caibi – SC em 1982 a 1983;
- Vigário da Paróquia São Carlos Borromeu em 1983;
- Reitor do Escolasticado São José e professor do Instituto de Filosofia Berthier (IFIBE), em Passo Fundo (norte do Rio Grande do Sul) de 1984 a 1990;
- De 1990 a 1992 esteve liberado pelo Regional Sul III para atuar na Pastoral da Juventude e Pastoral Vocacional;
- formador do Juniorado de Teologia na Vila Ditz, e Vigário Paroquial da Paróquia Sagrada Família, em Santo Ângelo (região missioneira gaúcha) entre fevereiro de 1992 e 1995;
- Pároco em David Canabarro (região serrana do Rio Grande do Sul) entre 1995 e 1999 e novamente Pároco da Paróquia Sagrada Família em Santo Ângelo de 1999 a 2001;
- Ecônomo Provincial (tesoureiro) em Passo Fundo, de 2001 a 2004 (época em que o conheci em Porto Alegre),  nos Missionários da Sagrada Família e no Instituto da Sagrada Família – ISAFA (entidade mantenedora do IFIBE) e, finalmente
- Pároco da Paróquia São José Operário, no Rio de Janeiro, de 2004 a 2009 (época em que estivemos juntos em Misiones, norte da Argentina, numa viagem de dois dias, no verão de 2006).

O padre Lourival foi um destacado militante religioso, social e político, ligado à causa popular e de esquerda, atuando, quando de sua presença em Passo Fundo (onde foi fundador, diretor e professor do IFIBE, lecionando nele as disciplinas de História da Filosofia Moderna e Introdução à Sociologia – 1982 a 1997), na formação de Missionários da Sagrada Família e na organização da Pastoral da Terra e Pastoral da Juventude. Foi, igualmente, um dos fundadores do Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP), atuante na educação popular, há mais de vinte anos, no sul do Brasil.

Lourival junto ao Pão de Açúcar

Conforme as palavras do padre Julio Werlang, na página que serviu de base a esta crônica, “Toda esta trajetória deixa conosco um testemunho gratuito de uma vida missionária marcada pelo amor a vida, o compromisso social, uma convivência fraterna, acolhedora, agradável e alegre e uma disposição de contribuir com o avanço da Província e da Igreja na perspectiva dos pequenos, pobres e os que estão longe conforme o legado do Fundador.”

Lourival morreu dia 16 de março de 2009, às 13h 18 min, no Hospital Quinta D’or, no Rio de Janeiro. No último domingo de páscoa, 12 de abril de 2009, foi celebrada missa pela passagem do 30.º dia de seu falecimento, na localidade rural de Lajeado Bonito, no interior de Porto Lucena – RS, onde Lourival e seus irmãos passaram a infância.

Ubirajara Passos

Publicado em: on 15/04/2009 at 12:04 am Comentários (2)
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O ASSASSINATO DE CRISTO – III

Aí vai, para distração dos leitores, publicado mais um capítulo do anexo final do livro de Wilhelm Reich, enquanto não arranjo tempo, entre as fraldas da Isadora e os consertos da casa (transformado que estou no perfeito “pai de família”, domesticado e burocratizado), para escrever texto original:

 

A RAIZ RACIONAL DA “RESSURREIÇÃO”

A peste divide e separa os homens excluindo o que é comum ao homem.

O novo líder verá claramente a raiz comum e o significado emocional do credo Católico e do credo Fascista Vermelho: a “ressurreição de Cristo”, i.e., a RESSURREIÇÃO DA VIDA NO HOMEM. A ressurreição da Vida implica inevitavelmente a ressurreição do Amor, do Amor genital pleno, fluente, congregador. Sendo a Vida e o Amor eterno nos corações dos homens, Cristo NÃO PODERIA ter morrido; ele se levantou novamente, no sentido emocional da palavra. As pessoas carentes de Vida, carentes de Amor, simplesmente não se renderiam à morte final, irrevogável do Amor e Vida. Tinham de permanecer vivos pela ressureição; TINHAM DE ser como elas os sentiam em seus corpos, movendo e animando os membros: imortal, não importa se como uma alma imoral, ou espírito imortal, ou Cristo imortal “dentro de ti” ou como Cristo imortal “no céu”. Cristo, por sua própria vida, significava emocionalmente para as pessoas a ressurreição do Amor autêntico, primal, do corpo. Sua existência mistificada depois de sua morte apoiava-se, conseqüentemente, numa base racional, i.e., a ressurreição divina de Cristo, por volta do século quatro d.C.

Mas essa mistificação tinha, ao mesmo tempo e sob a pressão da compulsão a continuar o Assassinato de Cristo dentro deles mesmos, removido para os céus, para bem longe do alcance do homem, a relização da Vida e do Amor. O Filho do Homem teve de morrer primeiro antes de poder alcançar o céu e o puro Amor e a Vida eterna.

Um outro setor da humanidade revoltou-se contra esta mistificação, deificação, transposição e transfiguração da Vida viva no Corpo, cerca de mil e quinhentos anos mais tarde. Esse setor da humanidade não desejava morrer antes de viver uma v ida plena; queria o Céu na terra imediatamente e de uma forma prática: teria de ser dado e garantido pelo “movimento de libertação”, que instituiu as leis da libertação da camisa-de-força matrimonial e do Assassinato de Cristo no útero: isto foi o movimento Comunista primitivo de 1900-1917, dois mil anos d.C., que começou com o pensamento materialista no século XVII.

A raiz comum de uma Cristandade de dois mil de idade e de um racionalismo mecanicista de trezentos anos de idade, que culminou no Fascismo Vermelho russso imperialista, enraizando-se verdadeiramente nas emoções humans, é a libertação do fluxo do corpo, seja ela chamada de Liberdade ou Cristo, pouco importa. Couraça mais pornografia no homem transformaram Cristo em papado;  transformaram o fluxo do corpo em Pecado, e Comunismo original em Fascismo Vermelho. Ambos mistificaram suas raízes originalmente racionais nos sonhos e anseios racionais do homem. A Cristandade e o Comunismo voltaram-se ambos contra suas origens e fontes de força nas raízes de sua existência contínua, contra a Vida e o Amor no corpo. Tinham de fazê-lo, ambos, uma vez que a estrada para a Vida viva no corpo estava fechada nas pessoas que os levaram e os alimentaram no poder. Ambos tinham de cair na mistificação e no Assassinato de Cristo, cada um a seu próprio modo. E, finalmente, a diferença quanto à forma de supressão de Cristo fez com que um se voltasse contra o outro, com a ameaça de futuro morticínio em massa. Essas são as realidades do campo, como que em contraposição à representação teatral que fala de espiões contra o Estado, ou do Pecado versus o Espírito Santo.

Vista a partir das raízes comuns e significados emocionais da Cristandade e do Comunismo, a solução de sua animosidade recíproca, em princípio, é simples. Um novo líder poderia dizer-lhes ou dir-lhes-á:

Parem de tagarelar sobre espiões e mães-pátrias e pais-pátrias de Pecados e fumos sagrados. Vocês diferem apenas quantos aos caminhos que escolheram para assassinar Cristo. É irrelevante se pela mecanização ou pela mistificação e transfiguração. Em ambos os casos ele está morto. É irrelevantge o fato de se chamar o seu domínio de Reino dos Céus ou a Terceira Fase do Comunismo. Vocês não conseguirão alcançá-lo porque mataram, muito tempo atrás, o  que por si só pode conduzir até a sua terra de sonho. Para alcançar seu destino prescrito vocês devem reinstaurar Cristo no seu sentido original: como Amor no corpo, como libertação do Amor das cadeias de uma humanidade congelada, como liberdade da mente para investigar e viver sua raiz no fluxo do sangue e do corpo. Vocês estão enraizados em um único e mesmo anseio do homem. Se vocês levarem a sério o que pregam, retornarão à sua origem e ajudarão a relizar o sonho do homem, sonho que é realizável. Cessarão de punir criancinhas por tocarem Cristo ou adolescentes por viverem Cristo no corpo como o próprio Cristo viveu. E reinstaurarão as primeiras leis que estabeleceram no sentido da libertação de Cristo dos corpos amortecidos. Vocês trarão o Reindo de Deus e a verdadeira irmandade dos povos. Vocês têm, ambos, o poder para assim fazer.

O inimigo da Vida e do Amor em ambos os domínios, Cristão e Comunista, o inimigo da criança, inevitavelmente se levantará e combaterá o novo líder. Manterão o interesse do homem enfeitiçado em formalidades vazias e na condenação do amor corporal e do patriotismo e na propaganda belicista ou pacifista e extermínio de inimigos do Estado e muitas outras coisas cujo único objetivo é engabelar Deus e deixar o Diabo reinando. Estes inimigos em ambos os campos, hostis um em relação ao outro, certamente se unirão para combater seu novo adversário comum, o Amor de Cristo. Esse amor é o verdadeiro adversário deles, pois virará sua organização e existência inteira de cabeça para baixo, a menos que retornem a seus significados emocionais originais no homem. 
 
Para a igreja, voltar ao Cristo de 25 d.C., e para o Comunismo, voltar aos velhos sonhos de uma irmandade humana internacional de 1848, é pensável, teoricamente possível. Salvaria ambos os movimentos da queda inevitável num marasmo terrificante, uma vez que a Vida comece a marchar nas ruas das grandes cidades da Terra. Mas eles o farão, poderão fazê-lo? Eles não conseguem fazer a grande virada porque estão enraizados em almas pesadas, petrificadas, congeladas, que tiveram de carregar o último lampejo de um velho sonho ao longo dos tempos, o sonho de um Cristo Vivo e de um Deus amoroso e de uma comunidade pacífica.Para a igreja, voltar ao Cristo de 25 d.C., e para o Comunismo, voltar aos velhos sonhos de uma irmandade humana internacional de 1848, é pensável, teoricamente possível. Salvaria ambos os movimentos da queda inevitável num marasmo terrificante, uma vez que a Vida comece a marchar nas ruas das grandes cidades da Terra. Mas eles o farão, poderão fazê-lo? Eles não conseguem fazer a grande virada porque estão enraizados em almas pesadas, petrificadas, congeladas, que tiveram de carregar o último lampejo de um velho sonho ao longo dos tempos, o sonho de um Cristo Vivo e de um Deus amoroso e de uma comunidade pacífica.
Não importa o quanto será difícil: não poder haver um momento de hesitação quando se trata de manter o Cristão e o Comunista igualmente conscientes de suas origens e significados nas almas das pessoas.
 O  novo líder usará muitas formas Não importa o quanto será difícil: não poder haver um momento de hesitação quando se trata de manter o Cristão e o Comunista igualmente conscientes de suas origens e significados nas almas das pessoas.de distrair a atenção inflamada do Homem da cheteação atual para centrá-la no interesse  pelas gerações futuras. E até que a paz tenha retornado à terra devastada pela peste, o centro é, e continuará sendo por muito tempo, o “Deus” vivo nos sentimentos fluentes da Vida no corpo, e todo o conhecimento em biologia, medicina e educação necessário para reger a Vida viva do homem nas crianças recém-nascidas de todo o planeta.

Uma humanidade imobilizada, instalada, está esperando por uma resposta à sua busca dos caminhos da Vida viva. Enquanto ela moureja com um parco mínimo de subsistência, esperando, sonhando, sofrendo agonias, submetendo-se a novas servidões após séculos de revoltas fúteis, está atrapalhada por teorias e dogmas sobre o viver humano. Acrescentar um novo dogma da Vida humana no amontoado de filosofias, religiões, e prescrições políticas, significa acrescentar mais confusão à edificação da Torre de Babel. A tarefa não é a construção de uma nova filosofia de vida, mas o desvio da atenção dos dogmas fúteis para UMA questão básica: POR QUE ATÉ AGORA FALHARAM TODOS OS DOGMAS SOBRE COMO VIVER A VIDA?

A resposta a este novo tipo de questão não será uma resposta à questão da humanidade imobilizada. Contudo, pode abrir o caminho para nossas crianças, ainda nãos nascidas, buscarem na direção correta. Através dos longínquos tempos passados,  no processo de nascerem, elas carregaram todas as potencialidades dentro de si mesmas; e ainda as carregam. A tarefa é desviar o interesse de uma humanidade sofredora de prescrições infundadas para A CRIANÇA RECÉM-NASCIDA, A ETERNA “CRIANÇA DO FUTURO”.  A TAREFA É SALVAGUARDAR SUAS POTENCIALIDADES INATAS PARA QUE ENCONTREM O CAMINHO. Assim, a criança, ainda por nascer, torna-se o foco da atenção. Ela é o princípio funcional comum de toda a humanidade, passada, presente e futura. Ela é, devido à sua plasticidade e por ser dotada de ricas potencialidades naturais, a única esperança viva que resta neste holocausto do inferno humano. A CRIANÇA DO FUTURO COMO O CENTRO DA ATENÇÃO E DO ESFORÇO HUMANO É A ALAVANCA QUE NOVAMENTE UNIRÁ A HUMANIDADE NUMA ÚNICA COMUNIDADE PACÍFICA DE HOMENS, MULHERES E SEUS DESCENDENTES. Em poder emocional, como um objeto de amor por toda parte, independentemente de nação, raça, religião ou classe, ela supera em muito qualquer outro interesse do esforço humano. Será o vitorioso e redentor final, de uma forma que ninguém pode ainda prever.

Isso parece ser óbvio para todos. Como é possível, então, que ninguém até agora tivesse concebido a idéia de centrar o próprio esforço nesta simples esperança e alavanca da verdadeira liberdade? Unir o homem nesta base e esvaziar seu interesse mal dirigido de convulsões fúteis, sem objetivo, sem sentido, sangrentas?

A resposta a essa pergunta foi dada: o homem vive e age, hoje, de acordo com pensamentos que se produziram a partir da separação do tronco comum da humanidade em incontáveis variedades de pensamento que se contradizem uns aos outros. Mas a raiz e o tronco comum da humanidade permanceu o mesmo: ter nascido sem idéias, teorias, interesses especiais, programs de partido, roupas, conhecimentos, ideiais, ética, sadismo, impulsos criminisos; ter nascido NUA, tal como o poder celeste a criou. Esta é a raiz e tronco comum de toda a humanidade. Conseqüentemente, isso contém o interesse comum e o poder de unificação da humanidade. É concebido pela própria condição de sua emergência no mundo para estar tanto além e acima como no fundamento de tudo aquilo que o homem pensa, age, faz, aquilo por que se esforça e morre.

Uma breve observação, enfim, pode mostrar de que modo o tipo de pensamento influencia o uso ou a rejeição desta raiz e o tronco comum:

O mundo do Fascismo Vermelho, inteiramente mecânico em seu sistema econômico e perfeitamente místico em sua maneira de conduzir os negócios humanos, encontra-se mal equipado para fazer qualquer coisa a respeito do homem instalado no lugar e imóvel, com o qual se defronta. Em nítida contraposição aos seus fundadores espirituais, ele permaneceu assentado sobre a “economia” e uma visão mecanicista, industrial da socieade. Descartou e afastou com fogo e espada todo conhecimento sobre as emoções humanas além daquelas conhecidas pela mente consciente. Condenou os impulsos bioenergéticos como sendo “ideologia burguesa”. Repousa sua filosofia do homem numa mente meramente consciente que se sobrepõe aos reflexos e respostas automáticas de Pavlov. Descartou completamente a função de amor. Conseqüentemente, quando encontra  a inércia humana, que se deve à blindagem do biossistema, acredita, inteiramente dentro da lógica de seu ponto de vista, que está lidando com malevolência consciente ou com sabotagem “reacionária” consciente. Novamente de pleno acordo com seu modo de pensar, e subjetivamente honesto (exceção feita ao vilão consciente da política aue encontramos por toda parte), o Fascista Vermelho atira no “sabotador” e o mata. Isto é necessariamente assim, uma vez que, para este tipo de pensamento, o que um homem faz ou não deve-se somente à determinação e resolução consciente. Acreditar no contrário, aceitar a existência de um domínio humano além da vontade consciente, e com ela a existência e poder de um domínio psíquico inconsciente, de uma estrutura rígida de caráter, de um impedimento antiqüíssimo do funcionamento bioenergético, minaria imediata e irrecuperavelmente o próprio fundamento do sistema total de supressão do “sabotador do Poder do Estado”. (Não importa agora se “proletário” ou não.) De um só golpe, isso revelaria o HOMEM como ele é, e o interesse seria dos “capitalistas”, que não são mais do que os resultados últimos de uma economia da humanidade blindada, desamparada, estacionária. Isso revelaria o verdadeiro caráter capitalista do sovietismo. Todo o sistema de opressão arqui-reacionária da Vida viva, a confusão total sob a máscara de uma ambição “revolucionária”, inevitavelmente entraria em colapso.

Eis a influência do pensamento em termos de “uma mente consciente” isolada, sobre a ação social.Imaginemos agora, por um momento, que os psicanalistas tivessem adquirido poder social em algum país. A partir de seu ponto de vista da existência de uma mente inconsciente, eles admitiriam um vasto domínio da existência humana para além da vontade consciente. Ao se defrontarem com o “imobilismo” da humanidade, eles o atribuiriam aos “maus” desejos inconscientes de um tipo ou de outro. Seu remédio seria “tornar a malevolência consciente”, para exterminar o inconsciente maligno. É claro que isto não adiantaria, da mesma forma que adianta no tratamento de um neurótico, uma vez aue a malevolência em si é o resultado da blindagem total do corpo, e o “inconsciente maligno” é o resultado da supressão da vida natural na criança; um “Eu não farei” se sobrepõe a um “EU NÃO POSSO” silencioso. Esta imobilidade, expressa como um “Eu não posso”, é naturalmente inacessível a meras idéias ou persuasão, uma vez que é o que a biofísica do orgone chama “ESTRUTURAL”, i.e., emoção congelada. Em outras palavras, é uma expressão do ser total do indivíduo, inalterável, exatamente do mesmo modo como a forma de uma árvore crescida é inalterável.

Assim, um imperador, ao basear suas tentativas de melhorar o quinhão humano em tornar consciente o inconsciente e na condenação do inconsciente maligno falharia miseravelmente. A mente inconsciente não é a última coisa nem a última palavra. Ela própria é um resultado artificial de processos muito mais profundos, a supressão da Vida na criança recém-nascida.

A Orgonomia sustenta a concepção de que a letargia e o imobilismo humanos são a expressão exterior da imobilização do sistema bioenergético, devido à couraça crônica do organismo. O “Eu não posso” aparece como um “Eu não farei”, não importa se consciente ou inconscientemente. Nenhuma sondagem consciente, nenhum esforço para tornar consciente o inconsciente, jamais poderá perturbar o bloqueio maciço da vontade e da ação do homem. É necessário, no indivíduo singular, quebrar os bloqueios, deixar a bioenergia voltar a fluir livremente e assim aumentar a motilidade do homem, que, por sua vez, resolverá mjuitos problemas decorrentes da inércia no pensamento e na ação. Mas uma imobilidade básica permanecerá. A estrutura de caráter não poder ser mudada basciamente, da mesma forma que uma árvore que cresce torta não pode ficar reta novamente.

Conseqüentemente, o orgonomista nunca aspirará a quebrar os bloqueios da energia vital na massa da humanidade. A atenção se concentrará, conseqüentemente, sobre as crianças recém-nascidas por toda parte, sobre as crianças que nasceram sem courança, plenamente móveis. Evitar a imobilização do funcionamento humano e com ela a malevolência, o estacionar por séculos, a resistência a qualquer tipo de movimento ou inovação (“sabotagem” em termos dos Fascistas Vermelhos), torna-se a tarefa básica. É a Peste Emocional do homem, nascida desta mesma imobilização, que combate a Vida viva, móvel nas crianças recém-nascidas e induz à blindagem do organismo. Portanto, a preocupação é a peste emocional e não a mobilidade do homem.

Esta orientação básica exclui, naturalmente, qualquer tipo de abordagem política ou ideológica ou meramente psicológica dos problemas humanos. Nada pode mudar enquanto o homem estiver encouraçado, uma vez que toda miséria deriva da couraça e da imobilidade do homem que cria o medo ao vivo, ao vivo móvel. A abordagem orgonômica não é nem política nem sociológica apenas; não é psicológica; ela se desenvolveu a partir da crítica e da correção das hipóteses psicológicas da psicanálise de que há um inconsciente absoluto, de que o inconsciente é o dado último do homem, etc., e também a partir da introdução da biopsiquiatria no pensamento socioeconômico. É BIOLOGICA DE BIOSSOCIAL, fundando-se na descoberta da Energia Cósmica.

A criança recém-nascida, assim, passa  a ocupar, naturalmente, o centro da medicina preventiva e da educação. Desta maneira, o princípio comum da humanidade é obtido, não como um ideal pelo qual se esforçar, não como um programa político a ser conduzido pelos encontros e manifestações de massa, mas como o foco da raiz mais profunda da humanidade, como alicerce, para se construir sobre ele: construir como um engenheiro constrói uma ponte ou um arquiteto constrói uma casa, e não como o Fascista Vermelho constrói seu império sobre o homem e sua sociedade, com a ajuda da difamação e delação e espiões e enforcamentos. Modju é como se chamam os milhões de pequenos destruidores da esperança humana; o “pobre sujeitinho”, tão insignificante que ninguém até agora demonstrou interesse suficiente em fixar o olhar nele e deter suas malignas atividades subterrâneas.

A Orgonomia, que é a compreensão factual da “Energia Orgone Cósmica” universal (“Deus”, “Éter”), diz respeito tanto ao Cristão como ao antigo pensamento hindu oriental, à profundeza de existência cósmica do homem. Basicamente, não está em desacordo com o pensamento religioso. Difere do pensamento religioso por sua concretitude na formulação do conceito de Deus, e por sua insistência no ponto de vista bioenergético, INCLUSIVE O GENITAL, evitado em todos os outros sistemas de pensamentol. Mas, basicamente, a orgonomia opera exatamente no mesmo domínio que a Cristandade e o hinduísmo, muito mais profundamente que qualquer concepção tecnológica, materialista ou mecanicista das raízes do Homem na Natureza. Não há nenhuma contradição às premissas básicas de Cristo na Orgonomia, embora haja muito desacordo com relação à mitologia cristã de Cristo.