BBB: Big Brocha Brasil

Quando esta crônica estiver indo ao ar o leitor estará tendo, talvez, o prazer abestalhado de se sacudir freneticamente em sua poltrona, com uma velocidade e uma fúria dignas de criança pequena com vontade de mijar ou de idiota de filme americano, diante dos relinchos, desmunhecadas e rebolados (daqueles de cair a bunda) dos personagens de hospício da besteira mais assistida do Brasil:  o infeliz “Big Brother” da Rede Globo de televisão.

Se pertencer, porém, à pobre minoria de telespectadores com alguma coisa na cabeça além de merda e farinha (de trigo ou de mandioca, já que a “branquinha” cocaína se presta a asneiras pequeno-burguesas bem mais agitadas e aventurescas do que se contorcer no assento de um sofá) talvez se encontre em verdadeiro ataque de pânico diante da tortura de acompanhar a família neste emocionante entretenimento televisivo. Ao menos, é claro, que não tenha esta coragem toda e se refugie, como eu, diante da internet, ao pé de um livro ou de uma cachaça, que é coisa bem mais útil.

Quem sabe, entretanto, o meu caro leitor/telespectador seja destes que, conscientes de todo o tédio e condicionamento psicológico/ideológico do maldito programinha, se divirta com seus apelos infantis ou simplesmente ande num tédio tão enorme que até o besteirol global o divirta. Evidentemente, há também os sado-masoquistas que se prestam a assisti-lo com o puro intuito de fazer uma leitura crítica ou, na triste falta de programas humorísticos dignos de tal nome na televisão brasileira, morrer de rir, no maior sarcasmo, do “reality show” com diálogos decorados (coisa pra “colono ver”, como diria o Alemão Valdir). Confesso que, embora imprecisamente, me aproximo mais das duas últimas categorias de espectadores, se bem que dei com a tal asneira por acaso e, por acaso, ou mera carência de convivência familiar (hoje que estou casado), acabei por acompanhar alguns “capítulos”…

Mas chega! Não é à discussão da tipologia dos espectadores do Big Brother que esta crônica se destina! E muito menos à repetição deslumbrada e cretina das críticas banais, como a de que a coisa é um fenômeno de audiência por que atende à natural curiosidade humana ou ao prazer imenso que a maioria de desgraçados e desesperançados deste Brasilzão tem em espreitar a vida alheia e conferir fuxicos (vide a horda de intrometidos diante de acidente de trânsito). Ou o, já mencionado, questionamento da pretensa espontaneidade de um falso espetáculo da vida real que em verdade segue a um roteiro previamente escrito, decorado por seus atores amadores.

A verdade pura e simples é que o “Big Brocha” encanta meio povo justamente por ser a reprodução glamourizada de seu maldito quotidiano doméstico e profissional de disputa, inveja, ódio, trapaça, delação, vigilância mútua da pior espécie e enrabação completa. Não sou nenhum moralista (deixam a entender, até, meus perseguidores políticos, que sou um “devasso”), mas este é o resumo do pretenso jogo de situações pessoais de convivência-limite (um monte de gatinhas, barbados, gays, e alguns “senhores respeitáveis” e matronas se acotovelando numa finíssima casa isolada do mundo e exposta aos olhos de todo mundo) sobre cujas regras implícitas de classificação tive muitas dúvidas na primeira edição.

O fato é que, como não funciona mais despejar sobre os miseráveis e remediados do capitalismo ocidental o prazer substitutivo de viver um quotidiano burguês no consumo do “cigarro que dá vantagem” e no compartilhamento do glamour do personagem milionário da novelas das oito da noite (pois os nossos companheiros favelados aprenderam, revoltados, que é melhor estourar os miolos de um trabalhador ou pequeno-burguês para obter um tênis Nyke do que calçar uma Conga sonhando com o sapato último tipo do galã novelístico), o Big Brother veio para recuperar a função adestradora e amansadora da televisão sobre o pobre gado humano que se esfola para criar a festa e o prazer pra lá de real da meia dúzia de sádicos burgueses que nos domina.

Além de fornecer um receituário terrivelmente realista e perfeitamente encaixado no quotidiano de seus espectadores (que nele podem conferir in loco como ganhar um milhão de reais numa sociedade regida pelo uso frio e filho da puta da maioria das criaturas por alguns vigaristas de alto coturno, e cuja regra fundamental é pisar cabeças sem piedade), o “inocente” programa trata de reformatar, da forma mais “participativa”, sutil e inspirada nos programas de “qualidade total”, as cabeças das vítimas da exploração para que, vigiando, dedodurando e fudendo (no mal sentido) seus companheiros de infelicidade, propiciem a continuidade de uma dominação tranqüila, na ilusão de alçar um degrau mais próximo do Olimpo na escala do capitalismo. Quantos milhões não se rendem, sem se dar conta explícita, todo dia a um breviário de comportamento colaboracionista e filho da puta como se fosse um conjunto de regras absolutas e inquestionáveis sob as quais deve se levar a vida, ao menos que se queira ficar na planície simplesmente observando a orgia dos deuses do Olimpo.

Coisas como “paredão”, confessionário, “anjo”, “imunização”, etc. dão uma amostra bastante explícita de  postura no jogo do poder político e econômico (e mesmo “sexual”, no machismo pós-moderno e “liberal”) que conduz a espoliação capitalista mais cruenta do mundo (a do Brasil, onde o abismo entre os gerentões de multinacionais e o povão faminto se calcula em anos-luz), constatáveis em qualquer associação de bairro, buteco, prefeitura, plenária do orçamento participativo, igreja evangélica etc. até o Congresso Nacional e a Fiergs ou a Fiesp, inclusive a CNBB. Apesar do modelo americano aplicado ao mundo (já que o BBB é apenas a versão nacional do que toda a América Latina, por exemplo, assiste diariamente), o nosso “Big Brocha” é um verdadeiro espelho reafirmador e necessário à continuidade do que é hoje o próprio Brasil e o fascismo falsamente socialista de Don Luís Inácio dos Nove Dedos!

Sinceramente, ainda que não restasse mais nada na TV do que esta coisa, aproveito muito mais o horário pós-novelinha noturna global curtindo o sorriso lindo, espontâneo e prazeroso da Isadora, a minha filhinha de seis meses que, como um Buda no nirvana, nem tem idéia do mundo em que nasceu e vive num estado de felicidade pura e genuína e contemplação lúdica absolutos!

Ubirajara Passos

Publicado em: on 02/03/2009 at 10:00 pm Comentários (3)

BARACK OBAMA: um novo Martin Luther King ou um Lula yankee?

Ninguém tem a menor dúvida de que o novo presidente americano constitui-se numa daquelas surpresas espetaculares e absolutamente “revolucionárias” (no sentido de rompimento brusco e radical de um paradigma).

Afinal, um presidente da república NEGRO no país do mais empedernido e excludente racismo, como os Estados Unidos da América, é algo tão sensacional quanto um cardeal (explicitamente) gay e adepto da teologia da libertação no trono do Vaticano!

Martin Luther King, no seu inquieto túmulo, deve estar se revirando… e dando gargalhadas histéricas como uma solteirona que foi agarrada por um surfista bêbado! A presença de Obama na Casa Branca é um fantástico tapa na cara da arrogância brancófila, caipira e voluntariosa do dominador yankee!

Mas ninguém se engane, nem espere que a “revolução” vá além deste plano metafórico e do imaginário sócio-cultural. Porque o novo chefe do Império yankee pode ser negro e democrata, mas continua a ser o “chefe do Império yankee” e sua função, condicionada pelos interesses da classe dominante imperialista a que serve o Estado americano, é, antes de mais nada, manter intocados os privilégios e interesses de seus senhores burgueses, que são os reais detentores do poder no centro político da espoliação internacional.

É evidente que o “negrão” Obama representa um tremendo avanço em relação à truculência furibunda e inquisitorial de George Bush. Para fazer honra ao liberalismo formal de democrata é bem possível que haja um certo afrouxamento do policialismo endoidecido do império. O que não significa, absolutamente, que os Estados Unidos, sob o seu governo, se tornaram um doce cordeirinho benévolo e altruísta e deixarão de sugar o sangue, com seus parceiros europeus e asiáticos, das colônias extra-oficiais da África, Ásia ou América Latina (como o Brasil), se apropriando do produto do suor sofrido de seus trabalhadores. É mais provável mesmo que nem o Iraque seja desocupado pelas tropas do Império, apesar de um discurso humanitário e “tolerante”.

E nem espere o típico negro norte-americano o beneplácito de seu representante de raça em Washington para com as suas necessidades de dignidade social e econômica! Eleito dentro das regras e dos padrões de comportamento típicos da sociedade branca e protestante, da elite “ilustrada” democrata americana, Obama realmente fará, em breve, Martin Luther King se “revirar no túmulo”, só que de raiva e indignação e não de admiração por seu pretenso sucessor catapultado ao supremo poder! Por mais que se esforce para ser um Kennedy “bronzeado”, dificilmente o “companheiro” Barack ultrapassará as limitações do, pretensamente, grande mito humanista da América  – que era tão “humanista” que, durante o seu governo, foi o responsável pela tentativa de invasão de Cuba nacionalista e revolucionária e pelo esquema de suborno dos países explorados da América Latina, o pretenso “Plano Marshal” do Novo Mundo, a “Aliança para o Progresso”, que financiou, entre outras “humanistas e caridosas obras”, o golpe militar fascista de 1964 no Brasil.

O mais provável é que se repita, no Grande Irmão do Norte, o fenômeno já conhecido de nós, brasileiros, em que o operário fudido e nordestino chegou ao Palácio nos braços do povo miserável que via nele um seu irmão, e nele depositava todas as esperanças, para depois trair seus ingênuos eleitores e nos submeter a todos à continuidade da miséria e do quotidiano autoritário, opressivo e sacrificante de trabalhar para os privilégios de burgueses e lacaios burocratas do Estado, sem qualquer direito, sob o pretexto de defesa de nós mesmos, os trabalhadores.

Se o mito do operário redentor se transformou na realidade crua e atroz do algoz pretensamente semi-analfabeto e arrogante do operariado, ninguém se iluda, porque, assim como a negra Condolezza Rice, Obama, salvo um lance improvável e digno do “Fim do Mundo”, se tornará o humilde negro opressor de índios, mestiços, negros, árabes, amarelos e fudidos trabalhadores em geral das nações dominadas do terceiro mundo, em nome da prepotência e da rica mesa farta de bacon do imperialista branco americano!

Ubirajara Passos

Publicado em: on 21/01/2009 at 12:07 am Comentários (2)

DENÚNCIA DAS PERSEGUIÇÕES A BIRA E SIMONE NOS ORGANISMOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS

Reproduzo abaixo o texto da denúncia encaminhada, nesta semana, pelo Movimento Indignação, que lidero, à Organização Internacional do Trabalho – OIT (texto reproduzido na íntegra), Anistia Internacional (sediada em Londres), aos Repórteres sem Fronteira (sediados em Paris), à Conlutas (cental sindical classista e combativa), ao Movimento Sindical do Partido Democrático Trabalhista (PDT) do Rio Grande do Sul, aos deputados trabalhistas (PDT)  gaúchos Vieira da Cunha e Pompeo de Mattos e à Internacional Socialista:

Senhores Dirigentes da OIT:

O Movimento Indignação, fração de oposição do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul – Sindjus-RS, vem perante a Organização Internacional do Trabalho requerer providências por violação da liberdade sindical e do direito de organização praticada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, República Federativa do Brasil, consubstanciado na intimidação, mediante processos disciplinar ilegal e ilegítimo dos sindicalistas do setor público, abaixo nominados, em razão do exercício de suas atividades sindicais, que fere as convenções 87, 98 e 151 (especialmente), conforme narrado a seguir.

Os sindicalistas Ubirajara Passos e Simone Janson Nejar, servidores concursados e representantes de local de trabalho, respectivamente, do Departamento de Informática do Tribunal de Justiça e da Contadoria da Comarca de Gravataí, setores do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul, República Federativa do Brasil, estão sendo retaliados, e ameaçados de demissão de seus cargos públicos, em razão de terem denunciado, através do blog do Movimento Indignação (corrente de oposição interna do Sindjus-RS – Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, de que são militantes), cujo endereço é grupo30.canalblog.com, e do blog pessoal de Ubirajara Passos, upassos.wordpress.com, a prática ilegal de nepotismo no Tribunal de Justiça, bem como por se manifestarem contra o arrocho salarial e a falta de condições de trabalho sofridos pela categoria (em cujos quadros há mais de 1.800 cargos vagos não providos há anos).

A sindicalista Simone denunciou, não somente no referido blog (que é o site oficial do movimento Indignação, nele publicando artigos os sindicalistas Ubirajara Passos, Simone Janson Nejar e Valdir Antônio Bergmann), mas através de ação popular impetrada no Supremo Tribunal Federal, a lista de ocupantes de cargos em comissão parentes de juízes e desembargadores, cuja presença neles constitui infração à Súmula 13 da suprema corte brasileira, assunto este que vem sendo coberto pela imprensa local e nacional.

Como resultado, e a pretexto de utilizarem nos artigos por eles assinados, expressões injuriosas, caluniosas e difamatórias às autoridades públicas e ao Poder Judiciário, a administração do referido tribunal, através da 2.ª vic-presidência, e da Corregedoria-Geral de Justiça, abriu processos administrativos contra Simone e Ubirajara, suspendendo-os de seus cargos, “preventivamente”, e enquadrando-os no dispositivo da Lei Estadual 5256/1966, promulgada durante a ditadura militar, que permite a demissão de trabalhadores públicos em razão de “referência injuriosa, caluniosa ou difamatória à Justiça, autoridades públicas, ás partes e a seus advogados” (art. 757, VI, d) – artigo este eivado de completa inconstitucionalidade frente ao art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada por ocasião da restauração democrática em 5/10/1988, que garante a liberdade de expressão.

Apesar do pretexto legalista e autoritário do “crime de opinião”, que é mero expediente para demitir os sindicalistas, os processos objetivam realmente é intimidar e calar as vozes críticas dos membros do movimento sindical referido e dos militantes sindicais do poder judiciário do Rio Grande do Sul. Não por acaso foram iniciados logo após a denúncia, no blog do movimento, de contratação irregular de empresa de manutenção de ar condicionado em que consta como sócio o irmão do Presidente do Tribunal de Justiça, pelo Poder Judiciário. As manifestações “injuriosas” são expressões e frases de efeito dos artigos publicados pelos sindicalistas nas denúncias referidas.

No caso do sindicalista Ubirajara Passos, a sanha persecutória chega às raias da insanidade, da malícia e do pior preconceito sócio-cultural. Militante do Sindjus-RS há mais de 17 anos (desde 1991), Ubirajara Passos ocupou neste período os mais diversos cargos de dirigente sindical, como representante de local de trabalho, 3º e 4º Vice-Presidente do Sindjus-RS, membro do Conselho Deliberativo, do Conselho Geral e Coordenador do Núcleo Regional da Grande Porto Alegre, na referida entidade, possuindo  grande liderança e popularidade entre os servidores do judiciário, de há muito, tendo sempre se manifestado e atuado com a maior combatividade e radicalismo pelos direitos trabalhistas da categoria, sem quaisquer hipocrisias e de forma contundente.

Para disfarçar a perseguição política escancarada, entretanto, o Tribunal de Justiça embasou o processo administrativo a pretexto da publicação, no blog pessoal do sindicalista, de uma crônica satírica que expõe o ridículo de norma que determina à segurança do palácio-sede do poder a coibição de “encontros excessivos de namorados” (de suposta natureza sexual), se utilizando de palavras “chulas” (termos sexuais na linguagem popular). O referido blog, em que Ubirajara publica desde comentários políticos a poemas de sua autoria e ensaios antropológicos e políticos, possui em seu conteúdo toda a sua obra literária, na maior parte impublicada, mas a portaria que instaurou o processo visando sua demissão, qualifica seu conteúdo de “obsceno”, em clara imputação preconceituosa e moralista, de cunho patriarcal e conservador, e em evidente tentativa de desqualificação da liderança e do discurso político e sindical de seu autor.

Anexamos manifesto lançado pela corrente sindical referida, em apoio aos trabalhadores perseguidos e moção de repúdio do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro sobre o caso.

Porto Alegre, 28 de outubro de 2008

Valdir Antônio Bergmann

Mílton Antunes Dornelles

Ubirajara Passos

Simone Janson Nejar, pelo

Movimento Indignação (organização de oposição do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul/Sindjus-RS)

Publicado em: on 14/11/2008 at 10:54 am Comentários (1)

SINDJUSTIÇA-RJ APROVA MOÇÃO DE REPÚDIO À PERSEGUIÇÃO CONTRA BIRA E SIMONE

Apesar de todo o peleguismo nauseante do sindicalismo oficialesco deste país e da conivência surda da maioria da população brasileira com a hipocrisia moralista, e a sua irmã – a opressão bem-comportada, de modos finos, e filha da puta – nem tudo está perdido.

Prova disto é a moção que reproduzo abaixo, aprovada em uma Assembléia Geral da peonada do judiciário fluminense, em greve há mais de 45 dias, por mais de 2.000 trabalhadores presentes, e que nos foi entregue na última quarta-feira pelo diretor de imprensa do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Fassano, no aeroporto Salgado Filho, de onde seguiu conosco para degustar um bife com batatas, arroz, e feijão mexido, no Bar Naval (Mercado Público), no centro de Porto Alegre, antes de pegar o ônibus para Gramado, onde participou do Congresso das Associações Brasileiras de Oficiais de Justiça.

O companheiro Fassano, velho brizolista e malandro carioca, destes malandros que dispensam a mais inocente cervejinha (só bebe água e refrigerante há anos), mas não perde a malandragem, merece, aliás, um capítulo a parte neste “obsceno” (segundo o corregedor de justiça do Tribunal Gaúcho) blog, mas por enquanto vamos ficando com a moção de que foi emissário, que vai reproduzida abaixo:

 

mocao-sindjustica-rj

Publicado em: on 12/11/2008 at 12:47 am Deixe um comentário

CENSURA INQUISITORIAL SE MATERIALIZA NA JUSTIÇA GAÚCHA

Por incrível que pareça, na República Fascista do Inácio, não se pode mais fazer qualquer manifestação dissonante dos padrões de “comportamento” mais moralistas (do pior falso moralismo) e caducos, sem que o braço da vigilância caia sobre nós e nos tente  banir da sociedade. O que é pior ainda quando a pretensa irreverência imoral vem acompanhada do combate político e sindical ferrenho, da crítica e da reivindicação mais legítima de condições humanas de trabalho a um patrão estatal dirigido por uma casta de privilegiados.

O fato, em resumo, é que, como retaliação à pauleira crítica e reivindicatória que eu e meus companheiros (especialmente a companheira Simone Nejar) do movimento Indignação temos desferido sobre a miséria salarial dos trabalhadores da justiça gaúcha (perdas inflacionárias de quase 70%) e a falta de condições de atendimento à população (mais de 1.800 cargos vagos e não providos, há anos) – contrastantes com a existência ilegal de dezenas de parentes de desembargados em cargos em comissão lautamente remunerados no Tribunal de Justiça - estou sendo processado, assim como a companheira citada (ela, por expor suas críticas e denúncias no blog do Indignação) administrativamente, sob o pretexto de ter escrito neste blog uma crônica “obscena” que constituiria “injúria, difamação e calúnia à Justiça e às autoridades públicas”, conforme artigo da Lei Estadual 5256 – casualmente promulgada em 1966, em plena vigência da ditadura militar gorila - e pela qual pretendem me aplicar nada mais que a pena de demissão do serviço público. O texto “censurado”, que é o pretexto para fazer-nos calar a boca e intimidar os sindicalizados da categoria, em plena campanha salarial, é a crônica satírica, ”É Foda Estagiar no Tribunal”, escrita por mim há quase três meses, e que só foi vista, para me processar, após o blog do Indignação divulgar que a manutenção do ar condicionado do Foro Central da capital é, estranhamente, feita por empresa da qual o irmão do Presidente do Tribunal é sócio…

A represália política parece óbvia, agora o que mais salta aos nossos incrédulos olhos é a verdadeira censura moral e ideológica sobre as opiniões emitidas neste blog, que é tachado na portaria de instauração do processo administrativo de “obsceno”, num total desconhecimento do amplo conteúdo nele existente, que vai da política à antropologia e da poesia lírica ao conto pitoresco, passando sim pela gaiatice boêmia e pelo “erotismo”, mas jamais usando do “chulo” e do “vulgar”, que é a alusão sexual de mau gosto, machista e coisificante.

Reproduzo abaixo manifesto lançado pelo movimento Indignação, tanto em seu blog, quanto publicamente (está sendo distribuído em ato de desagravo, hoje, em Porto Alegre), e alerto aos leitores que não se preocupem, porque, apesar de estar com a cabeça a prêmio (ameaçado de demissão, com família pra criar e uma filha de menos de dois meses), não deixarei de lhes propiciar o prazer da crítica combativa e do humor sarcástico. Segue o manifesto:

MANIFESTO À SOCIEDADE, AOS PARTIDOS POLÍTICOS E AO MOVIMENTO SINDICAL

Queremos protestar contra a mordaça no servidor público, através da aplicação de leis que ferem o direito à liberdade de expressão, princípio consagrado na Constituição Federal.

Denunciamos, por este manifesto, à sociedade gaúcha e nacional, aos partidos políticos, ao movimento sindical, aos órgãos e entidades que defendem e lutam pela liberdade, a democracia e a decência, que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul está retaliando os servidores concursados, e representantes sindicais, Simone Nejar e Ubirajara Passos, porque foram honestos e denunciaram o nepotismo que grassa no Judiciário gaúcho, no blog do movimento INDIGNAÇÃO (corrente sindical de oposição do Sindjus-RS), de que são militantes, em seus blogs particulares e através de uma ação popular no Supremo Tribunal Federal.

Ambos os servidores estão suspensos, respondendo a processos administrativos visando à sua demissão; enquanto, por outro lado, os parentes dos desembargadores continuam, todos, usufruindo as benesses de seus bem-pagos cargos em comissão. Vejam, senhores, que enquanto estes dois servidores, Simone Janson Nejar e Ubirajara Passos estão aqui, perseguidos pela administração de um Tribunal “de Justiça”, os parentes denunciados continuam lá dentro, como se não fosse com eles. Enquanto o Senado é obrigado a exonerar seus parentes; enquanto o Ministério Público e Assembléia Legislativa são obrigados a exonerar seus parentes, o Judiciário gaúcho silencia. Perguntamos publicamente, hoje, se a Súmula 13 e a Constituição não se aplicam ao Poder Judiciário Gaúcho.

É por isso, senhores, que estamos aqui, mostrando nossa cara, porque nada temos a esconder.Os companheiros Bira e Simone ingressaram no serviço público mediante concurso, cumprem seus horário e suas tarefas, e não merecem ser retaliados desta maneira pelo fato de terem denunciado irregularidades que são usuais dentro do Tribunal de Justiça. Todos sabem que a Casa está lotada de parentes, quando existem mais de 1800 cargos efetivos vagos, enquanto tantos jovens estudam para concursos neste país. Queremos denunciar que não recebemos reajuste há mais de quatro anos, enquanto os juízes garantiram para si o gordo subsídio de até 70% no ano que vem. Queremos denunciar o assédio moral que os companheiros sofrem unicamente por falarem a verdade.

E queremos, por fim, o apoio dos cidadãos, porque não é possível mais compactuar com tanta imoralidade e ilegalidade dentro do Poder Judiciário.

BASTA!

Porto Alegre, outubro de 2008

 

movimento
   INDIGNAÇÃO

Publicado em: on 29/10/2008 at 11:44 am Deixe um comentário

O VAZIO POLÍTICO DO BRASIL

No início de 2004, quando eu ainda vivia o ostracismo político no Sindjus (afastado que estava de qualquer atividade desde 2001), nem imaginava ser candidato a vereador pelo PDT, militar (sofrido e frustrado, é bem verdade) no partido nos anos seguintes, ser membro do Conselho Geral do Sindjus, coordenador do Núcleo de Canoas, defender a regionalização do sindicato nas eleições internas seguintes (2007), fundar este blog ou a minha paixão político-sindical atual (o movimento INDIGNAÇÃO) eu escreveria o desabafo intelectualizado que reproduzo abaixo, que, hoje, espelha fielmente o cenário de vazio revolucionário (e total hegemonia do “partido único” da burguesia fascista e do imperialismo yankee: o governo do Inácio) da política brasileira.

O texto, como alguns de meus poemas, é profético e (apesar do contexto de “militância prática zero” em que eu vivia e da ingenuidade na caracterização do PC do B e do PSTU, que – apesar de amenizada no meu pensamento, em relação ao último, anos depois – acabou por se revelar mais cruenta do que supunha) antecipa surpreendentemente o que até então não era tão claro na futura “República do Mensalão” em termos de terra arrasada do cenário político.

Naquela época, por exemplo, Brizola ainda era vivo, recém havia rompido com o governo petista e começava a disparar sua artilharia verbal indignada e revolucionária sobre o governo traidor do Inácio dos Nove Dedos. Ainda que o PDT, ao contrário de seu velho e incoercível líder, já padecesse de um peleguismo arraigado, era inacreditável imaginá-lo dócil e submisso no ministério de Dom Lula. O PSOL ainda não surgira, para se revelar a mais nova e inútil esperança dos revolucionários socialistas desiludidos com as velhas cartilhas, das quais eu imaginava o PSTU, e o próprio PC do B fossem equivocados e ingênuos discípulos – o que hoje já não é mais possível supor, depois de anos de cumplicidade explícita e fisiológica  (caso do PC do B) ou de imobilismo fossilizado, de triste e enrustida cumplicidade com o mundo da política formal clientelista e vaidosa, dos nossos trotskistas bem-comportados e “disciplinados”.

Hoje, com exceção das pequenas particularidades apontadas, o texto cai como uma luva, tanto na realidade nacional, quanto na minha posição política quanto a ele, que, com exceção do movimento Indignação, é cada vez mais solitária. Vamos ao ensaio:

Minha Solidão Política. 

I 

Vivo o dilema de não ser apolítico, mas não ter partido onde militar, sem trair minhas convicções íntimas. Sou filiado ao PDT, mas seu programa possui uma perspectiva excessivamente social-democrata, admitindo a continuidade da existência das classes sociais, e crê ingenuamente na possibilidade de construir o socialismo pela domesticação da classe dominante.

Muito embora tenha atuado apenas no sindicalismo (da forma que me permitiam as contingências, e limitações impostas pela ala majoritária da diretoria – a  que me opunha), não tenho agido de modo concreto na política formal menos por intelectualismo diletante e timidez do que por reconhecer que não há no Brasil partido político que me permita lutar em vista da minha ideologia e sem ter de violentar meu pensamento.

Prefiro o ostracismo da vida privada, e continuar a sonhar com a revolução no bar e no gabinete, à hipocrisia e a reforçar, com meu engajamento, práticas e concepções que colaboram para manter as criaturas atreladas a crenças impositivas e infelicitantes, que lhes recusam toda possibilidade de pensar e agir por si mesmas, sob a garantia falaciosa de uma felicidade e um conforto dignos de bem vestidos e alimentados, mas “bem comportados” – e oprimidos – alunos de um internato da primeira metade do século passado! 

II 

A esquerda predominante (o PT e o PSB), ao atingir o poder, simplesmente revelou a sua oculta (mas previsível) e verdadeira face de fascismo pequeno burguês, envernizado por altissonante e sedutora retórica “socialista”.

O PC do B (que, apesar de sustentar o poder federal, possui discurso ideológico coerente com sua prática histórica) se ressente, como o oposicionista PSTU, do totalitarismo dogmático que reduz a massa de trabalhadores a um rebanho inciente, a ser conduzido com mão forte e paternal à estrada do paraíso, revelado ao profeta Marx pela divindade das forças materiais (que, contraditoriamente ao conceito de alienação por ele desenvolvido, tomam, no seu pensamento, o caráter de autônomas, com vontade própria, independente e acima dos homens, lhes determinando o  fatal destino histórico).

Mas, até mesmo as federações anarquistas são antes clubes de “adesão” forçada, mais presos a um ativismo inspirado na cartilha do que (pasmem!) à liberdade de pensamento, ao questionamento independente e  à análise da realidade concreta!

Amo acima de tudo a liberdade e o prazer e creio firmemente que este (que se identifica com tudo que é saudável e genuíno, com o que gratifica nossos corpos e mentes, permitindo-nos a perpetuação da vida e a vida da alma, repleta de movimento e fascínio) só pode existir como resultado daquela.

E, infelizmente, as correntes políticas organizadas, nos dias de hoje, contaminam-se, todas elas, nas águas de maior ou menor autoritarismo disfarçado, dos velhos moralismos perpetuadores da infelicidade emocional e da opressão da maioria, e – sobretudo – de uma ideologia que vê nos indivíduos antes crianças a serem tuteladas (ainda que dentro dos critérios de “bem-estar”, “futuro”, ou progresso, para elas sonhados por seus pais – os políticos) do que seres dotados de razão, sensibilidade e autonomia, que têm direito a construir, por si e para si, o próprio roteiro biográfico. Ao invés de auxiliar a emancipação dos trabalhadores, nossos revolucionários institucionalizados pretendem, no máximo, organizá-los em obedientes manadas que lhes satisfaçam as alucinações messiânicas e apocalípticas! 

III 

Antes, porém, que me acusem de utópico, de idealista inconseqüente e desvinculado do mundo do possível, incapaz de alistar-se nas fileiras de um partido que busque ao menos criar as condições materiais de vida digna sem as quais não se pode almejar tão altos ideais de consciência, beleza, liberdade e rica e complexa subjetividade, me apontem uma única sigla neste país que, hoje, tenha a real vontade e a determinação, entre seus membros, de se empenhar de corpo e alma (admitindo até o próprio martírio) nesta luta “realista” pela emancipação possível, mínima e necessária, das massas de oprimidos! E digam-me, acima de tudo, se pode-se efetivamente marchar, a partir dela, rumo à uma realidade digna de seres pensantes e não de meros animais bem tratados!

Fica bem claro para mim que entre os partidos socialistas e comunistas, as organizações anarquistas formais e os meus pontos de vista há divergências essenciais e irredutíveis e que só criando, com os companheiros que comunguem dos mesmos ideais, a própria organização, partidária ou não, me seria possível empreender luta política efetiva, que vá além da mera crítica literária e da elocubração intelectual. Aí nasce, sim, perante minha insegurança pessoal, toda a dificuldade!

Vila Palmeira, 7 de fevereiro de 2004

 

Ubirajara Passos

“É FODA” ESTAGIAR NO TRIBUNAL

Por incrível que pareça, em pleno século XXI, o velho ranço beato e anti-prazer anda grassando justamente na sede do judiciário do Estado pretensamente mais politizado (e supostamente, liberal) do Brasil. O que só prova, no microcosmo das relações quotidianas (quase familiares) de trabalho, o que se encontra toldado na vitrine da política nacional: estamos em pleno regime fascista, do pior fascismo – aquele que se ampara na vigilância, nos mexericos e no dedo-durismo mesquinho do fiscal de esquina.

E, nesta modernosa reprodução da inquisição medieval, nem mesmo os princípios do liberalismo burguês (que admitem a maior liberdade de expressão e exercício da vida pessoal para a classe privilegiada) encontram qualquer eco! Em nome do velho sadismo da classe dominante – do tesão, filtrado por camadas ontológicas de repressão e “punição”, que se transforma em raiva hidrófoba e furibunda (coisa a que o mestre Reich dava o nome de “peste emocional”) – é preciso que toda a mínima manifestação de vida, de prazer e bom-humor seja devidamente pisoteada e extinta debaixo da chibata e da chinelada. O que, eventualmente, se estende aos próprios rebeldes da classe abastada que nos cavalga!

Antes que algum leitor tenha um “ataque de cu”, e rebente as hemorróidas com os próprios dedos, vou esclarecendo. Não se trata da famigerada ordem de serviço que, em flagrante desrespeito ao formalismo consitucional, decretou, ao arrepio de lei complementar vigente no Estado, a limitação do número de servidores que poderia comparecer à Assembléia Geral do Sindjus-RS no último dia primeiro, sob o argumento escravocrata e militarista de que esta estava se realizando “no horário do expediente” (quem sabe pertence, agora, ao patrão, o Tribunal, no caso, a prerrogativa de fixar quando seus escravos poderão reunir-se para tratar da ração e do número máximo de chicoteadas no tronco?).

A coisa é bem mais sútil, hilária, para não dizer ridícula, e beira ao puritanismo de “grupo de pais e mestres” de escola ginasial protestante yankee! Conforme ordem de serviço emanada da seriíssima e “impoluta” Secretaria das Comissões” do Tribunal de Justiça, através do “Of.-Circ. n° 12/2008-AdmTJ”, de 31 de julho passado, os estagiários (leia-se escravos sofisticados, ou simples mão-de-obra barata e sem direitos) contratados do palácio-sede devem ser advertidos, sob pena de DEMISSÃO, para não praticarem mais os crimes de lesa-pátria que reproduzo abaixo, conforme o original da exaustiva deliberação tomada em “reunião da Administração do Prédio” em razão de “alguns fatos relativos ao mau comportamento de estagiários, tais como:

 § Sanitários: problemas de depredação e pichação;

§ Terraço – fumódromo: subidas de estagiários ao 12º andar para encontros, apresentando comportamento contrário às regras de decoro;

§ Restaurante: grupo de estagiários que vem servindo-se do buffet de lanches e apresentando somente a comanda de bebida;. § Copa do 4º andar: usuários estão depredando o patrimônio da copa, com a retirada dos botões do microondas;

§ Copa do 4º e 9º andar: estagiários ficam brincando no elevador utilizado pela copa e restaurante; § Uso de crachá os estagiários não estão usando o crachá nas dependências do prédio.“ 
 

Para a devida advertência e coibição de “faltas” tão hediondas e prejudicais à administração pública e aos interesses da população que paga os salários de nossos justos e denodados magistrados, assim como de seus servos de luxo, digo, estagiários, o ofício refere que “Dessa forma, a Administração do Prédio do TJ solicita colaboração das chefias para que cobre de seus estagiários que devem observar as normas de comportamento social condizentes ao Poder Judiciário, informando que a Equipe de Segurança vai intensificar o monitoramento, para identificação dos estagiários, com a conseqüente e imediata rescisão contratual”.

Mas, afora as reprimendas à indisciplina “infantil” (devem ser muito interessantes as “brincadeiras” praticadas pela piazada na faixa dos dezoito aos vinte e tantos anos nos elevadores da “copa” – fico a imaginar se a coisa envolve os tradicionais folguedos de “pegar”, “esconder”, “cabra-cega” ou a velha história de “brincar de médico”), o que mais salta aos olhos é esta história sobre o “Comportamento excessivo de namorados no terraço (fumódromo) já foi, inclusive, flagrado pela segurança”.

Ao que tudo indica, conforme a própria reprodução da determinação (não estou inventando nada), a pobre gurizada se fode com o salário miserável de aprendiz (que não chega a 2 dos salários “mínimos” de fome canina que nos propicia o nosso amo Luís Inácio) e com uma perseguição feroz da segurança local, especializada não em prevenir possíveis atentados de “subversivos comunistas”, gangues do crime organizado, os PCCs, ou outros congêneres, mas em escanear as mais ingênuas piadas e esquemas de “otimização” orçamentária do bolso da turma. Mas o mais imperdoável é que, talvez inspirada na sacanagem das altas rodas da nobreza provinciana de Porto Alegre (que inclui inúmeras castas, inclusive algumas tradicionais famílias “operadoras do direito”), ao fuder em plena sede do poder mais conservador e sisudo da República, comete o supremo pecado mortal, totalmente contrária ao “decoro” de suas excelências, de sentir prazer em pleno templo do castigo.

O troço é extremamente grave, afinal a piazada está fazendo a coisa de graça, bem longe dos olhos da principal cafetina da capital, a tia Carmen, honrosa senhora que tantos nobres e abnegados serviços tem prestado à alta cúpula do “patriciado político dos três poderes”. E, dizem as más línguas, não foi a transgressão simplória e ingênua de uma simples transa, mas um pecado bem mais grosso e cabeludo. Uma linda e gostosa estagiária (infelizmente bem longe dos gabinetes das chefias) se dedicava, quase nua, ágil e diligentemente, a boquetear um reles estagiário, quando foi pega em delito de felatio in varus por um balofo e invejoso guarda.

Pobres estagiários! Não podem dar um simples peido no corredor que tem um policial na cola, lhes bafejando a nuca, indignadíssimo com a falta de compostura (e, sobretudo, por não ter sido convidado para a orgia do 12º andar). E ainda tem de ouvir as aventuras sexuais de muita assessora de cargo em comissão, sem direito à menor punheta nos banheiros, ou à simples foda improvisada nos recantos do prédio!

Sinceramente, se, ao que se depreende das proporções da preocupação de nossos altos magistrados com a transa estagiária, o maior problema da Justiça gaúcha, nestes dias, além da meia-dúzia de servidores rebeldes (que não aceitam viver, ano após ano, sem qualquer reajustamento nos seus salários de peão mal remediado, e tem a petulância de exigir a recuperação da alta dos preços, que lhes confiscou as possibilidades da carteira em mais de 63% nos últimos anos), é a “foda no palácio”, bem que podiam garantir à juvenil equipe de escravos o “vale-motel”, para que, ao menos, possam fazer alguma coisa de útil com seus parcos salários

Ubirajara Passos

 

MARCHA DOS SELOS

Mil perdões aos leitores, mas, em Santa Rosa-RS desde 24 de janeiro, não tive acesso à internet, o que me impediu de escrever novos posts, mas não evitou que recebesse a fofoca mais quente de Porto Alegre.

Conforme sigilosa e fidediguíssima fonte, que preservarei – obviamente, o escândalo de venda de selos por funcionários da Assembléia Legislativa, a partir do qual está sendo apurada a utilização indevida de 500 celulares (que, segundo a fonte, envolve servidores CC e deputados de todas as bancadas, inclusive a daquele partido cuja sigla inicia por P e termina por T), acabou rendendo a seguinte marchinha, cantada aos cochichos entre parlamentares e assessores presentes ao carnaval da capital:

Que falta de siso, ah que putaria!
Mais de mil cabeças rolarão.
Se ferrô um  tal João Vítor e toda camarilha
C’os selos do Macalão!

Publicado em: on 05/02/2008 at 11:13 pm Comentários (4)

DEMAGOGIA NATALINA: A festa de Lula com os papeleiros


A hipocrisia e a cara de pau sofisticada do fascismo petista atingiu o auge neste Natal de 2007. Nem o histriônico Fernando Collor (o presidente da República “caçador de marajás” cassado pelo Congresso Nacional em nome da indignação popular e da falsa moral burguesa em 1992, apesar do “duela a quien duela”) seria capaz de tamanha façanha! Conforme amplamente noticiado pela mídia, dom Luís Inácio festejou, pela quinta vez, no último dia 22, compassivo e atencioso, o Natal, acompanhado de vários de seus “piedosos ministros”, com os catadores de rua de São Paulo.

Ainda que o evento tenha sido organizado, como a perfeita pantomima “cidadã” e socialisteira, pelos burocráticos e pelegos Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e Movimento da População de Rua (com o apoio da Pastoral do Povo de Rua, ligada ao PT), o fato é que revela o perfeito do caráter do governo do Inácio, que, como um cão traiçoeiro, morde a mão do dono e rapidamente a lambe, antes que ele se volte e lhe cague a pau.

A farsa seria ridícula, não fosse trágica: o mesmo agente político (administrador dos negócios da burguesia nacional e do imperialismo) responsável pela miséria de multidões de trabalhadores brasileiros, que deixa de aplicar em proveito delas os recursos públicos gerados pelo suor da sofrida peonada, para estufar os bolsos dos agiotas internacionais – pagando anualmente R$ 130 bilhões(!) de dívida externa, é quem humildemente se solidariza com a camada mais faminta e miserável desta multidão, os catadores de lixo, ouvindo-lhe atentamente as reivindicações. E recebendo, feliz da vida, os agradecimentos dos líderes puxa-sacos encarregados de organizá-la (leia-se manipulá-la) para que nem os papeleiros escapem ao enquadramento pelego e fascista do PT, e não possam se auto-constituir politicamente em prol de seus interesses reais de trabalhadores e marchar, com o conjunto da classe dominada, para uma sociedade justa e livre, que não obrigue milhares e milhões a “fuçar lixo”, no sub-emprego insalubre e degradante, para sobreviver.
Ao que parece, o Inácio, de tanto andar com a padralhada pretensamente “vermelha”, incorporou definitivamente a sua vida política o exemplar trecho do Evangelho; “que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita” (Mateus, capítulo 6, versículo 3).

Ubirajara Passos
Publicado em: on 25/12/2007 at 10:08 pm Comentários (1)

LULA E A QUEBRA DA ESTABILIDADE DOS SERVIDORES PÚBLICOS

A grande vedete da reforma administrativa do fascista de punhos de renda (o velho companheiro de Lula na pseudo-oposição recrutada nos anos 1970 pela ditadura militar) Dom Fernando Henrique Cardoso foi o estupro do art. 41 da Constituição Federal, que garantia a estabilidade no cargo aos servidores públicos após cumprido o estágio probatório de dois anos, introduzindo-lhe um item que permite demitir servidores estáveis, por falta de desempenho.

Na prática, a medida significa para os trabalhadores do serviço público o mesmo que foi a criação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (o FGTS) para os empregados de empresas privadas, no auge da ditadura militar fascista de 1964, em relação ao já precário direito de estabilidade que a CLT lhes garantia após dez anos de serviço na mesma firma. Como a opção pelo regime do FGTS excluía a possibilidade da estabilidade, a patronada toda passou a só contratar os peões que “optassem” pelo Fundo, extinguindo o instituto que garantia um mínimo de direito ao emprego e combatia a nefasta rotatividade de mão-de-obra, que torna o trabalhador refém da exploração desenfreada da classe dominante e é responsável pelo desemprego crônico que vivemos.

 

O que não foi dito, entretanto, quando da da Reforma Administrativa de 1998, é que as normas anteriores já previam a possibilidade de afastamento, mediante processo administrativo e sentença judicial transitada em julgado, dos servidores corruptos, descumpridores da lei ou “vagabundos” (se é possível existir tal personagem na precariedade e falta de recursos humanos e materiais que assola os serviço públicos Brasil a fora). E a possibilidade pura e simples de demissão sob o pretexto da “falta de desempenho” (conceito que é filho da exploratória ideologia da qualidade) tira toda e qualquer garantia de independência dos servidores frente às pressões do cabo eleitoral nomeado para cargo em comissão, secretário ou chefe de executivo de plantão, bem como de seus respectivos apaniguados e aliados de grupos econômicos privados. Basta que o funcionário contrarie a vontade destes senhores, no exercício de suas funções e, sem garantia de estabilidade, está na rua. o que significa a total entrega da administração pública aos humores e interesses dos partidos e grupelhos falcatruas instalados momentaneamente no poder! Pois, como ninguém se arriscará a contrariá-los, e ter a cabeça cortada, sua vontade será defintivamente incontestável. No Poder Judiciário, que não possui função de deliberação ou execução política, mas é o guardião do cumprimento das normas legais, inclusive em relação aos governantes, a coisa se torna trágica.

A tal “perda do cargo por falta de desempenho”, entretanto, ainda não se tornou realidade concreta, na medida em que precisa ser regulamentada por Lei complementar à Constituição, cujo Projeto foi encaminhado pela Presidência da República ao Congresso Nacional, ainda em 1998, e se encontrava paralisado desde 2003. Até voltar a andar a passos largos em julho deste ano, já se encontrando com parecer favorável das comissões de constituição e justiça e de administração e serviço público da Câmara dos Deputados, desde outubro.

Fato que foi superficialmente denunciado pela diretoria do Sindjus-RS, desde então, sem mencionar, porém, que – sendo projeto de autoria do Poder Executivo – o PLP 248/1998 não representa apenas a vontade de Fernando Henrique, mas do próprio Inácio!

Lula, se quisesse, poderia simplesmente ter retirado do parlamento o nefasto projeto-de-lei complementar, mas deixando-o tramitar, convenientemente permite o ataque completo à proteção legal dos trabalhadores públicos (ao mesmo tempo em que prepara a revogação das leis trabalhistas para os peões da iniciativa privada), se escondendo atrás do fantasma de Dom Fernando Henrique (que é o bode expiatório nas falas da diretoria pelega e petista e cutista do Sindjus).

Esta é umas das graves contradições do governo pseudo-socialista, e fascista, do Inácio. Ao invés de estender o direito de estabilidade aos trabalhadores em geral (o que seria o mínimo de garantia frente à arbitrariedade patronal e ao desemprego avassalador), se prepara para receber de presente dos deputados e senadores a implantação do regime da degola e do terror legalizados para os trabalhadores do serviço público.Sob os aplausos de Bush, multinacionais e seus capachos brasileiros.

Ubirajara Passos

Publicado em: on 13/11/2007 at 1:15 am Comentários (1)