Nestes dias em que o Inácio coopta todas as correntes “ideológicas” possíveis (com exceção de PSTU, PSOL e PCO) para os planos de seu governo entreguista e anti-trabalhador, segue, a guisa de “homenagem” aos nacionalistas e socialistas convertidos à adoração do fascismo petista, o poema abaixo, escrito como sátira (impublicada) a um antigo companheiro de sindicalismo:
DA RENÚNCIA AO “EU”
Sátira a um puxa-saco de político, metido a intelectual de esquerda
Pobre idiota, que vidinha linda
Leva o “sim-sim, pode, senhor, que eu faço”,
Sonhando em transformar o mundo,
E a concordar com a opinião alheia.
Quão revolucionário ele se julga,
Que baita intelectual polivalente!
Mas o que pode ele fazer se o mundo
Vive, nas trevas, tão iludido que opor-se,
Dizer viva verdade é ofender?
Desagradar pra que se o previsível
É a rejeição fanática, convicta.
Sejamos educados, torturemo-nos,
Na ânsia de bradar ante a asneira.
Finjamos que é verdade verdadeira.
Antes soframos, bons cristãos, que os outros,
Do alto da crença no inquestionável,
São incapazes de sofrer. Contraditá-los
Não os torna mais permeáveis à verdade.
Gravataí, 10/11 de outubro de 1999.
Ubirajara Passos