REALIDADE E SONHO

O poema abaixo não é nenhuma pérola de originalidade, mas, apesar de escrito há mais de treze anos, quando eu iniciava a minha militância mais efetiva no Sindjus (época em que publiquei-o no jornal da entidade, o Lutar é Preciso), mantém sua atualidade política. Pelo que lá vai publicado, para distração dos leitores, enquanto descanso da extensa reunião do Conselho de Representantes, hoje à tarde, na sede do Sindjus.

REALIDADE E SONHO

Longo é o caminho dos que buscam sonhos
Sem ter no bolso um único tostão
Que lhes permita um mínimo de vida,
Que lhes garanta um mínimo de pão.

Longo é o caminho dos que sofrem n’alma
A frustração constante dos anseios,
Que têm coragem de sonhar um mundo
Livre e fraterno, em que não haja freios
À plenitude de cada ser humano.

Longo, sinuoso, estreito é o caminho
Aos que a verdade, a igualdade, a luta
Pela justiça social é, mais que a busca
De um ideal, uma necessidade;
Dos que, sentindo na carne o flagelo
Da exploração, da fome, da miséria
Que lhes transforma a vida em pesadelo eterno,
Têm a coragem, não só, de questionar
Toda a brutal e histórica injustiça,
Mas de, inclusive, crer no despertar
Da consciência de seus companheiros,
De não entregar-se ao esmorecimento,
Por mais que o envolvam da reação as teias.

Longo, difícil, pedregoso, infindo
É o caminho da libertação,
Porém é o único que resta às multidões
Dos que trabalham sem colher os frutos,
Dos que semeiam sem comer o pão.

Gravataí. 25 de setembro de 1993

Ubirajara Passos

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