Estou apavorado com o sucesso deste blog deste ontem, o que credito à turma do xupaxota e especialmente à minha cara Fada Safada (a cujo blog prometo visitar com mais assiduidade e me animar a postar comentários, o que só não fiz até agora “porque sou terrivelmente tímido”). Muito me honra o acesso e o apreço destes companheiros que, além de inteligentíssimos, sabem que o melhor é a liberdade e o prazer sem culpas e moralismos.
Assim, em sua homenagem e, cumprindo a promessa feita aos leitores ontem, segue adiante um poema erótico, um poema romântico e um poeminha levemente safado. Vamos lá:
ALCÁCER DO ÊXTASE
(hino à buceta)
O paraíso é um suave ninho,
Cálido e úmido,
Um sedoso cadinho,
Gruta pulsante
De vivas paredes;
Vulcão de lavas
Salinas e incolores,
Rubro veludo
Intenso e delicado,
Profundo poço
Donde ecoam vozes,
Não do oráculo,
Mas de mil deleites;
Ardente e oculto
Templo dos amores
Em que derrete-se
A mais dura pedra,
E o ferro em brasa
Se transmuta em leite!
Vila Palmeira, 15 de agosto de 2004
Ubirajara Passos
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DO AMOR SOLITÁRIO E O DESAMOR AUSENTE
Lamento, meu amor, porque não me amas.
Como seriam boas nossas vidas
Se tu me amasses, se essa inquietude
Que me embaralha os assuntos quotidianos
Fosse também tua inquietude
E, aparvalhados, em meio a mil problemas,
Nos encontrássemos na angústia da ausência
E fôssemos um ao outro o refúgio,
Exclusivo e solitário, das solicitações
Que a multidão ruge ao nosso lado.
Como eu queria a plena companhia
Da tua voz, do teu olhar, deste teu jeito,
No eremitério de um motel qualquer,
Enquanto a massa a nós, pobres escravos
Do trabalho, do público, do mercado,
Brada, furiosa, a nossa intempestiva ausência.
Vila Palmeira, 6 de março de 2004
Ubirajara Passos
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POEMINHA PARA MARIA HELENA
Helena das coxas
Roliças e lisas
(Dois cones mamóreos),
Quisera eu ser brisa
Só pra arrepiar-te
Os dourados pelinhos.
Helena das “quartas”,
Que não é de Tróia,
Por quem não fiz guerra,
Mas guerreou comigo,
E brincava de amores,
Gozando o inimigo;
Helena que a farsa
De namoradinha
Era mais real
Que muitos amores
Que tive e cantei
Em pomposos poemas;
O poema infantil
Me perdoa, Helena.
Tu, que não me esqueces,
Merecias algo
Que não, este plágio
De Bandeira, Vinicius.
Do pobre poeta
A saudade, e o vício,
Porém, era tanta
Que teve início
Esta peça torta,
Indigna de ti,
Mas que vale, amiga,
Mais que o discurso
Candente de toda
Nossa militância.
Perdoa, “polaca”,
O pariu a distância.
Gravataí, 8 de março de 2004.
Ubirajara Passos