Como é a minha estréia neste blog, vou de cara transcrevendo um poema meu que é uma espécie de programa existencial:
“Esconjuro” Ateu e Libertário
Maldita Igreja que condenas os prazeres,
Moral maldita (que abomina o sexo)
Que todas religiões do Ocidente
E os preconceitos quotidianos reafirmam;
Funesta ética que assimila o gozo
Ao crime e interdita seus mil modos
Na etiqueta “familiar” da “honestidade”;
Nefasto discurso da “inocência”,
Do recato que odeia palavrões
E impõe-nos a vida de tédio e sacrifício
Do trabalho sem paixão e sem direitos
E converteis em zumbis a toda humanidade;
Infeliz “prudência” que só serve aos poderosos;
“Paciência e senso” que nos domesticam
Para que os “donos” gozem o produto
De nosso sacrifício quotidiano e exerçam
Em nosso lombo o prazer sádico do mando;
Doméstico idílio propalado
Que és na verdade domesticação
E opressão no “doce lar” dissimulada,
Pequenos burgueses preconceitos,
Vós não podeis eliminar a foda,
Vós não podeis eliminar o amor
A farra, a bebedeira, a amizade,
Mas converteis tudo em transgressão
E, em tal maneira, nos contaminais,
Que nós bebemos, mas não gargalhamos
Como a criança ri em seus folguedos,
Nós festejamos, mas não envolvemo-nos
Na onda da camaradagem:
Vivemos paralelos devaneios;
Enlaçamos nossos corpos e exaltamos
As emoções ao infinito, mas não amamos.
Nosso prazer é manchado de remorsos,
Gozamos, mas o outro não é nada.
Por vossa culpa não compartilhamos,
Mas torturamos com o que é doce a quem queremos.
Mesmo no auge da volúpia, que tornais
Algo ilegítimo e detestável,
Nós somos amos a impingir domínio
Ou caçadores torturando a presa.
Gravataí, 8 de dezembro de 2004
Ubirajara Passos
* Em 13.04.06, às 16:47:30,
* FERNANDO SABINO disse :
Texto de excelente construção léxica, demonstrando que o autor é um anarquista de fazer inveja a Darci Ribeiro